Uma loja da Gap em San Francisco começou a ajudar visitantes a obter o World ID, o produto de “prova de humanidade” da startup Tools for Humanity, instalando um de seus dispositivos característicos chamados Orb, do tamanho de uma bola de vôlei, que captura imagens do rosto e dos olhos das pessoas.
Um cartão de pagamento planejado com a Visa permitirá que usuários do World ID gastem ativos digitais, incluindo Worldcoin, a criptomoeda que as pessoas recebem em muitos mercados como incentivo para se registrar.
Além disso, o aplicativo de relacionamento Tinder está testando o sistema no Japão para verificar se os usuários são humanos — e se realmente têm a idade que dizem ter.
Altman, CEO da OpenAI, criadora do ChatGPT, cofundou a Tools for Humanity em 2019 com o objetivo de proteger transações online contra interferência de bots. Campanhas anteriores da empresa incluíram anúncios ao ar livre que zombavam dos testes captcha “não sou um robô” e uma campanha celebrando avanços da humanidade, como a invenção do avião. “Em um mundo de IA”, dizia a campanha, “seja humano”.
Agora, porém, a empresa pretende depender mais de parcerias com marcas tradicionais para fazer grande parte da divulgação do World ID, disse Trevor Traina, diretor de negócios da companhia.
“Acho que estamos bem no limiar de um momento em que não precisamos dizer nada — nossos parceiros vão fazer todo o discurso”, afirmou Traina.
Segundo a empresa, os dispositivos Orb convertem imagens do rosto e da íris de uma pessoa em uma sequência anonimizada de números armazenada no próprio aparelho do usuário, sem que a Tools for Humanity guarde os dados. A companhia espera gerar receita cobrando uma taxa cada vez que um aplicativo usar o World ID para confirmar que alguém é humano.
Mas, por enquanto, a prioridade é a adoção em larga escala.
Além de distribuir Worldcoin para novos usuários do World ID, a empresa também paga a criptomoeda a operadores independentes dos dispositivos Orb em alguns mercados fora dos EUA cada vez que um novo ID é emitido. Segundo a companhia, quase 18 milhões de pessoas já receberam um World ID, incluindo 1,1 milhão na América do Norte.
Críticas
O uso de biometria e criptomoedas, porém, gerou críticas e resistência regulatória, incluindo proibições em alguns países por preocupações com segurança de dados. O Worldcoin chegou à maior parte dos EUA no ano passado, mas ainda não está disponível no estado de Nova York porque a empresa não obteve licença para distribuir moeda digital dos reguladores locais, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.
A empresa afirma que mantém diálogo com autoridades regulatórias nos EUA e em outros países.
“É uma dança constante com reguladores que, diante de tantas inovações, precisam trabalhar muito para acompanhar novas tecnologias”, disse Traina.
A Tools for Humanity também tomou medidas para responder a algumas preocupações. Por exemplo, eliminou a possibilidade anterior de armazenar dados biométricos externamente e agora os mantém apenas no próprio dispositivo do usuário. Os dispositivos Orb também são projetados para apagar os dados imediatamente após o processamento, segundo a empresa.
Mesmo assim, especialistas alertam que, se o sistema se tornar amplamente adotado, os World IDs podem se tornar alvos atraentes para roubos. Rory Mir, diretor de acesso aberto e engajamento tecnológico da Electronic Frontier Foundation, disse que operadores fraudulentos poderiam roubar ou revender essas identidades.
“No pior cenário, operadores fraudulentos poderiam simplesmente tomar o ID ou revendê-lo”, afirmou Mir. “Você não pode mudar sua íris se alguém conseguir acesso a essa informação.”
A porta-voz da empresa disse que esse cenário é apenas especulativo.
A Tools for Humanity espera que acordos com marcas como o Tinder ajudem a explicar melhor o World ID a céticos que não veem necessidade de um sistema de verificação humana ou suspeitam que o projeto seja apenas uma iniciativa ligada a criptomoedas.
Para empresas de marketing, parcerias com a startup também são uma forma de ganhar visibilidade, atrair novos clientes e, no caso do Tinder, ajudar a reduzir preocupações de segurança dos usuários.
A Gap instalou o Orb para despertar o interesse de jovens funcionários de empresas de tecnologia e IA que frequentam o centro de San Francisco. A varejista não receberá receita nem tokens WLD, não terá acesso aos dados coletados pelo dispositivo e atualmente não utiliza o World ID em suas operações.
O Tinder começou a testar o sistema no Japão porque aplicativos de relacionamento no país são obrigados por lei a verificar a idade dos usuários, disse Yoel Roth, vice-presidente sênior de confiança e segurança da Match Group, empresa controladora do aplicativo.
“Um dos maiores desafios da internet hoje é a confiança — e, para nós, isso se resume a combater bots e contas falsas”, afirmou Roth.
Segundo ele, o Tinder se interessou pelo World ID também porque o sistema exige pouquíssimos dados do usuário durante a verificação. A empresa ainda não promoveu ativamente a integração, mas já registrou milhares de usuários japoneses aderindo ao ID e agora avalia expandir o teste para outros mercados.
O cartão de pagamentos com Visa foi adiado em relação ao lançamento previsto para o ano passado, mas a empresa disse que o projeto continua em desenvolvimento. A Visa e a Tools for Humanity não comentaram sobre o cronograma.
Tinder, Visa e Tools for Humanity também não divulgaram detalhes financeiros de seus contratos.
Traduzido do inglês por InvestNews