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Na ‘guerra do streaming’, Netflix supera fase difícil ao explorar novas frentes de receita

Perdas com senha compartilhada ficam para trás e conteúdo ao vivo deve gerar receita para a maior plataforma de streaming do mundo.

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A Netflix (NFLX34) parece estar vencendo a “guerra do streaming” contra rivais de peso como Amazon e Disney. É o que indicam os números do quarto trimestre de 2023, divulgados na terça-feira (23), com a pioneira na transmissão de conteúdo audiovisual online mostrando que surtiu efeito o investimento em novas estratégias para recuperar assinantes perdidos após restringir o compartilhamento de senhas.

Logo da Netflix 24/03/2020 REUTERS/Dado Ruvic

Após a divulgação do balanço, os papéis da plataforma negociados em Nova York (NFLX) disparavam mais de 12% nesta quarta-feira (24), por volta de 14h40 (horário de Brasília).

O aumento de assinantes acima do esperado entre outubro e dezembro, em meio ao crescimento de planos com anúncios, mostra que a gigante norte-americana conseguiu de fato repreender o compartilhamento de senhas e gerar receita com propaganda. Assim, reverteu números negativos, depois de reportar em 2022 dois trimestres seguidos de perda de assinantes – chegando a ver uma “debandada” de 970 mil deles entre abril e junho..

Ao todo, a Netflix conquistou 13,1 milhões de clientes nos últimos três meses do ano passado. A alta de 12,8% representa a maior adição de assinantes desde que as pessoas “ficaram em casa”, no início da pandemia. O aumento também supera a previsão de 8,9 milhões. Já no acumulado de 2023, a Netflix ganhou cerca de 30 milhões de clientes – totalizando 260,3 milhões em todo o mundo. 

Com isso, a receita no quarto trimestre bateu a expectativa, alcançando US$ 8,83 bilhões, o que representa um crescimento de 12,5%, em base anual. No acumulado do ano, a receita total somou US$ 33,7 bilhões e US$ 5,4 bilhões de lucro líquido. Apenas no último trimestre de 2023, o lucro cresceu 17 vezes em relação a um ano antes, para US$ 938 milhões.

“Foram os maiores resultados anuais de faturamento e lucro da história da Netflix”.

William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, em comentário.

O desempenho da Netflix em 2023 contrasta com o de concorrentes, que vêm tendo dificuldades para tornar o serviço de streaming lucrativo. É o caso da Disney, que anunciou em meados do ano passado gastos de US$ 1,5 bilhão para remover conteúdo da plataforma Disney+, reduzindo o número de filmes e programas de TV.

Ao mesmo tempo, outras empresas de serviços de conteúdo online estão em processo de fusão ou cortes de emprego para se manterem competitivas. “A Netflix venceu a guerra de streaming. Os fortes resultados e o guidance comparados aos seus rivais é o que significa vencer”, disse Jeffrey Wlodarczak, analista do Pivotal Research Group, citado pela Reuters.

Batalha contra rivais

Até então, a Netflix vem se concentrando em gerar resultados com o aumento nos preços de assinaturas e de serviço de publicidade, ao mesmo tempo em que combate o compartilhamento de senhas e oferece conteúdo exclusivo. Para 2024, a empresa visa ampliar a oferta da programação, como jogos e programas ao vivo, além de ampliar o negócio com anúncios

Em comunicado, a empresa informou que espera um “crescimento saudável de dois dígitos da receita para todo o ano de 2024”. Apenas nos três primeiros meses deste ano, a Netflix espera alcançar um lucro de US$ 1,98 bilhão e uma receita de US$ 9,24 bilhões.

Pipoca derrubada ao lado de um celular com a logo da Netflix na tela, ilustrando o tema: história da netflix

Assim, a gigante do streaming não apenas se recuperou das dificuldades sofridas em 2022, quando parecia que havia atingido um limite de assinantes, como também conseguiu criar novas fontes de receita. Os planos da Netflix com anúncio, por exemplo, representaram 40% dos usuários da plataforma. 

Segundo a empresa, a adesão a esse tipo de plano cresceu 70% no quarto trimestre em relação ao período anterior. “A Netflix está aumentando o número de assinantes conforme vai colocando propaganda, mas é possível cobrar do anunciante mais dinheiro do que das pessoas”, observa o sócio da Arbor Capital, Matheus Popst.

Ele explica que o dilema que a Netflix enfrenta agora, que requer o aumento constante da base de clientes, não é um problema que a rival, de Jeff Bezos, possui. “A Amazon vai mandar anúncios para todos que estiverem assistindo ao Amazon Prime. Já as pessoas gostam tanto da Netflix que preferem não ver anúncios e pagar mais caro”, observa.

Ao mesmo tempo, especialistas chamam a atenção para a novidade recém-anunciada. Trata-se da parceria com a TKO Group para a transmissão de eventos online, como o “Raw” da World Wrestling Entertainment (WWE), programa de luta-livre no estilo do antigo telecatch, que combina encenação teatral e combate corporal. 

“A Netflix está explorando inovações para garantir que as pessoas continuem assinando a plataforma e que não vão cancelar”, destaca Popst, da Arbor Capital. Para ele, essas “novas histórias” de “anúncios” e “ao vivo” que a empresa vai contar têm potencial para melhorar a natureza da marca e entender melhor seu papel no mundo do entretenimento. 

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