
Balanços da semana:
Segunda-feira (23)
Gerdau (GGBR4): No Brasil, a concorrência das importações, especialmente do aço chinês, segue sendo um ponto de atenção para os próximos trimestres. Já os ganhos operacionais na unidade americana podem suavizar a pressão de margens (o quanto sobra do que a empresa vende depois de pagar seus custos) por aqui.
- Em 2026, a Gerdau pode se beneficiar de um crescimento mais robusto do lucro e da geração de caixa nos próximos anos.
- A perspectiva é de crescimento de lucro por ação acima da média do mercado.
- Há potencial de maior distribuição de dividendos e juros sobre capital próprio (JCP) ao longo do ano, caso o fluxo de caixa livre – o dinheiro restante depois do pagamento das despesas e dos investimentos – mantenha trajetória positiva e o investimento operacional fique mais moderado.
- Preço-alvo das ações (consenso) para 2026: R$ 24,10. Dividend yield, o rendimento com dividendos (consenso), para 2026: 2,8% a 3,4%.
Terça-feira (24)
Mercado Livre (MELI34): analistas continuam enxergando uma força estrutural para a empresa, com grande foco no crescimento de volume total de vendas (GMW, em inglês) e na lucratividade do banco digital Mercado Pago, além da área de logística.
- A companhia é líder em um mercado de rápido crescimento, com alto nível de investimento em tecnologia e cadeia de suprimentos.
- Tem conseguido melhorar a rentabilidade, mesmo em meio a um ambiente altamente competitivo em termos de preços e margens.
- Alavancagem saudável, com dívida líquida em relação ao Ebitda, uma medida de lucro operacional, de 1 vez. Ou seja: a companhia tem uma dívida equivalente a cerca de um ano da sua geração operacional de caixa. Em geral, um nível abaixo de 2 vezes a 3 vezes é um indicativo de saúde financeira.
- Preço-alvo (consenso) para 2026: R$ 126. Dividend yield (consenso) para 2026: não tem, pois não paga proventos para reinvestir os recursos no próprio negócio.
Iguatemi (IGTI11): O último trimestre do ano costuma ser forte para o setor de shoppings e a empresa tem um portfólio de empreendimentos considerado “premium”. O ambiente macroeconômico em 2026 tende a favorecer a retomada do consumo com a queda de juros e o desemprego em patamares historicamente baixos.
- Projeta para 2026 e 2027 investimentos de R$ 550 milhões, com foco em expansões de shoppings do portfólio, como os Iguatemi de Brasília e São Paulo.
- Shoppings operam com altas taxas de ocupação, acima de 94%.
- Preço-alvo (consenso) para 2026: R$ 33. Dividend yield (consenso) para 2026: 2,8% a 3,4%
GPA (PCAR3): o Grupo Pão de Açúcar enfrenta uma crise de confiança entre os investidores após uma complicada batalha nos bastidores entre os acionistas principais. No início do ano, assumiram como CEO e CFO, respectivamente, Alexandre de Jesus Santoro e Pedro Albuquerque, com a missão de melhorar a governança e realizar uma reestruturação operacional.
- As prioridades da nova gestão serão reduzir o endividamento, recuperar a competitividade e recompor as margens.
- Lojas de vizinhança (Minuto Pão de Açúcar e Mini Extra) continuam sendo um ponto positivo, com rentabilidade superior à média global do grupo.
- Na quinta-feira (19), as ações do grupo chegaram a cair 10%, pressionadas pelos temores de que a empresa tenha de passar por uma capitalização com potencial diluição dos acionistas minoritários.
- Preço-alvo (consenso) para 2026: R$ 2,80. Dividend yield (consenso) para 2026: sem consenso
Quarta-feira (25)
WEG (WEGE3): os analistas esperam um crescimento moderado da receita e margens pressionadas no fim de 2025 e início de 2026. Embora a empresa tenha fundamentos sólidos, enfrenta desafios como capacidade de produção próxima do limite e efeitos cambiais com a baixa do dólar .
- O JP Morgan alertou para um 4º trimestre de 2025 mais fraco, com crescimento de receita muito pequeno e potencial de revisão para baixo nas expectativas para 2026.
- Os altos custos operacionais podem limitar a expansão das margens no curto prazo.
- Para além de 2026, há tendências de longo prazo potencialmente positivas: expansão da eletrificação global, demanda por inteligência artificial e data centers e expansão de capacidade produtiva em vários setores.
- Preço-alvo (consenso) para 2026: R$ 38. Dividend yield (consenso) para 2026: 2%
Isa Energia (ISAE4): o setor de transmissão é visto como um dos mais resilientes e “defensivos”. Isso porque as receitas são reguladas e protegidas pela inflação e não sofrem com aspectos como volume ou preço da energia.
- A ISA negocia com o governo de São Paulo um acordo para ser ressarcida por aportes feitos ao fundo de pensão de funcionários da antiga estatal, assumidos pela companhia há 20 anos. O valor em discussão pode chegar a até R$ 7 bilhões, já corrigidos.
- Em um ambiente de cortes de juros, o JP Morgan estima que cada redução de 1 ponto percentual na Selic pode trazer um aumento de 3% no lucro por ação projetado para 2026-27.
- Preço-alvo (consenso) para 2026: R$ 27. Dividend yield (consenso) para 2026: 6%.
Quinta-feira (26)
Aura Minerals (AURA33): as perspectivas para a companhia são positivas, com foco em crescimento acelerado da produção, geração de caixa e dividendos. A empresa tem potencial para se tornar, no médio prazo, uma produtora de médio porte com mais de 600 mil onças equivalentes de ouro por ano.
- Nas estimativas do mercado, a produção da Aura deve alcançar 400 mil onças equivalentes de ouro por ano (GEO, em inglês) em 2026 e subir para 500 mil GEO em 2027.
- A aquisição da Mineração Serra Grande (MSG) no Brasil e o avanço do projeto Era Dorada são fatores de aumento de produção.
- Preço-alvo (consenso) para 2026: R$ 140. Dividend yield (consenso) para 2026: 6% a 8%.
Azul (AZUL53): o mercado está de olho nas informações sobre a recuperação operacional pós-reestruturação e quais os passos após o grupo anunciar a saída da recuperação judicial nos EUA nas regras do Chapter 11. Por enquanto, a visão é limitada: em janeiro, a empresa aprovou um aumento de capital de R$ 7,44 bilhões, com emissão de 1 trilhão de novas ações, o que gerou massiva diluição dos investidores. Na quarta-feira (18), a companhia anunciou uma nova capitalização de R$ 4,98 bilhões, com potencial nova diluição dos minoritários.
- A Azul concluiu seu processo de reestruturação nos EUA, com uma redução de dívidas de mais de US$ 3 bilhões.
- A empresa confirmou na quarta-feira (18) que a American Airlines e a United Airlines vão injetar US$ 200 milhões no negócio.
- Preço-alvo (consenso) para 2026: sem consenso. Dividend yield (consenso) para 2026: sem consenso.
B3 (B3SA3): as perspectivas são mais positivas em 2026 com um cenário macroeconômico mais favorável pela queda de juros e potencial e retomada de ofertas iniciais de ações (IPO, em inglês) após quatro anos sem nenhuma estreia. Há crescimento da base de investidores em vários segmentos, como o de fundos imobiliários e ETFs.
- Em janeiro de 2026, o volume financeiro médio diário em ações cresceu 43,5% para R$ 33,8 bilhões.
- A diversificação da B3 (renda fixa, produtos de balcão e serviços de tecnologia) ajuda a compensar a volatilidade do segmento de renda variável.
- A companhia tem investido em tokenização, stablecoins e na entrada no “mercado de previsões” para diversificar receitas a partir de 2026.
- A B3 planeja distribuir entre 90% a 110% do lucro líquido aos acionistas em 2026.
- Preço-alvo (consenso) para 2026: R$ 18. Dividend yield (consenso) para 2026: 7%.
Caixa Seguridade (CXSE3): a visão que predomina entre os analistas é otimista. O grupo deve manter forte desempenho em 2026, com lucros consistentes, dividendos atrativos, com pagamentos acima de 90% do lucro líquido, e expansão operacional.
- Em 2026, a perspectiva é de crescimento do lucro líquido em dois dígitos, apoiado pelo crescimento dos seguros no crédito imobiliário, que ganham impulso com juros mais baixos.
- Preço-alvo (consenso) para 2026: R$ 20. Dividend yield (consenso) para 2026: 9%.
Copel (CPLE3): o otimismo com o grupo estatal paranaense que atua na geração, transmissão e distribuição de energia vem da forte geração de caixa e perspectivas de pagamentos robustos de dividendos.
- A empresa planeja investir R$ 17,8 bilhões até 2030, com foco em distribuição e ampliação de usinas hidrelétricas.
- A revisão tarifária da distribuição em 2026 é um gatilho positivo, podendo aumentar o Ebitda em cerca de 39% até 2027.
- Preço-alvo (consenso) para 2026: R$ 14. Dividend yield (consenso) para 2026: 7,4% e 9%
Axia Energia (AXIA3 e AXIA6): a proposta de migração para o Novo Mercado da B3 (mais alto nível de governança da bolsa) é vista como um catalisador positivo. O tema será votado em assembleia geral de acionistas marcada para abril.
- A perspectiva de preços de energia mais elevados nos próximos meses ajuda a sustentar um valor de mercado maior para a companhia.
- Os investidores esperam um anúncio de distribuição de dividendos acima de R$ 4 bilhões na divulgação de resultados do quarto trimestre, com chance de pagamentos maiores pelos preços de energia mais elevados.
- Os analistas revisaram para cima as estimativas para o Ebitda, de R$ 27,8 bilhões para R$ 30 bilhões para 2026.
- Preço-alvo (consenso) para 2026: R$ 49 (AXIA3) e R$ 54 (AXIA6). Dividend yield (consenso) para 2026: 7,6% a 7,8%.