O bitcoin (BTC) segue ladeira abaixo na manhã desta sexta-feira (30), na faixa dos US$ 82 mil, refletindo um ambiente de forte aversão ao risco. Quem opera derivativos de cripto (contratos financeiros cujo valor depende do preço do ativo) sentiu o baque. De acordo com a plataforma Coinglass, cerca de US$ 1,80 bilhão em posições foram liquidadas nas últimas 24 horas.

A pancada não ficou restrita ao BTC. Com exceção de quatro tokens, que registram leve alta nesta manhã, todas as outras moedas digitais operam no vermelho. A indústria cripto inteira perdeu cerca de US$ 200 bilhões em valor de mercado nas últimas 24 horas – o equivalente a duas Petrobras, segundo dados do CoinMarketCap.

Entenda abaixo o que está por trás do tombo.

Venda forte no setor de tecnologia

O primeiro fator veio do setor de tecnologia. Como mostramos ontem, o balanço meia-boca da Microsoft – especialmente na divisão de computação em nuvem – gerou uma onda de vendas que atingiu a indústria tech como um todo. Como o mercado cripto costuma andar colado com esse segmento, acabou indo junto no pacote.

Escalada da tensão entre EUA e Irã

Outro ponto de pressão veio do noticiário geopolítico. A tensão voltou a subir depois que os Estados Unidos sinalizaram a possibilidade de um ataque ao Irã caso não haja avanço em um acordo nuclear. “O mercado fica receoso com esse tipo de cenário, o que derruba ativos de risco, como as criptomoedas”, afirmou Tasso Lago, fundador da Financial Move.

Risco de novo shutdown nos EUA

Há ainda mais ruído político em Washington. Democratas votaram contra o financiamento do Departamento de Segurança, reacendendo o risco de um novo shutdown (paralisação parcial do governo). Na última vez que isso aconteceu, no ano passado, os mercados sentiram o impacto.

Juros altos por mais tempo

A política monetária americana também pesa. Nesta semana, os Estados Unidos mantiveram os juros inalterados e o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, evitou sinalizar quando pode começar um novo ciclo de cortes. Juros altos reduzem o apetite por risco porque deixam os títulos do governo ficam mais atraentes.

Segundo a ferramenta CME FedWatch, que mede as expectativas do mercado em relação às taxas de juros, quase metade dos agentes acredita que os cortes no país só devem começar em junho.

Dólar em alta

Com o aumento da aversão ao risco, investidores também correram para o dólar, que voltou a subir em meio às tensões. A indicacão do novo presidente do Fed, Kevin Warsh, para suceder Powell, também deu uma ajudadinha. “A valorização da moeda americana costuma pressionar ativos alternativos, como
o bitcoin”, disse Rony Szuster, head de research do Mercado Bitcoin.

Saídas fortes dos ETFs

Para completar o combo negativo, os ETFs à vista de bitcoin nos Estados Unidos registraram cerca de US$ 817 milhões em saídas ontem, segundo dados da SoSoValue. É o maior volume desde novembro. Esses resgates aumentam a pressão vendedora, já que os gestores precisam desmontar posições, e reforçam a cautela do investidor institucional com o mercado cripto.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 10h00.

Bitcoin (BTC):  -6,05%, US$ 82.618,12

Ethereum (ETH): -6,70%, US$ 2.736,11

XRP (XRP): -5,96%, US$ 1,75

BNB (BNB): -5,59%, US$ 840,11

Solana (SOL): -5,51%, US$ 116,55

Outros destaques do mercado cripto

BC organiza a casa cripto. Enquanto o mercado cripto recua forte, o Banco Central resolveu arrumar a prateleira. O BC publicou uma nova instrução normativa que define, de forma mais prática, quais documentos, prazos e procedimentos corretoras, distribuidoras e plataformas cripto precisam cumprir para operar no Brasil. O texto não cria grandes surpresas, mas ajuda a dar mais clareza ao marco regulatório divulgado no fim do ano passado.

Lei cripto avança no Senado americano. A discussão sobre a regulamentação do mercado cripto avançou no Senado americano. O texto foi aprovado no Comitê de Agricultura por margem apertada (12 votos a 11), marcando a primeira vez que uma proposta do tipo supera uma etapa formal na Casa. O próximo obstáculo é o Comitê Bancário, onde estão os pontos mais sensíveis da lei – como o tratamento dos rendimentos de stablecoins, que seguem no centro da disputa entre plataformas cripto e bancos.

Rússia libera (um pouco) o jogo cripto. A Rússia deve concluir seu marco regulatório de criptomoedas ainda neste ano. O plano prevê que investidores de varejo possam negociar até 300 mil rublos (cerca de R$ 21 mil) em ativos digitais. Já investidores qualificados terão liberdade total de negociação. O país também deve liberar a mineração de criptos, desde que os operadores estejam legalizados. As criptomoedas de privacidade – aquelas que permitem anonimato, como o monero – ficarão proibidas.

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