A Axel Springer concordou em comprar o Telegraph Media Group, do Reino Unido, por US$ 766 milhões em dinheiro, em um acordo que unirá duas grandes empresas de mídia conservadoras da Europa.

A alemã Axel Springer fechou o acordo com a RedBird IMI, segundo comunicado divulgado pelas empresas nesta sexta-feira (6). Se aprovado, o negócio deve derrubar uma oferta rival do grupo britânico Daily Mail & General Trust e encerrar três anos de incerteza sobre a propriedade do Telegraph.

A fusão ampliaria o império de mídia do CEO da Axel Springer, Mathias Döpfner, que busca transformar a companhia alemã em uma potência global de mídia. A editora de orientação conservadora, dona de títulos como Bild, Die Welt, Politico e Business Insider, vem tentando expandir sua presença tanto na Europa quanto nos Estados Unidos.

“Há mais de 20 anos tentamos adquirir o Telegraph e não conseguimos”, disse Döpfner no comunicado. “Agora nosso sonho se torna realidade. Ser dono dessa instituição do jornalismo britânico de qualidade é um privilégio e uma responsabilidade.”

A propriedade do Telegraph tem estado em suspenso por vários anos, à medida que possíveis negócios enfrentaram escrutínio político. O proprietário do Daily Mail chegou a fechar um acordo de US$ 666 milhões para comprar o grupo em novembro, em uma tentativa de criar um grande conglomerado de mídia conservadora no Reino Unido, mas o governo trabalhista interveio no mês passado com investigações regulatórias.

Jornal britânico

A disputa pelo tradicional jornal britânico começou em 2023, quando a família Barclay, que controlava o título havia quase duas décadas, concordou em entregar o controle em troca de um empréstimo de £600 milhões (US$ 800 milhões) para quitar dívidas. Na época, o acordo também incluía a revista The Spectator, a revista semanal mais antiga ainda em circulação no mundo. O bilionário gestor de hedge fund Paul Marshall acabou adquirindo esse título.

Uma tentativa anterior envolvendo a RedBird IMI — uma joint venture entre a RedBird Capital Partners e a empresa de mídia do vice-primeiro-ministro dos Emirados Árabes Unidos, Sheikh Mansour bin Zayed Al Nahyan — fracassou em 2024, após forte reação no Reino Unido devido à ligação com um governo do Oriente Médio.

Na época, o governo britânico controlado pelos conservadores propôs leis para impedir acordos envolvendo jornais e revistas que incluíssem “propriedade, influência ou controle de Estados estrangeiros”. As regras propostas, no entanto, não afetariam empresas estrangeiras que já possuam ativos no país, como a News Corp, do magnata Rupert Murdoch.

Bilionário, Mathias Döpfner vem realizando uma série de aquisições para transformar a empresa em um titã global da mídia. A parceira de longa data KKR & Co. comprou a unidade de classificados da Springer — por anos uma grande geradora de receita — por cerca de €10 bilhões (US$ 10,8 bilhões) no ano passado. Isso deixou Döpfner e Friede Springer, viúva do fundador da companhia, com o restante da empresa, avaliado em cerca de US$ 3,8 bilhões, além de uma grande reserva de caixa.

Segundo a analista Claire Enders, o acordo pelo Telegraph provavelmente não provocará as mesmas preocupações políticas e concorrenciais que propostas anteriores.

“Este é um novo comprador com credenciais impecáveis”, disse Enders, descrevendo a oferta como um “alívio” para os atuais proprietários e funcionários do jornal.

O The Telegraph foi fundado em 1855 e há muito tempo é associado ao Partido Conservador britânico. Winston Churchill e o ex-primeiro-ministro Boris Johnson já escreveram para o jornal.

O Telegraph registrou receita de assinaturas de US$ 108 milhões em 2024, alta de 18% em relação ao ano anterior. A receita total do grupo foi de US$ 372 milhões no ano.

“É um ativo sólido, com uma liderança forte e um público extremamente fiel”, disse Enders. “A receita de assinaturas do Telegraph tem enorme valor.”