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Startup quer aumentar adesão de investidores em assembleias, hoje em 0,6%

Baixa participação de investidores nos encontros de empresas listadas pode ser impulsionada por votação em plataforma, prevê a Atlas.

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Em 2023, uma média de apenas 0,6% dos investidores participaram das assembleias gerais ordinárias (AGO) das 100 maiores companhias listadas na bolsa brasileira, a B3. O levantamento é da Atlas Governance, startup de software as a service (Saas) que pretende mudar este cenário e aumentar essa participação de acionistas para 40%.

A startup já levantou cerca de R$ 33 milhões em duas rodadas de captação (Seed e Série A), além de mais R$ 1,5 milhão em capital-anjo no início das operações em 2018. Entre os investidores, estão nomes como Paulo Camargo, ex-CEO do McDonald’s Brasil e atual do Espaçolaser; Leonardo Pereira, ex-presidente da CVM e Wilson Amaral, ex-CEO da Gafisa.

A companhia, fundada em 2016, tem dois produtos no mercado, sendo o mais recente um potencial impulsionador de votantes nas assembleias, segundo seu fundador, Eduardo Carone. O objetivo é simplificar o processo.

Fundador da startup Atlas Governance, Eduardo Carone.
Fundador da Atlas Governance, Eduardo Carone. Foto: @caricatte

Hoje, para que um acionista participe de uma votação, é preciso baixar um PDF na área de RI (relação com investidores) do site da empresa investida, imprimir, marcar os votos no papel, preencher com os dados, assinar, pedir ao banco escriturador o comprovante das ações detidas, fazer uma cópia de um documento de identificação e encaminhar todo o material escaneado para o e-mail do RI da companhia.

Do lado da empresa que recebe as informações, é preciso que uma pessoa lance estes dados de forma manual em uma planilha de Excel para que se compute o voto à distância.

Até 2019, as votações em assembleia eram presenciais, mas com a pandemia, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) permitiu que as reuniões fossem também feitas de forma digital. Todo acionista que fizer a inscrição dentro do prazo pode participar. De forma resumida, os assuntos tratados nas assembleias englobam desde eleição de conselheiros, aprovação das contas da empresa, como a remuneração de administradores. 

Solução

O Atlas AGM é um software que cadastra digitalmente todas as classes de votos de empresas com ações ordinárias, preferenciais, assim como fundos de investimento com cotas sênior, subordinadas ou de outras emissões de forma digital. Para desenvolver o software, a startup investiu R$ 15 milhões. 

O produto pode ser adquirido em lojas de aplicativos pelo celular do investidor. Mas é preciso que a companhia investida tenha contratado os serviços da plataforma para os acionistas acessarem os recursos, que vão de notificações das assembleias a vídeos de CEOs explicando estratégias e de CFOs, sobre os resultados. O custo para as empresas listadas é de R$ 30 mil por ano. Já para os investidores, é grátis “e mais fácil do que abrir uma conta em banco digital”, aponta Carone. 

Segundo o CEO da Atlas, a assembleia de acionistas da GetNinjas (NINJ3) foi a primeira em que o produto recém-lançado foi usado. O resultado? A adesão média foi de 11% dos acionistas, uma participação 20 vezes maior. 

Por isso, Carone acredita que o produto deve gerar inclusão no mercado de capitais. A companhia, que ainda não tem o cadastro de todas as pessoas físicas investidoras no país, aponta que estão no radar assembleias para fundos de investimento, debenturistas e investidores de Certificados de Recebíveis Imobiliários e do Agronegócio (CRI ou CRA). A expectativa é de que o aplicativo receba 20 milhões de cadastros.

“A companhia que quiser ser transparente e que seu acionista participe, vai mandar Whatsapp, SMS, push ou e-mail convidado para as assembleias”.

Eduardo Carone, fundador da atlas governance.

Capital concentrado em famílias

Diferentemente dos EUA, onde a maior parte das companhias listadas são corporations (nas quais o capital é diluído), no Brasil, muitas empresas são lideradas por famílias, sendo possível resolver deliberações sem envolver a base de acionistas, lembra o fundador da Atlas. 

O “x” da questão é que, para crescer, as empresas precisam se financiar no mercado, não sendo suficiente apenas o capital familiar de uma vida inteira, na visão de Carone.

“A empresa precisa dos minoritários para ver crescer seu empreendimento. É preciso ter capital para crescer. E empresas com boa governança e transparência promovem a inclusão do investidor minoritário, o que vai acarretar em maior captação de dinheiro e consequentemente,  valor de mercado”. 

No decorrer do tempo, essas empresas terão diferencial competitivo em detrimento das que deixarem para trás a geração de valor para os acionistas, na visão da Atlas, que pretende fazer em 2024 mais uma rodada interna de captação entre os investidores da casa a fim de reforçar o caixa em no mínimo R$ 5 milhões. Também está no radar uma maior captação em 2025, já que Carone espera um momento melhor que o atual. Ainda assim, a startup só deve se tornar lucrativa a partir do ano que vem.

“Seguimos crescendo a altas taxas, com margens boas, e em 2024 vamos bater o break even. A empresa até já pode ser considerada lucrativa, mas é melhor continuar investindo”. 

Eduardo Carone, fundador da atlas governance.

O primogênito da Atlas

Hoje, um terço das empresas listadas na bolsa brasileira usam a primeira plataforma criada pela Atlas, voltada à digitalização das atividades dos conselhos de administração e comitês de assessoramento. O faturamento da empresa (R$ 30 milhões) é 99,9% proveniente do seu portal de governança, que inclui informações estratégicas não públicas via inteligência artificial, o Atlas GOV.

Segundo Carone, essa frente de negócios tornou a startup líder na América Latina, com o segundo colocado representando 10% do tamanho. Seus maiores concorrentes são as americanas Dilligent (de fundos de private equity) e Boardvantage (da Nasdaq) – mas cuja operação no Brasil é voltada a grandes companhias listadas.  

Há 1 ano e meio, a Atlas expandiu para o México, Colômbia, Peru, Chile e Argentina, que juntos representam 15% do faturamento.

A startup surgiu para resolver uma dor do mercado e também pessoal, já que Carone, quando gestor de private equity, viu seus bens serem bloqueados judicialmente por conta de uma empresa na qual ele era um dos conselheiros. 

Ao acionar o seguro para cobertura de situações como esta, Carone descobriu que o mesmo não havia sido contratado pela empresa, apesar de o assunto ter sido discutido em reunião e colocado em ata. O desafio foi achar esse documento. Daí surgiu a ideia de digitalizar as decisões entre conselheiros. 

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