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Dívida Pública: como ela pode afetar os seus investimentos?

Recentemente, o Banco Central divulgou que a dívida pública bruta terminou o ano em 89,3% do PIB – o maior patamar da história.

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Você sabe o que é a dívida pública? Como e por que ela é feita? E você sabe como ela pode afetar os seus investimentos?

Recentemente, o Banco Central divulgou que a dívida pública bruta, que inclui, Governo Federal, INSS, Estados e municípios, terminou o ano em 89,3% do PIB – o maior patamar da história.

O país já tinha um alto endividamento, e com os gastos bilionários para enfrentar a pandemia essa dívida aumentou ainda mais. Agora, com o possível retorno do auxílio emergencial, ela pode ultrapassar 100% do PIB – o Produto Interno Bruto.

A dívida pública é a soma de todas as dívidas que um país tem. Mas o valor isolado não quer dizer muita coisa. Então geralmente é feita uma relação com o PIB. Assim é possível estimar o tamanho do endividamento de um país em relação à sua economia – e, portanto, a capacidade do governo honrar essa dívida.

E por que o governo faz dívida? Teoricamente para fazer investimentos, para melhorar a qualidade da população. Mas tem países, como o Brasil, que se endividam para pagar gastos correntes, como pagar salários. E isso se dá porque gasta-se mais do que se arrecadam com impostos.

E para financiar o que gasta mais do que arrecada, o governo precisa tomar dinheiro emprestado. Sendo assim, o governo emite títulos públicos, para captar dinheiro em troca de uma remuneração futura. E os investidores compram esses títulos no tesouro direto.

O Brasil gasta mais do que arrecada desde 2014 – isso sem contar o que o país gasta só para rolar o juros da dívida que tem. Esses gastos são com os salários de servidores, investimentos, a previdência… ou seja: os gastos correntes.

O Governo Federal arrecada entre 1,5 e 1,6 trilhão de reais por ano desde 2014, em valores corrigidos pela inflação. E, entre 2014 e 2019, gastou 650 bilhões de reais a mais do que arrecadou (o que equivale a mais de 100 bilhões de reais por ano). Isso fez a dívida pública em relação ao PIB sair de 51% em 2013 para 74% em 2019 – mesmo com a reforma da previdência, o teto de gastos e todas as medidas adotadas para frear o crescimento do endividamento.

Mas daí veio a pandemia. A arrecadação, claro, recuou 7% em 2020 e os gastos explodiram. Assim, o déficit foi de 743 bilhões de reais só no ano passado. Foram 540 bilhões de reais só para combater a pandemia (e seus efeitos econômicos). E a dívida pública em relação ao PIB disparou para 89% – o maior patamar da história.
Para resolver esse problema, só há duas saídas: cortar gastos ou aumentar a receita. Ou não fazer nada – mas aí a situação logo se torna insustentável. O problema é que nem o governo nem o congresso querem cortar gastos (pelo contrário, eles querem retomar o auxílio emergencial). E também não querem criar impostos. Só que, assim, a conta não fecha. E o endividamento do país piora ainda mais.

Agora o temor do mercado – que é quem empresta dinheiro para o governo – é que seja necessário cada vez mais dinheiro para emprestar ao país, o que fará os juros subirem cada vez mais, tornando a situação insustentável.

Com isso, apesar de ser longo o caminho até que a situação fuja do controle, essa piora da expectativa faz o mercado projetar uma piora dos indicadores: os investidores tomam menos risco, sabendo que a situação vai piorar; as empresas investem menos e as projeções para o crescimento da economia pioram.

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Reflexos nos investimentos

Com a piora da curva de juros, os investidores que têm títulos do tesouro pré-fixados ou atrelados à inflação veem seus papéis se desvalorizarem. O governo gastou tanto na pandemia que, em setembro, até o tesouro selic se desvalorizou. Isso aconteceu porque o governo precisou de mais dinheiro para se financiar do que o mercado queria comprar.

Outro reflexo no mercado é que preço das ações recuam em situações como essa. Isso porque o valor presente das empresas na Bolsa é uma antecipação dos fluxos de caixa futuros dela. Se a curva de juros “empina”, o custo de capital das empresas cresce – o que diminui o seu valor futuro ajustado ao presente.

Por outro lado, se o governo conseguir aprovar reformas, cortar gastos e controlar o endividamento, o cenário que se desenha passa a ser o completo oposto: a curva de juros futuros despenca, os títulos do tesouro pré-fixados e atrelados à inflação de quem já tem os papéis disparam, a bolsa se valoriza. E o governo passa a gastar muito menos para rolar o seu endividamento.

Mas esse não é o cenário atual. E o pessimismo ocorre porque o endividamento do Brasil, além de estar crescendo muito e rapidamente, já é bem mais alto do que o de outros países emergentes. O Chile, por exemplo, terminou 2020 com uma dívida em relação ao PIB de 32% do PIB. O México, de 55%. A China, de 52%. E tudo é uma questão de credibilidade. O Japão tem uma dívida de mais de 260% do seu PIB. Os Estados Unidos, de 102% do PIB. Reino Unido, França e Canadá também têm mais que de 100% do seu produto interno bruto em dívidas.

Mas esses são países que têm uma economia sólida e um histórico de bom pagador, e assim esses países gastam muito menos dinheiro para rolar esse endividamento. Já o Brasil (e os países da América Latina) têm um passado de calotes e moratórias. Nosso último calote foi no governo Sarney, na década de 80.

Segundo Paulo Roberto Feldmann, professor da Faculdade de Economia da USP e pesquisador na universidade da China, uma explicação para o Brasil ter uma dívida tão superior aos seus pares é, entre outras coisas, o sistema previdenciário. Segundo ele, “nenhum sistema da América Latina é melhor que o brasileiro. Porém, essa é uma área que tem deixado um rombo enorme nas contas do governo. Pode ser que em alguns anos isso se resolva. Mas fato é que, a previdência é hoje, uma das principais causas de o país vir apresentando rombos consecutivos. Uma boa reforma tributária já resolveria essa questão,” disse.

Um ponto positivo é que a maior parte da dívida brasileira é local, não externa. Se fosse o contrário, esse endividamento seria em dólar, e, com a desvalorização do real, ela seria 4,5 vezes maior. Mas independente disso, é importante projetar o que pode acontecer se a situação fiscal do governo continuar se deteriorando. O dólar vai provavelmente subir mais. Com isso, os produtos e insumos importados ficam mais caros, o que gera inflação. Foi por causa do dólar que IGP-M disparou mais de 20% em 2020.

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Se a inflação sobe, o Banco Central precisa subir a Selic para controlar a alta dos preços. E isso aumenta não só a dificuldade do governo de pegar dinheiro emprestado e se financiar. Aumenta também a dificuldade para pessoas e empresas emprestarem dinheiro. E a restrição no crédito desaquece a economia. Uma economia desaquecida prejudica a geração de emprego, que acaba afetando o comércio e o setor de serviços, criando um ciclo vicioso do qual é difícil sair.
E tudo isso afeta as empresas que são ligadas à economia doméstica e estão listadas na bolsa de valores (B3). O que vai fazer essas companhia de capital aberto se desvalorizarem ainda mais.

Mas no meio de tanta notícia negativa, um setor costuma se destacar: o de empresas exportadoras, já que elas se beneficiam de um dólar mais forte. Então vale ficar de olho nessas companhias. Outras opções são os investimentos internacionais, que são alheios ao problema do Brasil, e os ativos de proteção, como o próprio dólar e o ouro.

“2021 não será muito diferente de 2020, então ativos que historicamente trazem segurança são uma boa pedida ao investidor”.

Paulo roberto feldmann

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