O impacto para o fundo será expressivo. O FGC terá de desembolsar até R$ 48 bilhões, se forem somados os ressarcimentos das aplicações do Banco Master, do Letsbank e agora, de seu outro controlado, o Will Bank. O montante representa 40% do caixa do fundo, de R$ 122 bilhões.
A partir de agora, as negociações com CDBs do Will Bank ficam paralisadas e os depósitos, bloqueados. Isso porque o FGC é que entra na jogada para assumir os pagamentos. Ou seja, quem tem algum título do banco terá de esperar para receber o dinheiro.
E não são só os CDBs que deixam de ser negociados. Outros produtos financeiros também são congelados: conta corrente, poupança, RDBs (Recibos de Depósito Bancário) – semelhantes a um CDB comum, mas, em geral, com menos liquidez – e letras de crédito, como as Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA).
Esse bloqueio não é uma punição e nem significa que o dinheiro foi perdido. Ele é necessário para impedir saídas desordenadas de recursos e garantir que todos os credores sejam tratados de forma justa.
Os pagamentos do FGC acontecem depois que o fundo recebe a lista de credores, que é enviada pelo liquidante, escolhido pelo Banco Central. Apenas com essa lista em mãos é que o FGC conseguirá definir o cronograma de devolução do dinheiro.
Ainda não há informações de quanto tempo vai demorar para isso acontecer. Como os desembolsos do Banco Master já estão em curso, espera-se que o pagamento do Will Bank não leve tanto tempo como foi com o controlador.
Para ter acesso aos recursos do FGC, é preciso que o próprio investidor faça a solicitação nos canais oficiais do fundo. O processo poderá ser feito pelo celular, via aplicativo, e não exige contato com gerente, banco ou intermediários. Quem não fizer o pedido continuará esperando mesmo com o pagamento já liberado.
Vale lembrar também dos limites de pagamento estabelecidos pelo fundo. O dinheiro devolvido é limitado a R$ 250 mil por CPF ou CNPJ e inclui tanto o valor investido quanto os rendimentos acumulados até a data de hoje.
Daqui em diante, o rendimento não entra mais na conta. Ou seja: quanto mais tempo demorar para os pagamentos começarem a acontecer, maior será o impacto sobre os recursos dos investidores. Isso porque, mesmo com a devolução do dinheiro aplicado, o investidor não tem mais a rentabilidade que o CDB geraria, nem qualquer correção do dinheiro (pela inflação, por exemplo).
A Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento vinha operando sob Regime Especial de Administração Temporária desde a liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada em 18 de novembro de 2025.
O Will Bank havia sido preservado da liquidação do Master no ano passado em meio à possibilidade de venda para o fundo árabe Mubadala. Entretanto, o negócio não foi para a frente.
A situação financeira da fintech comprada pelo Master em 2024 se tornou insustentável nas últimas semanas. No dia 19 de janeiro de 2026, a Will Financeira descumpriu a grade de pagamentos com o arranjo Mastercard, levando ao bloqueio de sua participação no sistema de pagamentos.
Diante do comprometimento da situação econômica, da insolvência da instituição e do vínculo de interesse com o Banco Master, o Banco Central decidiu pela liquidação extrajudicial da Will Financeira.
A estimativa do mercado desse passivo de R$ 7 bilhões a serem honrados pelo FGC se baseia nos dados do IF.data do Banco Central, que apontava um montante de R$ 6,5 bilhões em depósitos a prazo do Will Bank, praticamente todos relativos a CDBs, no fim do terceiro trimestre de 2025.