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Aéreas correm risco de quebrar com pandemia do coronavírus

Muitas empresas podem não resistir à crise e analistas veem uma consolidação do setor em todo o mundo.

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Estadão Conteúdo
Aviação
Crédito: Envato

A pandemia do coronavírus pode devastar empresas de aviação, fazendo com que muitas não resistam à crise, e provocar uma nova consolidação do setor em todo o mundo.

“Algumas companhias não vão aguentar”, disse ao jornal “O Estado de S. Paulo” o consultor André Castellini, sócio da Bain & Company. O presidente da Azul, John Rodgerson, ponderou que o mundo não pode “parar” por muito tempo, mas afirmou ser “bem possível ter mais consolidação no setor”.

Nesta semana, a asiática Korean Air afirmou, em um memorando para seus funcionários, que, se continuar precisando cancelar voos, poderá não sobreviver ao coronavírus.

“A situação pode piorar a qualquer momento e não podemos prever quanto tempo vai durar. Se continuar por um período mais longo, podemos alcançar o limiar em que não podemos garantir a sobrevivência da companhia”, afirmou o presidente da empresa, Woo Kee-Hong, em documento ao qual a agência Reuters teve acesso.

Receita pode cair US$ 113 bilhões

Estimativas da Associação Internacional do Setor Aéreo (Iata) apontavam, no fim da semana passada, que a indústria poderia perder até US$ 113 bilhões em receita com a crise do coronavírus.

Esse número, porém, não computava os voos cancelados entre Estados Unidos e Europa, um mercado que movimentou US$ 20,6 bilhões no ano passado e cujas operações serão paralisadas por 30 dias a partir de hoje, conforme anunciou o presidente americano, Donal Trump.

Antes mesmo da decisão do governo americano, aéreas como United, American e Delta já haviam cortado a oferta de voos, dada a baixa demanda. No Brasil, a Latam anunciou, na semana passada, a suspensão dos voos entre São Paulo e Milão até 16 de abril. Ontem, informou que reduzirá em 30% os voos internacionais do grupo entre 1º de abril e 30 de maio.

A Azul, que sentiu uma redução de 30% na demanda por viagens internacionais, está cortando a oferta na mesma magnitude, disse Rodgerson. A empresa adiou a estreia da rota entre Campinas e Nova York, que estava prevista para 15 de junho, para setembro, e adiantou a suspensão do voo entre Campinas e Portugal para maio – antes, a previsão era que isso ocorresse em setembro.

Tanto a Latam como a Azul suspenderam as previsões de resultados para este ano por não haver, no momento, clareza para se fazer projeções. A Gol foi a única empresa do mercado doméstico que ainda não anunciou ajuste na malha, mas informou que deverá fazer isso em breve.

‘Slots’

A redução e o cancelamento de voos por parte das companhias não deve afetar a distribuição de slots (autorizações de pousos e decolagens em aeroportos), informou a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Pela norma, quando uma empresa não utiliza seu slot, pode perdê-lo, regra que foi cancelada não só no Brasil como globalmente.

Desde 21 de fevereiro, as ações da Gol despencaram 70%. As da Azul caíram 63,5% e as da Latam, negociadas em Nova York, recuaram 47,5%. Apesar desse pânico no mercado, as três empresas vinham apresentando resultados sólidos, segundo Castellini. “Mas o impacto existe. Elas terão de fazer um exercício de contingência.”

Na quinta-feira, 12, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) informou que apresentou demandas para o governo na tentativa de contornar a crise, entre elas a redução do PIS/Cofins sobre querosene de aviação e a remoção do imposto sobre venda de passagens aéreas.

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