A  Elo Serviços, bandeira de cartões do Banco do Brasil, Bradesco e Caixa, contratou o Bank of America, o Bradesco e o UBS BB para coordenar sua aguardada oferta pública inicial de ações nos Estados Unidos, segundo pessoas com conhecimento do assunto. 

A empresa trabalha para realizar o IPO no segundo semestre deste ano, disseram as pessoas, que pediram anonimato porque a informação não é pública. 

O plano indica que o mercado de IPOs no Brasil está ganhando força após recentemente encerrar uma seca de quase cinco anos. As ofertas públicas iniciais estavam em pausa em meio a elevadas taxas de juros e resgates expressivos na indústria de fundos de ações.

A Elo, concorrente local de Visa e Mastercard, com mais de 34 milhões de cartões ativos em sua rede, pertence igualmente ao Banco Bradesco, Banco do Brasil e à Caixa Econômica Federal. Os bancos reestruturaram suas participações no ano passado em preparação para o IPO.

A Elo disse que não há decisão sobre um potencial IPO e que continuamente avalia alternativas estratégicas e oportunidades nos mercados de capitais. BofA, UBS BB, Banco do Brasil não comentaram, enquanto que o Bradesco e a Caixa não responderam ao pedido de comentário feito pela Bloomberg.

R$ 500 milhões

A empresa, que também considerou abrir capital em 2021, mirando um valor de mercado de cerca de US$ 4 bilhões e uma tentativa de levantar US$ 1 bilhão, agora pretende captar até cerca de US$ 500 milhões, disseram as pessoas.

A retomada dos planos de IPO da Elo acompanha uma tendência mais ampla de empresas brasileiras em setores consolidados testando o mercado após a listagem da Compass Gás e Energia, empresa de infraestrutura energética, no Brasil neste mês.

A Elo foi fundada há mais de uma década como uma joint venture para reduzir as taxas que bancos brasileiros pagam a empresas globais de pagamentos. O crescimento foi impulsionado pelos clientes bancários e acelerado pela distribuição de auxílio social do governo por meio do aplicativo Caixa Tem durante a pandemia.

A companhia era mais dependente de cartões de débito do que suas rivais americanas, mas passou a diversificar os serviços à medida que o débito perdeu espaço para o Pix, o sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central.