Os sinais iniciais apontam para um movimento de redução de risco. O dólar americano disparou e o franco suíço subiu levemente frente a outras moedas fortes nas primeiras negociações, enquanto o dólar australiano — mais sensível a risco — liderou as quedas entre as principais divisas. Títulos públicos de Austrália e Nova Zelândia avançaram quando seus mercados abriram.
Após declarações de Donald Trump de que o conflito no Irã pode durar quatro semanas, o preço do petróleo escalou. O Brent abriu em alta de 13%; mais tarde a alta arrefeceu para 7,5%, a US$ 78,28. A Bloomberg Economics estima que, com o Estreito de Ormuz bloqueado, pode haver um salto para até US$ 108. Cerca de um quinto do fluxo global de petróleo passa por essa via marítima, o que a torna um gargalo crítico de energia.
Sinais digitais indicam que o tráfego de petroleiros em Hormuz praticamente parou, e três navios foram atacados perto da entrada do Golfo Pérsico, ampliando o temor de aperto na oferta. O Irã disse que não pretende fechar a passagem.
“Mesmo sem um fechamento formal do Estreito de Hormuz, a realidade é que o desvio de rotas e o salto dos prêmios de seguro na prática apertam as condições de oferta”, disse Dilin Wu, estrategista da Pepperstone. “Isso, por si só, embute um novo impulso inflacionário na economia global.”
Os principais índices de ações da Arábia Saudita e do Egito caíram mais de 2% no pregão de domingo. Já os futuros de ações dos EUA, Treasuries, petróleo e ouro estavam programados para começar a ser negociados às 18h (horário de Nova York), oferecendo o primeiro termômetro amplo do humor dos investidores. O bitcoin, por sua vez, recuava 0,4% às 17h35 em Nova York.
Abalados por novas ansiedades em torno da inteligência artificial e possíveis rachaduras no crédito — e negociando em níveis historicamente elevados de valuation — os mercados agora precisam lidar com a ação militar em espiral no Irã e na região, que ameaça desestabilizar o transporte marítimo global e frear viagens. O impacto sobre o petróleo e a inflação virou a preocupação central, em um momento em que, no mês passado, as ações americanas registraram sua pior queda desde abril.
“Tudo isso acontece em um momento frágil, quando os investidores estão ficando mais cautelosos”, disse Dec Mullarkey, diretor-gerente da SLC Management. “As ações dos EUA já são muito sensíveis a ameaças de disrupção tecnológica e a um estresse emergente no crédito, então a perspectiva de commodities mais caras pode forçar uma onda de vendas, à medida que os investidores reduzem risco.”

Na Hyperliquid — uma bolsa de criptoativos que virou um dos maiores centros de derivativos do tipo perpetual futures — um contrato ligado ao petróleo subiu mais de 4%, para US$ 90,99 o barril, no meio da tarde em Nova York. O ouro avançou 1,10%, para US$ 5.379,60 a onça, enquanto a prata era negociada a US$ 96,65 por onça, alta de 1,88% nas últimas 24 horas.
Esses contratos são negociados 24 horas por dia e se tornaram uma forma popular de especular em diferentes mercados fora do horário tradicional. Normalmente, são liquidados em USDC, uma stablecoin atrelada ao dólar.
“Os preços do petróleo bruto estão prestes a disparar quando os mercados abrirem na segunda-feira”, escreveu Elias Haddad, chefe global de estratégia de mercados do Brown Brothers Harriman, em nota a clientes. “No entanto, os investidores devem ir contra eventuais exageros na alta do petróleo, porque a produção global continua superando a demanda global.”
Riscos maiores
Embora os mercados muitas vezes tenham “dado de ombros” para episódios geopolíticos — com ações reagindo pouco a ataques dos EUA a instalações nucleares iranianas em junho — há um risco maior de que este conflito atinja a economia global à medida que o tumulto se aprofunda, escreveu Ajay Rajadhyaksha, chairman global de research do Barclays. Ele alertou contra comprar quedas abruptas nas ações.
“A relação risco-retorno não parece atraente”, disse ele. “Se as ações recuarem o suficiente (digamos, mais de 10% no S&P 500), provavelmente vai chegar um momento de compra. Mas ainda não.”
O que dizem estrategistas da Bloomberg…
“O impulso do mercado após os eventos do fim de semana será de aversão a risco, e provavelmente haverá menos apetite para ‘comprar na queda’ ao menos até surgir mais clareza sobre a abrangência e a duração do conflito.” — Michael Ball, estrategista macro, Markets Live.
Ações de energia e defesa provavelmente devem subir quando as bolsas começarem a negociar, disse Joe Gilbert, gestor de portfólio da Integrity Asset Management. As ações da Saudi Aramco, petrolífera estatal, avançaram 3,4% no domingo, o maior salto em mais de quatro meses.
Qualquer alta duradoura do petróleo também complica a tese de compra de Treasuries. Uma fuga para a segurança tende a derrubar os juros, mas energia mais cara, ao se espalhar pela economia e alimentar inflação, empurra os rendimentos para cima.
“Eu esperaria uma queda de 5 a 10 pontos-base nos rendimentos, no mínimo, no movimento inicial”, disse Maxence Visseau, diretor de research da Arkevium, sediada em Dubai. “Mas a complicação é o petróleo. Se o barril disparar para US$ 80 a US$ 90 com alguma interrupção em Hormuz, a ponta longa fica num cabo de guerra entre demanda por proteção e reprecificação das expectativas de inflação.”
Alguns dos principais movimentos nos mercados:
Moedas
- O euro caiu 0,4%, para US$ 1,1766, às 7h35 em Tóquio
- O iene japonês recuou 0,1%, para 156,27 por dólar
- O yuan offshore caiu 0,3%, para 6,8860 por dólar
- O dólar australiano recuou 0,9%, para US$ 0,7056
Juros
- O rendimento do título australiano de 10 anos caiu sete pontos-base, para 4,58%
Criptomoedas
- Bitcoin caiu 0,4%, para US$ 65.389,19
- Ether caiu 0,2%, para US$ 1.925,95