O Google reformulou a barra de pesquisa para lidar melhor com consultas mais longas e complexas, semelhantes às feitas em chatbots. A companhia também planeja atualizar o mecanismo de busca com agentes capazes de ajudar usuários a acompanhar temas de interesse, fazer reservas e monitorar a saúde, entre outras funções. Parte dos recursos será inicialmente restrita a assinantes pagantes.
O foco em inteligência artificial está “iluminando todas as áreas da empresa”, afirmou o CEO Sundar Pichai durante conferência anual de desenvolvedores realizada nesta terça-feira em Mountain View, Califórnia.
“Todo o ritmo intenso de lançamentos e os avanços rápidos da tecnologia transformaram este período em uma fase de hiperprogresso”, disse.
O Google vem reformulando seus negócios para a era da IA, tentando conquistar tanto consumidores comuns quanto usuários corporativos. Segundo Pichai, a aposta crescente em inteligência artificial ajudou a aumentar o uso da busca. A popularidade do aplicativo Gemini, chatbot de IA do Google, mais que dobrou em um ano e agora soma 900 milhões de usuários mensais.
A empresa também disputa com OpenAI e Anthropic a liderança no mercado de ferramentas de programação com IA, segmento considerado altamente lucrativo. Nos últimos meses, executivos do Google passaram a demonstrar preocupação de que a companhia estivesse ficando atrás de rivais nessa área.
As ações da Alphabet reduziram parte das perdas nesta terça-feira e caíam cerca de 1,7% em Nova York.
Durante o evento, o Google apresentou diversas ferramentas para desenvolvedores escreverem código com IA e gerenciarem agentes inteligentes sob a marca Antigravity, plataforma lançada após a aquisição de talentos e tecnologia da startup Windsurf em um acordo de US$ 2,4 bilhões.
A empresa também revelou uma nova versão de seu principal modelo de IA, o Gemini 3.5 Flash, descrito como seu melhor modelo até agora para programação.
Segundo o Google, o modelo é mais rápido do que soluções rivais em determinados indicadores e pode ser utilizado a um custo menor. A companhia informou ainda que a versão “pro”, com desempenho superior e preço premium, já está sendo usada internamente e será lançada ao público no próximo mês.
“Eu acho que o Google ainda tem chance de alcançar os rivais em programação com IA”, afirmou Ang Li, ex-pesquisador da DeepMind e atual CEO da startup Simular. “A empresa tem histórico de vitórias graduais e consistentes.”
O Google também está incorporando recursos de programação ao buscador. Usuários que assinarem planos pagos de IA poderão criar painéis personalizados para organizar tarefas como planejamento de casamento ou novas rotinas de exercícios físicos.
A companhia ainda lançou um novo plano de assinatura para desenvolvedores, oferecendo maior acesso às ferramentas de IA por US$ 100 mensais.
Com lançamentos escalonados como esses, aumenta a diferença entre as versões gratuita e paga da busca do Google. Ainda assim, Nick Fox, vice-presidente sênior da área de conhecimento e informação da empresa, afirmou que o foco segue sendo atender usuários que não pagam pelo produto.
“Estamos extremamente comprometidos em manter a busca acessível para bilhões de usuários no mundo”, disse Fox em entrevista.
Gemini Omni
Outro novo modelo, chamado Gemini Omni, poderá ser usado para “criar qualquer coisa a partir de qualquer entrada”, segundo o Google. Com ele, usuários poderão gerar vídeos a partir de imagens, áudio, vídeo e texto, além de editar vídeos usando linguagem conversacional simples. A ferramenta deve futuramente expandir suas capacidades para criação de imagens e áudio.
Com o crescimento dos vídeos gerados por IA, o Google também ampliará a identificação de deepfakes. Após exibir uma imagem sua jantando com Sam Altman e Elon Musk, Pichai brincou: “Obviamente é falso. Eu não como hambúrguer.”
O aplicativo Gemini também foi reformulado para se tornar um destino mais atrativo para consumidores interessados em experimentar IA. Assinantes pagos poderão usar o Daily Brief, resumo matinal personalizado com informações do dia. A partir da próxima semana, assinantes também terão acesso ao assistente Gemini Spark.
“Spark representa uma grande mudança para o Gemini, transformando-o de um assistente que responde perguntas para um parceiro ativo que realiza tarefas reais sob orientação do usuário”, escreveu Josh Woodward, vice-presidente do Google, em publicação no blog da empresa.
O aplicativo Gemini ganhou ainda um novo design descrito pela companhia como “expressivo neural”, com animações, cores vibrantes e respostas táteis.
A reformulação acompanha as mudanças na barra de busca, descritas pelo Google como a maior atualização do produto em mais de 25 anos. A caixa de pesquisa será ampliada para consultas mais longas, facilitará upload de arquivos e imagens e ajudará usuários a formular buscas de forma mais natural.
“Você deve simplesmente conseguir pegar qualquer pergunta que tenha em mente e digitá-la na caixa de busca”, afirmou Fox. “Queremos ampliar a percepção das pessoas sobre tudo o que a busca pode fazer.”