O alto escalão do grupo de supermercados tem passado por uma dança das cadeiras desde as mudanças na base acionária, em que a família Colho Diniz ascendeu como maior acionista. O GPA estava sem um CEO desde outubro, quando Marcelo Pimentel renunciou ao cargo após embates no conselho e foi substituído interinamente pelo diretor financeiro (CFO) Rafael Sirotsky Russowsky.
A saída de Pimentel aconteceu semanas depois de o CEO ameaçar deixar o cargo durante a primeira reunião do novo conselho de administração. O encontro foi marcado por um embate com o então conselheiro Edison Ticle, ligado ao investidor Rafael Ferri, que acabou eleito vice-presidente do board. Cerca de dois meses depois, em 26 de dezembro, foi Ticle quem renunciou e deixou o conselho do GPA.
Segundo fontes próximas ao GPA, os Coelho Diniz preparam um novo plano para a empresa, estruturado em duas etapas: primeiro, corte de custos e redução de capex; em seguida, foco nas operações mais rentáveis, especialmente no Estado de São Paulo, principal praça do grupo. Esse deverá ser o mandato do novo CEO do grupo.
O novo CEO
Santoro ficou quase cinco anos à frente da IMC. Antes disso, comandou operações da Restaurant Brands International (RBI), dona global do Burger King e da Popeyes.
Como último ato à frente da operadora de marcas de alimentação fora de casa, Santoro liderou a venda da operação brasileira da rede frango frito KFC para a Kentucky Foods Chile, que opera mais de 550 lojas da KFC na América Latina. O negócio foi anunciado em 30 de dezembro — em março, a IMC já tinha vendido o controle para o grupo chileno.

A IMC vem tentando se reorganizar. Saiu das operações como a do Panamá, em 2022, e está renovando algumas de suas marcas, como a Frango Assado. Fechou as lojas deficitárias e diminuiu promoções nas operações do delivery. Ao fim do terceiro trimestre, a receita líquida do grupo cresceu 6%, para R$ 2,11 bilhões em nove meses, mas seu prejuízo mais do que triplicou para R$ 98,1 milhões.