O fluxo positivo, iniciado na semana passada, põe fim a uma sequência de cinco semanas consecutivas de saídas, em um ano marcado pela queda generalizada das criptomoedas. O mercado vinha sendo pressionado por incertezas geopolíticas e econômicas, além da falta de um catalisador próprio capaz de sustentar novas altas.
A captação robusta ocorreu apesar do acirramento do conflito no Oriente Médio. Ontem, o Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz, corredor marítimo que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e por onde transita cerca de 20% do petróleo global. A decisão levou o barril a superar os US$ 80 e elevou a aversão ao risco nos mercados.
Com o movimento dos fundos, o bitcoin até ensaiou uma alta e voltou a flertar com os US$ 69 mil na segunda. O fluxo positivo nos ETFs costuma ter impacto direto nos preços, já que, ao captar recursos, os gestores precisam comprar a criptomoeda no mercado à vista para lastrear as cotas.
Mesmo após a reação pontual, a principal criptomoeda do mercado voltou a ceder e é negociada na faixa dos US$ 67 mil na manhã desta terça-feira (3), com investidores ainda cautelosos diante dos desdobramentos no Oriente Médio.
“Apesar de uma recuperação momentânea na segunda-feira, o mercado ainda se mostra frágil, com o retorno da volatilidade”, escreveu Jasper de Maere, estrategista de mesa e trader OTC da Wintermute.
Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h30.
Bitcoin (BTC): +2,15%, US$ 67.549,01
Ethereum (ETH): +1,92%, US$ 1.974,39
XRP (XRP): +0,75%, US$ 1,35
BNB (BNB): +1,25%, US$ 628,90
Solana (SOL): +1,44%, US$ 84,99
Outros destaques do mercado cripto
Bitcoin cai, brasileiro compra. Semana passada foi daquelas: bitcoin e altcoins em modo montanha-russa. Volatilidade para ninguém botar defeito. Mas, enquanto muita gente suava frio, o investidor brasileiro fez o que manda a cartilha: comprou na baixa. Foram US$ 3,2 milhões aportados em fundos de ativos digitais no período. O movimento não foi isolado. Globalmente, esses veículos captaram cerca de US$ 1 bilhão na mesma semana.
Apenas um rapaz latino-americano…com cripto. “Sou apenas um rapaz latino-americano, sem dinheiro no banco”, cantava Belchior. Em 2026, talvez a frase precisasse de um complemento: “mas com cripto na carteira”. Relatório da exchange argentina Lemon mostra que o número de usuários de ativos digitais na América Latina cresceu três vezes mais do que nos EUA ano passado. E o Brasil, claro, lidera o movimento. Foram US$ 318,8 bilhões em valor recebido em criptos – quase um terço de todo o volume da região.
Cripto engorda o caixa da B3. Quem também anda sorrindo por causa de moedas digitais é a B3. No resultado do 4º trimestre, a bolsa revelou que faturou R$ 131 milhões em 2025 com seus produtos ligados a cripto – os contratos futuros de bitcoin, ethereum e solana. Só nos últimos três meses do ano passado, entraram R$ 24 milhões. Nada mal para um mercado que, até pouco tempo atrás, parecia concorrente. E só relembrando: a B3 divulgou no fim do ano passado que pretende lançar uma stablecoin em 2026.
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