Notícia ruim: o bitcoin (BTC) não anda nada bem. A criptomoeda chegou a bater nos US$ 73 mil ontem – o pior nível desde novembro de 2024 – antes de se recuperar para a faixa dos US$ 75 mil na manhã desta quarta-feira (4). Desde a máxima histórica, no início de outubro do ano passado, o tombo já chega a 40%. É muita coisa.

No mercado, cresce o coro de que estamos vivendo um inverno cripto – aquele período em que os preços ficam pressionados ou simplesmente andam de lado por meses.

“É importante chamar isso pelo nome. Isso não é uma correção de bull market nem uma ‘quedinha’. É um inverno cripto em pleno vigor – no estilo 2022, ou Leonardo DiCaprio, no filme O Regresso – desencadeado por fatores que vão desde excesso de alavancagem até a realização de lucros em massa por investidores veteranos”, escreveu Matt Hougan, CIO da Bitwise.

Vale lembrar que, desde 10 de outubro – dia em que quase US$ 20 bilhões do mercado de derivativos cripto foram varridos em apenas 24 horas, no episódio que ficou conhecido como o crash do BTC -, a criptomoeda vem cambaleando. E, nesse intervalo, vamos combinar, teve de tudo um pouco: tensões geopolíticas, dúvidas sobre os juros, temor de crise fiscal no Japão e fuga de capital para ativos considerados mais seguros, como o ouro.

E dá para sair desse momento gelado? Sim – mas alguns ventos precisam soprar a favor, segundo os analistas.

Um deles é o avanço do Clarity Act, proposta que busca estabelecer um marco regulatório mais claro para o mercado cripto nos Estados Unidos. Nesta semana, houve uma reunião entre bancos e plataformas cripto na Casa Branca para tentar destravar o principal impasse: o pagamento de rendimento por stablecoins, algo que o setor bancário vê com maus olhos.

Outro fator-chave é o fluxo institucional, que precisa ganhar tração novamente. Na segunda-feira (2), os ETFs (fundos negociados em bolsa) até conseguiram atrair recursos – cerca de US$ 561 milhões, segundo a plataforma SoSoValue. Mas o movimento perdeu força no dia seguinte, com saídas de US$ 272 milhões.

“Os fluxos de ETFs seguem como o principal indicador de sustentação do mercado”, disse Ana de Mattos, analista técnica e trader parceira da Ripio.

Por fim, o ambiente político e macroeconômico também precisa se acomodar. O excesso de ruído tem alimentado a volatilidade não só nas criptomoedas, mas em vários mercados. Lembrando que o burburinho em torno dos juros nos EUA e do novo presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Kevin Warsh, adicionam mais uma camada de incerteza.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h50.

Bitcoin (BTC):  -2,73%, US$ 75.041,09

Ethereum (ETH): -2,39%, US$ 2.237,55

XRP (XRP): -1,03%, US$ 1,59

BNB (BNB): -2,93%, US$ 749,41

Solana (SOL): -6,65%, US$ 96,13

Outros destaques do mercado cripto

Um puxadinho no marco cripto. A Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação da Câmara dos Deputados aprovou um texto que regulamenta o mercado de criptoativos. Na prática, é um adendo ao marco legal das criptomoedas, que entrou em vigor em 2023. Entre as exigências, uma das principais é a seguinte: stablecoins atreladas ao real ou ao dólar precisam ter lastro – seja em moeda corrente, seja em títulos públicos.

Estudante brasileiro + US$ 3 mil em bitcoin. Essa nota é para estudantes que manjam de programação. O Summer of Bitcoin, programa internacional de estágio online focado no ecossistema da maior cripto do mercado, abriu inscrições. E brasileiros podem participar, claro. É preciso ter disponibilidade integral por 12 semanas. A recompensa? Uma bolsa de US$ 3 mil (cerca de R$ 15 mil), paga em bitcoin. Nada mal para um “estágio de férias”.

O fantasma de Epstein no mundo cripto. Milhões de páginas do caso Jeffrey Epstein vieram a público nos EUA – e o mercado cripto não saiu ileso. Os documentos mostram que o criminoso sexual investiu em empresas do setor: foram cerca de US$ 3 milhões na Coinbase, que preferiu não comentar o assunto. Epstein também colocou dinheiro na Blockstream, empresa de tecnologia ligada ao bitcoin. O cofundador Adam Back confirmou o aporte, mas afirmou que não existe mais qualquer relação financeira. A revelação, claro, gerou um baita bafafá – e reacendeu discussões sobre governança, passado e reputação.

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