Na Vivara, que opera no segmento mais premium entre as três, a estratégia tem sido repassar parte da alta dos insumos, mas de forma seletiva. Entre março e abril, o preço médio subiu 2,8%, com aumentos concentrados nas peças mais caras.
Produtos acima de R$ 10 mil tiveram alta de 4,3% nos valores, enquanto itens mais baratos ficaram estáveis ou até recuaram levemente.
O movimento divergente aparece também por categoria: colares e pulseiras, por exemplo, tiveram reajustes mais acentuados, enquanto itens de menor valor mudaram pouco.
No jargão econômico, essa estratégia é chamada de gestão por elasticidade: a empresa aumenta os preços dos produtos voltados a clientes de maior renda, que tendem a comprar mesmo com reajustes. Ao mesmo tempo, evita mexer nos itens mais baratos, comprados por consumidores aspiracionais, mais sensíveis a preço.
A Life, marca mais acessível da Vivara, seguiu na direção oposta: em vez de repassar custos, reduziu preços em média 1,4% no mês. Nesse período, cerca de 25% dos produtos estavam em promoção, contra apenas 6% na Vivara.
Já na marca dinamarquesa Pandora, o levantamento não identificou mudanças relevantes de preços entre março e abril – mas a companhia já havia feito reajustes mais cedo este ano.
Life vs. Pandora
Segundo a análise do BTG, a Life e a Pandora ainda têm preços parecidos – o que significa, na prática, que disputam os mesmos clientes. Mas elas estão se movendo em direções opostas.
No segmento de joias de prata, as duas marcas partiram de preços médios quase idênticos em março: R$ 569 na Life e R$ 576 na Pandora. Em abril, a Life havia caído para R$ 555, e a Pandora, subido para R$ 619.
Isso porque, apesar de não ter alterado preços, a Pandora ampliou seu catálogo online em 12% no período — e a mudança no conjunto de produtos disponíveis acabou puxando o valor médio para cima.
Pulseiras de platina
Em fevereiro, a Pandora projetou uma desaceleração global de suas vendas neste ano e anunciou mudanças no portfólio — em uma tentativa de reduzir o impacto da valorização da prata, sua principal matéria-prima. Em 12 meses, a cotação do metal sobe 143%.
A principal aposta é o lançamento de uma linha de joias banhadas a platina, começando por uma seleção das pulseiras mais vendidas da marca. Por baixo, as peças são feitas de uma base metálica própria da companhia, já utilizada em produtos banhados a ouro.
O projeto começou como um teste no primeiro trimestre deste ano, em 30 lojas e no e-commerce do norte da Europa. A ideia é expandir a estratégia globalmente no segundo semestre.
A escalada da ouro e da prata
Os preços de metais preciosos vivem um rali há meses. Em um ano, o ouro acumula alta de 44%, impulsionado pela busca por proteção em tempos de maior incerteza geopolítica.
Há também uma demanda persistente por parte de bancos centrais: em 2025, as instituições compraram 863 toneladas do metal, segundo o World Gold Council — abaixo dos recordes de 2022 e 2023, mas ainda em um patamar historicamente elevado.
A prata, que mais do que dobrou de preço em um ano, também pega carona na busca por ativos de proteção. Mas há um fator adicional: falta de oferta. O Silver Institute projeta para 2026 o sexto ano seguido em que a demanda por prata superará a produção.