Para maio, a expectativa com criptomoeda líder do mercado segue positiva. Tanto que o ativo apareceu nas nove carteiras recomendadas de players locais consultadas pela reportagem do InvestNews.
Para Rony Szuster, head de Research do Mercado Bitcoin, a criptomoeda vem sendo cada vez mais vista como uma reserva de valor, o que levou diversas empresas a incluí-la em seus balanços como forma de proteção e diversificação.
“Esse movimento reforça a crescente adoção institucional, envolvendo desde companhias de tecnologia e fundos de investimento até governos que estudam formas de incorporá-lo às suas estratégias”, diz.
Segundo Marcelo Person, diretor de mercados e tesouraria da Foxbit, o bitcoin segue como principal referência do mercado e deve manter a dominância elevada por causa do fluxo via ETFs, que continuam sendo indicadores-chave de direção.
“Em maio, o BTC tende a atuar como base de sustentação do mercado – e qualquer movimento mais forte nas altcoins ainda depende da sua estabilidade”.
Criptomoedas blue chips
Mas o bitcoin não é o único a aparecer. Algumas altcoins também ganharam espaço, especialmente as chamadas blue chips – ou seja, aquelas com maior valor de mercado e histórico mais consolidado.
Uma delas é o ethereum (ETH). Para Guilherme Fais, head de finanças da NovaDAX, a segunda maior criptomoeda do mercado segue como peça fundamental da infraestrutura do setor, ainda que com uma performance mais moderada no curto prazo.
Existe “expectativa de ganhar tração em narrativas ligadas a aplicações reais e tokenização”, diz.
A solana (SOL), concorrente do ethereum, também ganhou destaque. Segundo Francis Wagner, head de criptoativos da Hurst Capital, o projeto tem apresentado evolução consistente em indicadores de atividade, como o crescimento no número de usuários.
“Mesmo em um ambiente de volatilidade, a manutenção desses fundamentos reforça uma perspectiva construtiva, com a solana bem posicionada para capturar crescimento em segmentos como DeFi e aplicações voltadas ao varejo”.
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Outras criptos
Além das criptomoedas mais famosas, ativos menos conhecidos também foram citados. Uma delas é a Avalanche (AVAX).
Segundo Julián Colombo, diretor sênior de políticas públicas e estratégia para a América do Sul na Bitso, a criptomoeda também se posiciona como uma alternativa estratégica dentro da tese de infraestrutura e tokenização.
“Seu modelo de subnets (blockchains personalizadas que rodam dentro do ecossistema) e foco em aplicações corporativas continuam sendo diferenciais importantes em um mercado que valoriza cada vez mais conformidade e customização”.
Outro token citado foi o HYPE, nativo da Hyperliquid. A plataforma permite negociações de ativos e tem se posicionado como uma infraestrutura híbrida entre criptomoedas e mercados tradicionais.
“Em um mundo cada vez mais influenciado por eventos macro que não respeitam o relógio dos mercados, essa característica se torna um diferencial relevante”, diz Andre Franco, CEO da Boost Research.
Disclaimer: investir em criptomoedas – assim como em ações – costuma ser um jogo de longo prazo, mais ligado à tese do que ao timing. Ficar trocando de posição a cada oscilação raramente ajuda e, na prática, pode até prejudicar o retorno. Mas isso não significa ignorar o mercado: acompanhar para onde os analistas estão olhando ajuda a entender tendências, narrativas e possíveis mudanças de cenário – sem necessariamente abandonar a estratégia.
Fontes consultadas: Mercado Bitcoin, Boost Research, Bitso, Foxbit, Hurst Capital, Levante Investimentos, OKX, NovaDAX e MEXC.
Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h.
Bitcoin (BTC): -2,00%, US$ 76.067,64
Ethereum (ETH): -2,95%, US$ 2.263,43
BNB (BNB): -1,88%, US$ 615,17
XRP (XRP): -1,89%, US$ 1,37
Solana (SOL): -2,47%, US$ 83,00
Outros destaques do mercado cripto
R$ 10 bi em stablecoins. Não é só de bitcoin e de altcoins “blue chips” que vive o mercado cripto no Brasil. As stablecoins também estão girando forte por aqui. No mês passado, investidores movimentaram cerca de R$ 10 bilhões – com amplo domínio da USDT, a maior cripto atrelada ao dólar, que sozinha respondeu por R$ 9,09 bilhões (quase tudo). A USDC, segunda do ranking, apareceu bem atrás, com R$ 837 milhões.
Freio no câmbio. E falando em stablecoins: o uso dessas criptos em pagamentos internacionais virou tendência. Porém, elas ganharam um freio no Brasil. Empresas que operam com eFX (uma modalidade específica de câmbio digital) não poderão mais usá-las para liquidar pagamentos ou recebimentos. Mas o jogo não está zerado, ok? Isso porque o câmbio não se resume ao eFX – e o usuário final segue com alternativas.
Tesouraria cripto quer dinheiro. A OranjeBTC (OBTC3), maior tesouraria cripto do país, quer mais munição. A companhia anunciou a emissão de até R$ 210 milhões em debêntures simples (e não conversíveis em ações). É a terceira captação desse tipo. O destino do dinheiro? Sem mistério: comprar mais bitcoin e otimizar a estrutura. Hoje, a empresa já soma 3.727 BTC em caixa – cerca de R$ 1,48 bilhão.