O bitcoin (BTC) deu uma bela derrapada na tarde desta quinta-feira (29) e caiu para a faixa dos US$ 84 mil – o menor preço desde o fim de novembro, segundo a cotação do InvestNews. A queda foi de cerca de 5% nas últimas 24 horas. As principais criptomoedas também acompanharam o movimento: o ethereum (ETH), por exemplo, recua 5,5%.

Parte do tombo veio do mau humor que tomou conta do mercado de tecnologia. As criptos sentiram o impacto do balanço da Microsoft, que mostrou desaceleração no crescimento da divisão de computação em nuvem. As ações da empresa caem 12% e puxam para baixo o Nasdaq, que recua 1,5% no momento da publicação deste texto.

As criptomoedas costumam andar junto com o setor de tecnologia porque são ativos baseados em software, criptografia e blockchain. Por isso, quando o mercado de tech entra em modo “aversão ao risco”, as criptos normalmente vão junto.

Segundo Felipe Martorano, analista de criptomoedas da Levante Inside Corp, outro fator por trás da queda foi a intensificação das tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã. Nesta quinta, a Marinha norte-americana enviou mais um navio de guerra para o Oriente Médio.

“Essa escalada elevou de forma relevante a percepção de risco global, levando os mercados a um movimento típico de aversão ao risco, com investidores reduzindo posições que estavam próximas das máximas recentes”, disse.

O peso dos juros

Mais cedo, vale notar, as criptos já operavam no vermelho, refletindo também a reação negativa dos investidores à decisão de política monetária dos Estados Unidos – o país manteve a taxa entre 3,50% e 3,75% ao ano – e ao discurso de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).

Powell não deu nenhuma sinalização clara de que os juros vão cair no curto prazo. Pelo contrário: disse que a inflação ainda segue “um pouco elevada” – o que dificulta qualquer flexibilização – e afirmou que o mercado de trabalho mostrou alguns sinais de estabilização.

Esse tipo de cenário costuma pesar sobre ativos de risco, como ações e criptomoedas. Vale lembrar: quando os juros caem na maior economia do mundo, os títulos de renda fixa perdem atratividade e parte do dinheiro migra para mercados mais arriscados. Quando esse movimento é adiado, o fluxo costuma ir na direção oposta.

Para Paulo Aragão, economista e host do podcast Giro Bitcoin, o momento ainda pede cautela. “No curto prazo, o cenário mais construtivo para o bitcoin é simplesmente segurar os níveis atuais”, falou.

Vale entrar em cripto agora?

Francis Wagner, head de criptomoedas da Hurst Capital, disse que o movimento começa a desenhar um ponto de atenção construtivo para investidores com visão de médio e longo prazo.

“Correções motivadas predominantemente por fatores macro costumam abrir janelas de oportunidade, especialmente quando não há deterioração dos fundamentos do ativo”.

Ele falou que, apesar da volatilidade no curto prazo, o bitcoin segue ancorado em uma estrutura de oferta limitada e em uma base de adoção institucional mais madura, reforçando a leitura de que o momento reflete um ajuste de ciclo, e não uma mudança estrutural na tese do ativo.

Mychel Mendes, CFO da Tokeniza, afirmou que correções no bitcoin costumam representar oportunidades, já que, no longo prazo, a expectativa segue sendo de valorização. Ainda assim, ele falou que sempre existe o risco de a criptomoeda cair mais e de a recuperação levar mais tempo do que o esperado.

E sempre vale o lembrete: criptomoedas continuam sendo investimentos de alto risco e forte volatilidade. Especialistas costumam recomendar que a exposição seja limitada a uma pequena fatia do portfólio – algo entre 1%, 3% ou 5%, a depender do perfil do investidor.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 14h30.

Bitcoin (BTC):  -5,05%, US$ 84.914,12

Ethereum (ETH): -5,50%, US$ 2.837,11

XRP (XRP): -4,05%, US$ 1,82

BNB (BNB): -3,59%, US$ 866,11

Solana (SOL): -5,54%, US$ 118,55

Outros destaques do mercado cripto

Casa Branca chama cripto e bancos à mesa. A discussão sobre uma nova regulamentação cripto nos Estados Unidos está num impasse. De um lado, as plataformas de cripto querem continuar oferecendo rendimento em cima das stablecoins. Do outro, os bancos não curtem nada a ideia, porque veem nesses tokens uma concorrência direta aos depósitos tradicionais. Para tentar destravar a situação, a Casa Branca marcou uma reunião com executivos do setor de criptoativos e líderes bancários. O mercado, claro, está bem atento a esse encontro.

Mais stablecoins de dólar na praça. As stablecoins viraram as estrelas do mercado cripto. Parece que quase toda semana alguém lança uma nova. Depois da USAT, mencionada ontem aqui, agora foi a vez de a Fidelity Investments anunciar a sua própria stablecoin atrelada ao dólar. A cripto vai ser integrada à plataforma da gestora e usada para facilitar liquidações. Além disso, o Banco Central dos Emirados Árabes Unidos aprovou também a primeira stablecoin lastreada em dólar americano do país. Moral da história: esse mercado não para de crescer.

Carros brasileiros na tecnologia das criptos. A blockchain, a tecnologia por trás das criptomoedas, já extrapolou o mundo cripto e vem encontrando usos em outras áreas. Um exemplo vem do Detran-PR, que está desenvolvendo uma espécie de “RG digital” tokenizado para veículos. A proposta é criar um histórico digital único para cada carro, reunindo informações como revisões, manutenções, sinistros e mudanças de dono, tudo em um só lugar e de forma difícil de adulterar. Por enquanto, cerca de 1.000 veículos já estão na fase de testes.

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