O Brasil voltou aos mercados internacionais de dívida nesta segunda-feira (9) e levantou US$ 4,5 bilhões em uma emissão de bonds que iguala a maior operação soberana já realizada pelo país, aproveitando o forte apetite global por ativos de mercados emergentes.

O Tesouro vendeu US$ 3,5 bilhões em novos títulos com vencimento em 2036 e US$ 1 bilhão na reabertura dos papéis que vencem em 2056, segundo fontes familiarizadas com a operação. Os rendimentos ficaram em 6,4% e 7,3%, respectivamente, abaixo das indicações iniciais de preço.

A venda ocorre após o Brasil captar cerca de US$ 11 bilhões no exterior ao longo de 2025 – o maior volume anual desde pelo menos 2000, segundo dados do Tesouro. 

Onda de emissões

A operação acontece em meio a uma onda de emissões soberanas em mercados emergentes. Governos desses países já levantaram US$ 79 bilhões em dívida em moeda forte neste ano, alta de 29% em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados compilados pela Bloomberg, à medida que investidores buscam diversificar portfólios para fora dos Estados Unidos.

“O Tesouro está fazendo uma gestão inteligente da dívida”, disse David Austerweil, gestor adjunto para mercados emergentes da VanEck, em Nova York. Segundo ele, concluir emissões em um momento de forte demanda reduz o risco de volatilidade futura.

A busca por rendimento nos países em desenvolvimento tem impulsionado os ativos brasileiros neste ano. O real acumula valorização superior a 5% em 2026, uma das melhores performances entre moedas emergentes, enquanto o principal índice da bolsa brasileira sobe quase 14%, superando o S&P 500 e o índice de ações de países em desenvolvimento.