“A Alphabet ocupa uma posição relevante em quase todos os cantos do ecossistema de IA, e a combinação de tudo o que ela oferece a coloca em uma posição privilegiada para ser a maior vencedora da inteligência artificial”, disse Luke O’Neill, diretor de investimentos da CooksonPeirce Wealth Management, que tem participações na Alphabet e na Nvidia.
A controladora do Google encerrou a sexta-feira (8) com valor de mercado de US$ 4,8 trilhões. A Nvidia estava abaixo desse patamar na terça-feira (5), mas uma alta de três dias até o fim da semana levou seu valor de mercado a US$ 5,2 trilhões.
A diferença entre as duas empresas diminuiu consideravelmente nos últimos seis meses, à medida que as ações da Alphabet dispararam, incluindo uma alta de 34% em abril, seu melhor mês desde 2004. Em 31 de outubro, o valor de mercado da Nvidia era de US$ 4,9 trilhões, enquanto o da Alphabet era inferior a US$ 3,4 trilhões. Desde então, as ações da Alphabet subiram 43%, enquanto as da Nvidia avançaram apenas 6,3%, ficando atrás do índice S&P 500 e do Nasdaq 100, índice com forte peso de empresas de tecnologia.
Investidores dizem que faz sentido a Alphabet eventualmente conquistar o título de maior empresa do mundo porque seus tentáculos alcançam muitas das partes mais importantes da indústria de tecnologia e da negociação ligada à IA.
A Nvidia pode ser líder na fabricação de chips de IA, mas a Alphabet tem um produto rival que vem ganhando preferência. Ela também é dona de uma série de negócios gigantescos, como Google Search, Google Cloud, YouTube e Waymo. Além disso, o modelo de IA Gemini, da Alphabet, é considerado um dos melhores da indústria, e a empresa é uma investidora relevante na Anthropic, que tem outro modelo de ponta, o Claude.
“A Nvidia é uma grande empresa, mas tem potencial para ser muito mais cíclica caso os gastos com IA desacelerem”, disse O’Neill. “A Alphabet é tão diversificada que, se um negócio fraquejar, os outros podem compensar. Não dá para ter uma vantagem competitiva mais ampla do que a da Alphabet, e ela parece ser A empresa da era da internet. Então faria sentido que fosse a maior.”

A Alphabet foi a maior ação do mercado no início de 2016, quando ultrapassou brevemente a Apple. Na sexta-feira, o valor de mercado da Apple era de US$ 4,3 trilhões, seguida pela Microsoft, com US$ 3,1 trilhões, e pela Amazon, com US$ 2,9 trilhões.
A temporada de balanços ofereceu uma demonstração de como a Alphabet está emergindo como a vencedora de destaque entre as big techs. Além de registrar crescimento acima do esperado nos negócios de busca e nuvem, os chips de IA da companhia, chamados de tensor processing units, ou TPUs, tornaram-se uma atração importante para clientes. Em breve, eles estarão disponíveis para clientes do Google Cloud rodarem em seus próprios data centers, disse o CEO Sundar Pichai.

A expectativa é que a Alphabet gere cerca de US$ 3 bilhões em receita com infraestrutura relacionada a TPUs em 2026 e US$ 25 bilhões em 2027, escreveu o analista Andrew Boone, da Citizens, em nota a clientes no dia 5 de maio.
“Tudo o que você quer”
“A Alphabet simplesmente tem tudo o que você quer, e é por isso que todo mundo se sente tão confortável em ter a ação, porque ela tem muitas formas de vencer dentro da IA”, disse Divyaunsh Divatia, analista de pesquisa da Janus Henderson Investors. “Entre busca, chips, nuvem, YouTube e Gemini, ela ganha dinheiro de muitas fontes. Eu ainda gosto da Nvidia, que continua sendo uma empresa muito forte, mas ela é apenas uma fabricante de chips.”
A ascensão da Alphabet marca uma reversão impressionante. Há menos de um ano, investidores estavam se desfazendo das ações porque o principal negócio da companhia, o mecanismo de busca, era visto como uma possível vítima da disrupção provocada pela IA. Isso começou a mudar quando a Alphabet passou a incorporar IA às buscas do Google e o Gemini se tornou um dos chatbots de IA mais populares.
Agora, analistas estão elevando rapidamente suas estimativas de lucro. No último mês, a projeção consensual para o lucro líquido da Alphabet em 2026 subiu cerca de 19%, e as expectativas para 2027 avançaram mais de 7%, segundo dados compilados pela Bloomberg.
Ainda assim, prolongar a alta das ações da Alphabet pode ser difícil, apesar do entusiasmo de Wall Street. O preço-alvo médio dos analistas para os próximos 12 meses é de cerca de US$ 422, uma alta de 5,4% em relação ao fechamento de sexta-feira. Isso representa uma mudança relevante para uma ação que subiu 160% nos 12 meses anteriores.
É claro que há o risco de o Gemini e outros modelos de IA de ponta serem superados por rivais. As dificuldades das ações da Alphabet no ano passado mostram como o sentimento pode mudar rapidamente na era da IA.
As ações da Alphabet são negociadas a 28 vezes o lucro estimado, o que está longe de ser uma avaliação extrema como as da era pontocom. Mas o múltiplo está bem acima da média de menos de 21 vezes dos últimos dez anos e próximo do maior patamar da companhia desde 2008.
“Mesmo que não estejamos mais comprando a ação por uma pechincha, não é irracional pensar que ela pode manter ou até ampliar esse múltiplo”, disse O’Neill, da CooksonPeirce. “Não hesitaríamos em comprá-la para novas carteiras.”

Para reforçar esse ponto, ele citou uma frase de Warren Buffett, segundo a qual é “muito melhor comprar uma empresa maravilhosa a um preço justo do que uma empresa razoável a um preço maravilhoso”. Em um endosso implícito, a Berkshire Hathaway, de Buffett, comprou uma participação na Alphabet no ano passado, um raro investimento em tecnologia para o famoso investidor de valor.
“Mesmo que ela não esteja mais gritantemente barata, este é um preço justo”, disse O’Neill. “É inquestionavelmente uma empresa maravilhosa.”