Nem só de ações vive quem quer ter renda passiva com dividendos. Os ETFs que distribuem renda são também uma opção acessível. E rentável.

Ainda são poucos os ETFs – fundos de índices negociados na bolsa de valores – desse tipo na B3. Mas entre os que estão lá, alguns oferecem rentabilidade comparável à de ações reconhecidas como boas pagadoras de dividendos.

Os maiores níveis de dividend yield (taxa de retorno só com o pagamento de proventos) são do Nu Renda Ibov Smart Dividendos (NDIV11) e do It Now IDIV Renda Dividendos (DIVD11). No fim de março, eles apresentaram retornos de 8,38% e 8,08% nos últimos 12 meses, respectivamente.

É o equivalente ao rendimento com dividendos das ações de empresas como Bradesco e Itaú, por exemplo.

Os dados são da Agenda de Dividendos do InvestNews, que a partir deste mês passa a incluir as datas e valores de pagamento dos ETFs que distribuem renda.

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Corrida dos dividendos também nos ETFs

Nos últimos meses, a distribuição de dividendos por alguns fundos de renda foi turbinada. Foi efeito de uma corrida das empresas para adiantar os pagamentos antes da entrada em vigor da nova lei que passou a tributar os dividendos quando os recebimentos passam de R$ 50 mil por mês.

A nova regra passou a valer para as distribuições anunciadas a partir de janeiro deste ano. Porém, decisões da Justiça prorrogaram até abril o prazo para os pagamentos manterem a isenção.

Por conta dessa movimentação, ETFs como o NDIV11, por exemplo, pagaram uma espécie de “13º dos dividendos” em janeiro. O fundo do Nubank distribuiu R$ 2,76 por cota, frente a R$ 0,47 em fevereiro e R$ 0,66 em março.

Já o DIVD11 aumentou o pagamento para R$ 1,63 por cota no primeiro mês de 2026. Nos dois períodos seguintes, as distribuições alcançaram R$ 0,13 e R$ 0,30.

Estratégia automática

Os números sugerem que os ETFs de renda passiva podem ser uma maneira de capturar até mesmo movimentos atípicos, como a corrida dos dividendos no fim do ano passado, e distribuições extraordinárias. Ao mesmo tempo, garantem os pagamentos tradicionais e recorrentes.

Essas carteiras incluem tanto as grandes pagadoras, quanto companhias com potencial de crescimento na distribuição de proventos, escolhidas de acordo com a metodologia do índice de referência. Os portfólios também são dinâmicos e passam por rebalanceamentos automáticos.

Nos últimos dois anos, houve a estreia de quatro novas carteiras desse tipo. Em 2026, várias gestoras planejam lançar fundos do gênero, o que pode dobrar a quantidade de ETFs de renda à disposição do mercado.

O crescimento desse grupo é uma boa notícia para os investidores que querem montar carteiras de renda. Isso porque criar seu próprio portfólio pode ser uma tarefa de certa complexidade. Afinal, o investidor precisa avaliar e selecionar uma grande variedade de ativos.

O ETF, por outro lado, faz todo o trabalho de escolher os papéis e trocar as ações de tempos em tempos. É quase como “automatizar” uma estratégia de renda passiva.

Tem ainda o fator simplicidade: investir nesse tipo de fundo dá o mesmo trabalho de comprar uma ação. As cotas são negociadas na B3 do mesmo jeito que os papéis de empresas listadas.

Os índices replicados pelos fundos de dividendos incorporam metodologias específicas criadas para selecionar ações boas pagadoras de proventos.

Na prática, os ETFs de renda usam a metodologia desse referencial para montar carteiras de ações e receber os proventos regularmente. Essa distribuição de lucro das companhias é, posteriormente, repassada aos cotistas.

E porque o investidor deve considerar ter uma parte de sua carteira de dividendos alocada em ETFs de renda? Em primeiro lugar, os retornos não ficam a dever aos de empresas conhecidas.

Além do retorno, tem outros fatores. A distribuição é mensal: as fórmulas desses índices são criadas para manter pagamentos regulares todo mês.

Prós e contras dos ETFs de renda

Apesar da facilidade, os ETFs exibem algumas desvantagens quando comparados ao recebimento direto de proventos. Qualquer montante recebido de fundos de índice tem recolhimento de imposto de renda na fonte com alíquota de 15%.

Se esse pagamento for recebido diretamente de uma empresa, os dividendos têm isenção para valores até R$ 50 mil por mês.

Além disso, não há isenção de Imposto de Renda na venda de cotas de ETF com lucro – sempre é cobrada uma alíquota de 15%. É diferente das ações, que têm isenção para vendas até R$ 20 mil por mês no caso de pessoa física.

Outro ponto é que os ETFs têm taxa de administração, calculada sobre o patrimônio do fundo. É um percentual baixo, em torno de 0,5% ao ano, mas ainda assim, um custo a mais.

Mesmo com esses poréns, os ETFs agregam conveniência, retorno e eficiência às carteiras. Portanto, são ferramentas importantes para quem deseja montar um portfólio de renda passiva.

Os dividendos de abril

A Agenda de Dividendos do InvestNews passa a trazer a lista dos ETFs de renda, com informações sobre data de pagamento, valor a ser depositado e o dividend yield anual das cotas.

A agenda reúne as principais informações que o investidor precisa acompanhar para ter previsibilidade do fluxo de pagamentos de suas ações, planejar novos aportes e não perder nenhuma data relevante.

Além disso, é uma das únicas agendas em que é possível conferir quais distribuições já entram nas novas regras de tributação de dividendos e quais ainda estão totalmente livres de Imposto de Renda.

Em abril, há 39 pagamentos de dividendos de ações previstos, mais cinco ETFs de renda. As distribuições incluem dividendos de gigantes como Itaú, Itaúsa, Ambev, Rede D’Or e Bradesco. Entre as companhias pagadoras, há ações com retorno de mais de 11% só com o pagamento de proventos nos últimos 12 meses.