A instituição afirmou que sua receita líquida de juros (NII, na sigla em inglês) avançou 55% no ano a ano, para US$ 2,8 bilhões, de acordo com os resultados divulgados na quarta-feira (25) depois do fechamento do mercado. A margem líquida de juros ajustada subiu 0,6 ponto percentual no mesmo período, chegando a 10,5%.
Parte da expansão foi relacionada à implementação de um novo modelo de crédito que utiliza ferramentas de IA (Inteligência Artificial) para avaliar melhor o risco de cada cliente, disse o Nubank.
Inicialmente implantada no Brasil, a estratégia aumenta a disposição da empresa em elevar os limites para certos grupos de tomadores de empréstimos.
“Tivemos nosso maior aumento de participação de mercado em cartões de crédito no Brasil nos últimos dez trimestres”, disse o diretor financeiro (CFO), Guilherme Lago, em uma entrevista à Bloomberg antes da publicação dos resultados.
Parte disso ainda não está refletida nos resultados porque os clientes ainda não estão utilizando plenamente as linhas de crédito aumentadas, afirmou.
O lucro líquido ajustado da empresa, com sede em São Paulo, foi de US$ 943 milhões, um aumento anual de aproximadamente 55%, superando a estimativa média de analistas consultados pela Bloomberg.
A qualidade do crédito na carteira de empréstimos melhorou, com a taxa de inadimplência de 90 dias em queda de 0,1 ponto percentual, para 6,6% até dezembro. Excluindo fatores sazonais que tendem a melhorar o crédito no quarto trimestre, o Nubank vê uma carteira amplamente estável, disse Lago.
O Brasil, onde o Nubank tem sua maior e mais lucrativa operação, está se preparando para um ciclo de redução de taxas de juros amplamente antecipado pelo mercado, diante das condições monetárias mais apertadas em quase duas décadas.
No México, o gasto fraco do consumidor, a queda nos investimentos e a valorização do peso em relação ao dólar americano significam que o banco central do México tem espaço para mais cortes nas taxas de juros. A inflação geral já está abaixo do teto de 4% da meta há vários meses.
O Nubank disse que manterá o mesmo apetite por crescimento neste ano.
“Com os dados que temos atualmente, não planejamos reduzir nosso ímpeto de crescimento”, disse Lago. A empresa geralmente opera sob um cenário de previsão relativamente “pessimista” ao fazer cenários para o crédito, acrescentou o CFO.
O Nubank encerrou o trimestre com 131 milhões de clientes, em comparação com os 131,5 milhões estimados pelo consenso de analistas. Tornou-se a maior instituição financeira do setor privado do Brasil em número de clientes em dezembro, de acordo com dados do banco central.
A fintech também está nos estágios iniciais de estabelecer um banco nos EUA, após receber a primeira aprovação condicional das autoridades locais.
Esse processo geralmente leva até dois anos, disse Lago. O Nubank não divulga números sobre seus planos para os EUA.
O preço das ações da empresa subiu 48% nos últimos 12 meses, mas caiu 1% neste ano, à medida que as inquietações relacionadas à IA pesaram sobre as ações globais. A empresa é atualmente a segunda instituição financeira de capital aberto mais valiosa da América Latina, atrás do Itaú Unibanco.