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A febre das bicicletas compartilhadas que não deu tão certo assim

A Grow, responsável pela Yellow Bike e a Grin, anunciou que deixará de atuar em 14 cidades no Brasil. Para especialista, a legislação brasileira atrapalhou a atuação da empresa.

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Criada há um ano pela junção da empresa brasileira Yellow e a mexicana Grin, a empresa de aluguel de patinetes elétricos e bicicletas Grow começou a recolher todas as “amarelinhas” das ruas e diminuir a frota de patinetes elétricos no Brasil na última quarta-feira (22). 

O compartilhamento de bicicletas pelo selo Yellow foi interrompida em todo o território nacional por tempo indeterminado. Segundo a empresa, as bicicletas recolhidas passarão por um processo de checagem e serão destinadas à reciclagem ou manutenção.

A Grow diz que vai manter a operação somente de patinetes pelo selo Grin em São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Curitiba (PR).    

Procurada pelo InvestNews, a empresa informou que o processo faz parte da reestruturação da Grow presente em 7 países da América Latina. “A decisão foi tomada para realizar um ajuste operacional”, diz a empresa. 

Vandalismo e diálogo com o poder público

Para Caio Bianchi, professor de inovação e coordenador do Digital Business Lab da ESPM-SP, a saída da Grow do mercado brasileiro é também um exemplo sobre como a legislação nacional atrapalha o funcionamento de novos negócios.

“Diferentemente de uma startup que opera em um escritório, empresas com soluções em espaços públicos precisam lidar diretamente com o governo. Além do desafio de desbravar um público novo, a volatilidade e os vandalismos, um elemento decisivo é a parceria com o poder público”. 

O especialista acredita que a falta de parcerias entre os governos dos estados e a empresa dificultou a implantação do modelo de negócios. Segundo Bianchi, boa parte da Grow depende de recursos de investidores, e não é sempre que eles apresentam resultados positivos.

Nesse caso, se a empresa tivesse mais apoio da esfera pública, provavelmente a Grow teria uma história diferente no Brasil.

Na mira da fiscalização

Em 2019, a prefeitura de São Paulo foi uma das primeiras que passaram a fiscalizar e multar empresas de patinetes. A prefeitura abriu um chamamento público para a regulamentação, estipulando uma série de regras que deveriam ser acatadas pelas empresas que prestavam este serviço na cidade.

Na época, a Grow se manifestou sobre a decisão afirmando que não iria participar do cadastro para a regulamentação por considerar o decreto “inconstitucional e Ilegal”.

Nos primeiros dias de fiscalização, a prefeitura chegou a apreender cerca de 500 patinetes da empresa.

Para Bianchi, da ESPM, o serviço da Grow é relevante, inovador e transforma profundamente a mobilidade urbana de cidades ao reduzir o trânsito, alimentar estilos de vida saudáveis e reduzir a poluição.

“Porém, o modelo de negócio se torna cada vez mais difícil quando o próprio governo impõe barreiras ao invés de soluções”, afirma.

Reestruturar para recomeçar

Para Caio Ramalho, responsável pelo núcleo de estudos de startups, inovação, venture capital e private equity e mestre em finanças pela Fundação Getulio Vargas (FGV), o processo de reestruturação de uma empresa que nasceu como startup é completamente normal.

“Faz parte da cultura desse modelo de negócio, chama atenção por ser parte do segmento de transporte urbano, que virou uma febre momentânea. Mas faz parte das startups essas mudança estrutural, afinal é um modelo sujeito a riscos e precisa ser mutável”. 

Caio acredita ainda que existem diversos fatores que podem ser resultado da necessidade de reorganização por parte da empresa, incluindo a questão da regulamentação de negócios. Muitas vezes, a própria legislação brasileira acaba atrapalhando o crescimento ou atuação de uma empresa. 

Outros fatores como ajustes operacionais e mudanças de objetivos também contribuem para o sucesso de uma startup.  

“A reestruturação é parte intrínseca de startups, nesse sentido, a estratégia da Grow é correta: retirar o time de campo, reorganizar as estratégias, e só depois voltar para o jogo. É o ciclo-base de startups: construir, medir, adaptar e aprender”, diz Bianchi.

Modelo de risco

A Grow afirmou que, em 2019, a expansão no Brasil foi acelerada e que a operação no país é muito maior que nos outros locais de atuação. “Foi feito um balanço operacional e percebemos que seria necessário promover essa reestruturação. Esse processo inclui o fechamento de algumas cidades”. 

Os especialistas ouvidos pelo InvestNews acreditam que a reestruturação anunciada pela Grow não significa o fim da empresa. Muitas vezes, esse método é responsável pela reinvenção de um modelo de negócios, uma forma de voltar ainda mais forte para o mercado. E se não der certo, não significa que novas empresas que queiram investir no mesmo segmento possam dar errado.  

“O mercado de startups é um meio onde nada é pré-definido, por isso a maioria dos negócios não dura mais de dois anos, um ou dois realmente vão pra frente”, afirma Ramalho. 

No início de janeiro, a americana Lime, que também operava com empréstimos de patinetes, anunciou o fim da atuação em toda a América Latina.   

Em contrapartida, as empresas que estão fechando, o grupo brasileiro Drop, anunciou as vendas dos primeiros patinetes elétricos fabricados no Brasil. A produção começou em Manaus (AM), na região norte do país.

Segundo informações do “Estadão Conteúdo”, a Drop investiu cerca de R$ 4 milhões para iniciar a fabricação dos veículos. A Drop atua no Brasil desde 2007 como importadora e distribuidora de veículos elétricos e passou a investir na produção em 2019. 

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