Back, que já foi apontado no passado como o inventor do bitcoin, é CEO da Blockstream, uma empresa de tecnologia blockchain. PhD em ciência da computação, ele criou um sistema que inspirou a mineração do bitcoin (processo de emissão dos tokens). Também fazia parte do círculo que deu origem à criptomoeda e chegou a trocar e-mails com Nakamoto.
O jornalista John Carreyrou, autor da reportagem, afirma ter passado um ano analisando milhares de postagens antigas na internet, e-mails e documentos judiciais para construir o caso. Segundo ele, há semelhanças marcantes entre textos de Back e de Satoshi.
Ele também aponta que a atividade online de Back coincide com o desaparecimento de Nakamoto, pouco depois da publicação do white paper (guia) do bitcoin, no fim de 2008. Além disso, diz que o cientista da computação já havia descrito, em 1997, cinco pilares centrais da maior criptomoeda do mercado.
No X (antigo Twitter), Back negou ser Satoshi Nakamoto.
“Não sou o Satoshi, mas fui um dos primeiros a me concentrar intensamente nas implicações positivas para a sociedade da criptografia, privacidade online e dinheiro eletrônico, daí meu interesse ativo a partir de ~1992 em pesquisa aplicada sobre ecash (uma das primeiras tentativas de criar dinheiro digital de verdade) e tecnologias de privacidade na lista cypherpunks, o que levou ao hashcash (nome do mecanismo que inspirou a mineração de bitcoin) e outras ideias”.
A pergunta de um trilhão
Esta não é a primeira vez que alguém afirma ter identificado quem criou o bitcoin, que hoje tem valor de mercado de US$ 1,4 trilhão. Em 2014, uma reportagem da Newsweek apontou Dorian Prentice Satoshi Nakamoto, um físico e engenheiro na Califórnia. Ele sempre negou.
Uma década depois, em 2014, a HBO lançou um documentário sugerindo o desenvolvedor canadense Peter Todd como o criador da criptomoeda. O diretor Cullen Hoback citou publicações em fóruns. Todd também negou.
Ao longo dos últimos 17 anos, outros nomes frequentemente citados incluíram o jurista e criptógrafo Nick Szabo, o desenvolvedor Hal Finney e o desenvolvedor Gavin Andresen. Há ainda quem tenha afirmado ser Satoshi sem provas, como o cientista da computação Craig Wright, cujo caso acabou em disputa judicial.
Até hoje, no entanto, ninguém apresentou evidências conclusivas.
Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h30.
Bitcoin (BTC): +4,87%, US$ 71.444,62
Ethereum (ETH): +7,50%, US$ 2.247,11
BNB (BNB): +2,40%, US$ 612,53
XRP (XRP): +5,46%, US$ 1,37
Solana (SOL): +6,56%, US$ 84,48
Outros destaques do mercado cripto
R$ 5,6 bi em ativos sob gestão. Para brasileiro não tem tempo ruim – nem quando o mercado balança. Na semana passada, mesmo com a volatilidade, investidores locais colocaram US$ 2 milhões (cerca de R$ 10,3 milhões) em fundos de criptomoedas, segundo a CoinShares. No total, os produtos cripto no Brasil já somam US$ 1,1 bilhão sob gestão (R$ 5,6 bilhões). Nada mal para um mercado que vive de altos e baixos.
Energia de estrela. O medo da computação quântica ainda ronda o mercado cripto – e ganhou força depois de um estudo recente do Google sobre o tema. Mas um novo material veio para colocar um pouco de calma nessa história. O estudo diz que um ataque ao BTC exigiria um nível de energia simplesmente fora do comum – algo comparável à escala de uma estrela. Ou seja: a ameaça até existe no longo prazo, mas, por enquanto, está longe de sair do campo teórico.
Stablecoins e bancos. A disputa entre bancos e o setor cripto nos Estados Unidos segue esquentando, especialmente em torno dos rendimentos pagos por stablecoins – algo que incomoda as instituições tradicionais. Mas um novo relatório da Casa Branca acalma os ânimos. Segundo os economistas, limitar esses rendimentos teria efeito quase nulo para os bancos, principalmente os menores. Na prática, até haveria algum retorno de dinheiro para o sistema tradicional.
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