O mercado cripto pisou no acelerador após o Google publicar um relatório alertando que a computação quântica pode quebrar a criptografia antes do esperado. Nesta semana, desenvolvedores do bitcoin (BTC) apresentaram um plano para lidar com essa ameaça.

A Proposta de Melhoria do Bitcoin (BIP)-361, chamada de “Migração Pós-Quântica e Descontinuação das Assinaturas Legadas”, prevê migrar criptomoedas de endereços vulneráveis para formatos mais seguros.

Aqui vale uma explicação para entender toda a história.

A vulnerabilidade se concentra nos endereços mais antigos. No início da rede, os usuários expunham diretamente a chave pública para receber criptos. Com o tempo, isso mudou. Passou-se a usar um modelo em que a chave pública é “embaralhada” antes de aparecer na blockchain, o que aumenta a proteção.

Vale lembrar: o bitcoin usa duas chaves. A privada (como uma senha, que deve ser mantida em segredo) e a pública (como o número da conta).

O problema é que computadores quânticos, no futuro, poderiam derivar a chave privada a partir da chave pública, abrindo espaço para roubo de fundos desses endereços antigos. Estimativas indicam que cerca de 5,6 milhões de BTC, ou aproximadamente 27% do total da oferta, podem estar potencialmente expostos.

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O drama e o debate

Pela proposta, criptos que não forem migradas poderiam ser congeladas. E aqui entra um detalhe sensível: Satoshi Nakamoto, o “pai do bitcoin”, tem cerca de 1,1 milhão de BTC (US$ 81 bilhões) armazenados justamente em endereços antigos – que nunca foram movimentados.

Se a proposta avançar, esses fundos – e os de qualquer usuário que não fizer a migração – poderiam ficar inacessíveis para sempre.

O tema já divide a comunidade. De um lado, há quem defenda que é melhor “sacrificar” esses bitcoins do que deixá-los vulneráveis a ataques futuros. Do outro, críticos dizem que alterar regras fundamentais agora pode ferir um dos pilares da rede: a imutabilidade.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h50.

Bitcoin (BTC):  +0,46%, US$ 74.330,62

Ethereum (ETH): +0,01%, US$ 2.333,11

BNB (BNB): +0,14%, US$ 620,09

XRP (XRP): +3,32%, US$ 1,40

Solana (SOL): +1,76%, US$ 85,01

Outros destaques do mercado cripto

Butão com menos bitcoin. O Butão, um dos países com maior volume de bitcoin em tesouro, voltou a vender parte de suas criptomoedas. Segundo levantamento da Arkham, a nação do Sul da Ásia se desfez de 250 BTC, equivalente a cerca de US$ 18,4 milhões. O movimento faz parte de uma redução mais ampla: desde outubro de 2024, o país já vendeu cerca de 70% dos aproximadamente 13 mil bitcoins que possuía. Com isso, a reserva atual caiu para 3.954 BTC.

Previsão: muita grana. Os mercados de previsões, que permitem apostar em resultados de eventos, estão deixando de ser um nicho para virar uma nova classe de “mercados de informação”. Segundo a corretora Bernstein, o volume pode chegar a US$ 1 trilhão até 2030. A tese é que o avanço vem da combinação de maior clareza regulatória nos EUA com o uso de blockchain, o que amplia a liquidez global e facilita a criação de novos contratos.

Crime e cripto. Cripto pode impulsionar inovação – mas também facilitar retrocessos. Relatório da CPI do crime organizado, apresentado nesta semana no Senado, aponta que grupos criminosos têm usado criptoativos para lavagem de dinheiro. Um dos problemas, segundo o documento, é a falta de um rastreio único, o que abre espaço para fracionamento de valores e dificulta o monitoramento.