O BTG Pactual assinou um acordo para assumir o controle acionário do Digimais, banco que pertence a Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus.

Os documentos vinculantes – que implicam obrigações legais – estabelecem um valor de referência, que ainda não foi divulgado, e condições para a venda da totalidade das ações do banco, além de direitos relacionados, dentro de um processo competitivo que ainda será lançado e que permitirá que outros interessados apresentem propostas.

O processo também levará em consideração regras de suporte financeiro, que visam garantir a saúde financeira do Digimais durante a negociação e minimizar riscos para clientes, credores e para o próprio BTG, reduzindo possíveis perdas ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Segundo o comunicado ao mercado nesta quarta-feira (8), a conclusão da operação depende de três condições principais: o lançamento do citado processo competitivo, a subsequente declaração da proposta do BTG Pactual como vencedora e a obtenção de todas as aprovações regulatórias, incluindo do Banco Central e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Digimais

O Digimais, antes conhecido como Banco Renner, teve seu controle adquirido em 2020 por Edir Macedo, dono da Record TV e fundador da Igreja Universal do Reino de Deus.

Na ocasião, o banco mudou de nome, transferiu sua sede do Rio Grande do Sul para São Paulo e passou a ser comandado pelo bispo João Luiz Urbaneja.

Nos últimos anos, o Digimais passou por um quadro deterioração financeira, recebeu alguns aportes do controlador e passou por tentativas de venda.

A operação com o BTG Pactual é vista no mercado como uma forma de evitar uma eventual liquidação pelo Banco Central do Digimais – cujos depósitos teriam que ser integralmente cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Com a venda para outro banco capitalizado, a tendência é que as perdas do fundo sejam menores, mesmo que parte do passivo precise ser coberta.

Segundo o balanço de junho de 2025, o Digimais tinha R$ 3,89 bilhões em ativos mobiliários, principalmente fundos de investimento em direitos creditórios (FIDC) e FIIs.