Vale lembrar que os estrangeiros já ingressaram com R$ 34,5 bilhões na bolsa brasileira. A cifra já supera tudo que entrou em 2025, quando injetaram R$ 26,9 bilhões.
Os motivos? A busca por mercados considerados mais baratos na comparação com ativos americanos e o movimento de diversificação internacional. Cada pequeno movimento dos grandes alocadores internacionais já significa um caminhão de dinheiro para um mercado menor como o brasileiro.
Com menos disputas comerciais, investidores institucionais ampliam exposição a ativos com maior potencial de retorno em países considerados mais arriscados, como emergentes – e, em especial, o Brasil, que é uma economia pequena, mas com maior liquidez frente aos seus pares.
Os números provam isso. O EEM – ETF ligado ao iShares MSCI Emerging Markets, principal indicador das bolsas dos países emergentes – subiu 2,15% hoje. No ano, a alta é de 12%. Em 12 meses, 38%.
Em comparação, o S&P 500 tá no zero a zero no ano. Em 12 meses, avança bem menos, 11%.
As tarifas têm impacto sobre o comércio internacional ao elevar custos de importação e estimular retaliações comerciais. A reversão do quadro favorece ativos sensíveis aos ciclos econômicos e reduz o prêmio de risco global.
Um comércio internacional “destravado” também tem efeitos diretos sobre o crescimento mundial.
Esse ambiente é especialmente positivo para economias como a brasileira, que é exportadora de commodities como minério de ferro, soja, petróleo e proteínas. Ou seja, empresas como a Vale e a Petrobras, com alta sensibilidade ao nível de atividade global e aos fluxos de comércio, podem sair ganhando do ponto de vista econômico.
Um cenário de maior integração comercial e crescimento mais robusto tende a sustentar volumes e preços internacionais. No limite, isso pode significar mais receitas, mais geração de caixa e uma valorização dessas companhias.
É cedo para dizer que isso vai acontecer, mas o potencial está dado em um ambiente em que os estrangeiros já estão fazendo a festa por aqui.
Outro ponto importante é que a redução das receitas vindas das tarifas coloca mais pressão sobre a situação fiscal e o endividamento americano. A possibilidade é de aumento do déficit no orçamento dos EUA e maior emissão de dívida, o que ajuda a manter o dólar mais fraco comparado a outras moedas globais.
O “tarifaço” americano havia causado uma enorme volatilidade na bolsa no ano passado, quando foi aplicado sobre o Brasil e sobre inúmeros outros países. Basta observar o comportamento do índice S&P/B3 Ibovespa VIX, que mede a expectativa de oscilação do Ibovespa para os próximos 30 dias, com base nos preços das opções negociadas na B3.
Quando esse índice sobe muito, significa que o mercado está esperando mais turbulência na bolsa. Em termos simples: os investidores estão pagando mais caro para se proteger de oscilações, sinal de aumento da incerteza no curto prazo.
A queda das tarifas hoje provocou um imediato efeito sobre a bolsa, os contratos de juros futuros e o real. Depois de cair 1% pela manhã, o Ibovespa passou a rondar a estabilidade no começo da tarde para em seguida ganhar força e terminar o dia em alta de 1,06%, aos 190.534 pontos, um novo recorde nominal. Já o dólar caiu 0,98%, cotado a R$ 5,1758 – menor nível desde maio de 2024.
Os contratos de juros futuros – que refletem as expectativas do mercado para a trajetória da Selic – também fecharam em queda em todos os vencimentos. Isso indica que os investidores estão reduzindo o “prêmio de risco” embutido nos ativos brasileiros. Em termos práticos, significa que o mercado passa a exigir menos retorno adicional para financiar o país, confiantes em uma situação macroeconômica melhor.