O nome em inglês designa as empresas de utilidade pública, caso das que atuam em saneamento e energia elétrica, mais estáveis na comparação com outros nomes, inclusive bancos, que também são vistos como “porto seguro” em muitos casos por causa das suas operações maduras.
Direto ao ponto: existem duas formas de investir no setor, por meio da compra de ações que fazem parte dele ou via ETFs (fundos negociados em bolsa) como o UTILL11, da Investo.
Trata-se de um produto ainda novo, lançado em setembro do ano passado. Por essa razão, a liquidez (facilidade de negociação) dele é menor em comparação com outros ETFs, o que dificulta a vida do investidor que deseja negociar o produto com mais rapidez.
Ainda assim, é a forma mais direta, simples e transparente de acessar todas as ações de saneamento e energia importantes de uma vez só.
As ações de utilidade pública provam sua resiliência com o tempo. No acumulado deste ano de 2026, o UTIL, índice que mede o retorno de uma carteira formada apenas por empresas do setor, sobe quase o mesmo que o Ibovespa: 11%, contra 12% do principal indicador do mercado.
Em janelas mais extensas, o desempenho foi superior: em 12 meses, o UTIL sobe 59%, contra 41% do Ibovespa. Em dois anos, a diferença é maior: 75% para o índice setorial versus 43% do índice amplo.
As empresas de utilities têm receita regulada – a definição das tarifas aplicadas pelas companhias cabe a órgãos reguladores do setor, como a Aneel –, o que torna a geração de caixa e os resultados dessas empresas mais previsíveis e menos expostos às oscilações da economia.
É por esse motivo que os papéis desse setor são considerados quase como “escudos” dentro da bolsa: se o investidor tem menos surpresas nos resultados, isso se traduz em um comportamento menos volátil dos preços dos papéis, em linha geral.
Como todo investimento em renda variável, aqui estamos falando naturalmente de maior risco em relação à renda fixa, por exemplo. Mas, para quem já tem aplicações na bolsa, optar pelo setor é mais uma forma de diversificação, especialmente considerando um portfólio completo que inclui o “combo” de outros ativos (como ouro e dólar, vale lembrar).
Empresas em destaque
No UTIL, as empresas com maior peso são a Axia (antes conhecida como Eletrobras), Sabesp, Equatorial, Copel e Eneva. Dentro do UTILL11, as empresas com maior peso acompanham o índice: a Axia tem 25% de participação considerando as ações ordinárias (AXIA3) e as preferenciais (AXIA7 e AXIA6), a Sabesp tem 19,5% e, em seguida, vêm Equatorial (11%), Copel (9,3%) e Eneva (8,3%).
Só pelo tamanho, dá para notar que a ex-Eletrobras é a companhia com maior peso do setor. Os papéis da elétrica sobem 16% no acumulado deste ano. Em 12 meses, a alta é de 81%.
Não é por menos. Depois de passar por um longo processo de reestruturação pós-privatização ocorrida em meados de 2022, a empresa bateu o martelo para começar o ano de 2026 com perspectivas de investir mais em projetos para expansão e nos leilões do setor elétrico.
A meta é também reduzir passivos da estrutura antiga e obter ganho de eficiência, como no caso da venda de usinas térmicas que a empresa detinha e da saída da Eletronuclear. A julgar pela alta recente das ações, investidores têm comprado o discurso de geração de valor.
Mas não é todo mundo que pensa assim.
Analistas de ações do Citi avaliam a Axia como uma ação cara depois da disparada de preços. No setor, a preferência é pela Eneva e pela Equatorial, consideradas mais baratas e que podem se beneficiar do leilão de capacidade desta semana, ao garantir contratos de longo prazo e receitas adicionais. É uma visão compartilhada também pelo time do Itaú BBA em relatório recente.
A Copel também faz parte da carteira recomendada do Citi, com uma estimativa de dividend yield (rentabilidade com dividendos) de 6,1%. O peso dela na carteira foi, inclusive, elevado de 5% para 10%, levando o setor de utilities a ter uma participação de 25% no portfólio como um todo.