Na quarta-feira (28), o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) manteve os juros inalterados na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano. O movimento já era esperado e, por isso, o foco do mercado estava menos no anúncio em si e mais no discurso sobre os próximos passos da autoridade monetária, especialmente sobre quando poderiam começar os cortes de juros.
Mas Jerome Powell, presidente do Fed, não deu nenhuma indicação concreta nesse sentido. Pelo contrário: afirmou que a inflação ainda segue um “pouco elevada” – o que dificulta qualquer movimento de flexibilização no curto prazo – e disse que o mercado de trabalho mostrou alguns sinais de estabilização.
Esse cenário costuma pesar sobre ativos de risco, como ações e criptomoedas. Vale lembrar que quedas de juros na maior economia do mundo reduzem a atratividade dos títulos de renda fixa e tendem a direcionar parte do capital para mercados mais arriscados. Quando isso não acontece – ou quando esse movimento é adiado -, o fluxo costuma ir na direção contrária.
Além da incerteza sobre os juros futuros, o pano de fundo geopolítico continua nebuloso, o que tem reforçado a busca por proteção. Nos últimos dias, investidores vêm migrando recursos para ativos considerados mais seguros, como ouro e prata.
Para Paulo Aragão, economista e host do podcast Giro Bitcoin, o momento ainda pede cautela. “No curto prazo, o cenário mais construtivo para o bitcoin é simplesmente segurar os níveis atuais”, falou.
Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h30.
Bitcoin (BTC): -2,05%, US$ 87.889,12
Ethereum (ETH): -3,15%, US$ 2.927,11
XRP (XRP): -3,25%, US$ 1,86
BNB (BNB): -1,60%, US$ 890,92
Solana (SOL): -3,58%, US$ 122,80
Outros destaques do mercado cripto
Casa Branca chama cripto e bancos à mesa. A discussão sobre uma nova regulamentação cripto nos Estados Unidos está num impasse. De um lado, as plataformas de cripto querem continuar oferecendo rendimento em cima das stablecoins. Do outro, os bancos não curtem nada a ideia, porque veem nesses tokens uma concorrência direta aos depósitos tradicionais. Para tentar destravar a situação, a Casa Branca marcou uma reunião com executivos do setor de criptoativos e líderes bancários. O mercado, claro, está bem atento a esse encontro.
Mais stablecoins de dólar na praça. As stablecoins viraram as estrelas do mercado cripto. Parece que quase toda semana alguém lança uma nova. Depois da USAT, mencionada ontem aqui, agora foi a vez de a Fidelity Investments anunciar a sua própria stablecoin atrelada ao dólar. A cripto vai ser integrada à plataforma da gestora e usada para facilitar liquidações. Além disso, o Banco Central dos Emirados Árabes Unidos aprovou também a primeira stablecoin lastreada em dólar americano do país. Moral da história: esse mercado não para de crescer.
Carros brasileiros na tecnologia das criptos. A blockchain, a tecnologia por trás das criptomoedas, já extrapolou o mundo cripto e vem encontrando usos em outras áreas. Um exemplo vem do Detran-PR, que está desenvolvendo uma espécie de “RG digital” tokenizado para veículos. A proposta é criar um histórico digital único para cada carro, reunindo informações como revisões, manutenções, sinistros e mudanças de dono, tudo em um só lugar e de forma difícil de adulterar. Por enquanto, cerca de 1.000 veículos já estão na fase de testes.
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