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Efeito manada na Bolsa: como não cair no erro?

Este efeito geralmente afeta as decisões do investidor e prejudica os seus resultados.

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O nome dado ao conceito do efeito manada vem de um comportamento típico de animais irracionais. Estes vivem em bandos e se juntam para se proteger e fugir de predadores. No caso dos animais racionais, o predador acaba sendo os próprios – mesmo que involuntariamente.

Quando o conceito é levado ao universo dos investimentos, o comportamento de manada está associado a períodos de maior volatilidade no mercado de ações. É a lei da oferta e da procura: quando muitos decidem comprar ou vender uma determinada ação ao mesmo tempo, mas não há demanda para atendê-los, o preço muda drasticamente – até que volte a ter um equilíbrio entre compradores e vendedores.

O caso mais recente foi após a decisão do ministro do STF Edson Fachin de anular as condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Lava Jato. No dia oito de março, o Ibovespa fechou em queda de quase 4%, e o dólar subiu 1,7%, cotado a R$5,77. O dólar turismo ultrapassou os R$6. A decisão ampliou um movimento de queda que já ocorria no mercado, devido ao temor de a PEC emergencial ser desidratada no congresso com o aval do presidente Jair Bolsonaro.

Agora, analistas se dividem sobre ter havido um efeito manado na Bolsa devido à absolvição de Lula. Para o estrategista chefe da Levante Investimento, Rafael Bevilacqua, o mercado já estava se deteriorando com a interferência de Bolsonaro na Petrobras, na Eletrobras e no Banco do Brasil. E parte dos acionistas dessas estatais decidiram se desfazer dos papéis, o que afetou o preço das ações.

Outro caso recente foi a alta de quase 18% das ações da resseguradora IRB Brasil após a criação de um grupo de investidores brasileiros chamado “Short Squeeze IRB”, que tentava replicar o caso GameStop no Brasil. Mas, em ambos os casos, foram movimentos premeditados e orquestrados de investidores para fazer o preço das ações subirem. O efeito manada geralmente acontece quando há um comportamento irracional do mercado.

Já um outro caso aconteceu há um ano, no auge do pânico dos investidores em relação a quais seriam os efeitos do novo coronavírus na economia. Muitos saíram desesperados vendendo praticamente todas as ações que tinham e os mercados despencaram em todo o mundo. Só na bolsa brasileira foram seis “circuit breakers”, que é quando as negociações são suspensas devido à alta volatilidade dos papéis.

Foram mais paralisações do que na crise de 2008, outro momento de forte “efeito manada” nos mercados. Na época, foram cinco “circuit breakers” em pouco mais de três semanas.

Porém, o famoso “Joesley Day”, como ficou conhecido o dia 17 de maio de 2017, dificilmente vai sair da memória dos investidores brasileiros. No dia seguinte às revelações dos áudios de Joesley Batista com o então presidente Michel Temer e o então senador Aécio Neves, o mercado amanheceu sem saber se o governo cairia. Com o pânico instalado no mercado, o Ibovespa teve a maior queda em cerca de nove anos e o dólar, a maior alta em 14 anos.

Segundo o diretor financeiro da ComDinheiro, Filipe Ferreira, quando o risco no mercado aumenta, é comum a fuga de investidores de ativos de risco para  os mais seguros. E, quando vários investidores buscam enxugar a carteira de risco ao mesmo tempo, gera o efeito manada.

Esse efeito é potencializado por investidores e fundos que operam com um mecanismo chamado “stop loss” (que significa algo como “interromper o prejuízo”, em tradução livre). O mecanismo funciona assim: quando um investidor compra uma ação, pode ser colocado um limite de perda. Então, se o investidor colocar um limite de 5% de queda, por exemplo, a corretora de valores vende a ação automaticamente se ela cair até o patamar estipulado. É uma medida de proteção do patrimônio, mas, quando há um comportamento irracional do mercado, o “stop loss” acaba por ampliá-lo.

Isso porque a queda nas ações vai acionar uma série de “stop loss” como uma fileira de dominó, em que um vai acionando o outro e jogando o preço da ação ainda mais pra baixo.

Além disso, muitos fundos operam com um limite de perda e de volatilidade. E os gestores não podem desrespeitar o mandato do fundo, então são obrigados a executar as vendas, mesmo que com prejuízo e à contragosto. E é óbvio que uma queda muito grande da bolsa apavora os investidores comuns, então parte deles também acabam se desfazendo das suas ações com prejuízo. Vira um ciclo vicioso e irracional.

Esses são momentos em que se deve ter cuidado redobrado antes de tomar qualquer decisão quanto à carteira de investimentos. O analista da Easynvest, José Falcão, diz que, se você está bem alocado, diversificado e com uma exposição na bolsa que condiz com o seu perfil de investidor, essas circunstâncias não justificam sair vendendo desesperadamente as suas ações.

“Se você acredita no fundamento da empresa que investe, não é do dia pra noite que isso vai mudar.”

José falcão

Segundo o analista, o que precisa em casos como este é ter proteções na carteira. E isso é uma coisa que só a diversificação proporciona. Pode ser com dólar, com ouro, depende muito do perfil do investidor. Mas, caso quem investe identifica uma super exposição na bolsa, aí sim vale a pena ajustar a posição para níveis adequados ao objetivo. Além disso, vale sempre ter uma “reserva de oportunidade”, se o perfil do investidor é mais agressivo, para ir às compras quando está todo mundo desesperado.

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