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Claudia Kodja

Como a corrupção e o clientelismo afetam os seus negócios

Falta de confiança política prejudica a produtividade e crescimento.

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Não é de hoje que a perda de credibilidade política vem se ampliando pelo mundo e comprometendo o desenvolvimento econômico e a estabilidade do mercado.

A imagem das instituições políticas e dos governos vêm sofrendo constante deterioração, desde meados da década de 1960.

O motivo para queda de credibilidade na política

Este declínio tem menos a ver, com os resultados obtidos por uma gestão pública e com a forma como as instituições políticas e os governos funcionam ou se articulam.

Eleitores concordam que os governos devem garantir a segurança, crescimento econômico e reduzir a desigualdade de renda. Mas discordam sobre os métodos utilizados como alavancagem dos gastos, elevação de impostos, troca de apoio político, favorecimento de aliados e práticas corruptas, que identificam o exercício da política, como um balcão de negócios.

O ceticismo na política se amplia na medida em que líderes e articuladores políticos se perpetuam pela prática do clientelismo, que é a troca de bens e serviços por apoio político, e se sustentam através da mobilidade entre grupos de interesse, sem qualquer vinculação programática ou ideológica.

A medida da descrença na política

Em 20 dos 28 países pesquisados este ano pelo Edelman Trust Barometer, a confiança média nas instituições é inferior a 50% e 57% dos entrevistados afirmam que os líderes governamentais estão tentando enganar as pessoas propositalmente, realizando afirmações falsas, exageradas ou grosseiras.

A falta de confiança generalizada nas políticas públicas restringe os investimentos, inibe o consumo e representa um sério obstáculo ao aumento da produtividade. 

O preço oculto da corrupção

Um ato corrupto implica no abuso do poder confiado para ganho privado. Isso inclui suborno, clientelismo e peculato. 

Para o mercado, a corrupção representa uma espécie de imposto oculto e sigiloso, desestimula os investimentos, torna a concorrência desigual e impõe combinações ilícitas.

Conforme o relatório “Why Worry about Corruption”, publicado pelo Fundo Monetário Internacional, a cada dois pontos de melhora no índice de corrupção, a taxa de investimento pode aumentar em mais de 4 pontos percentuais e o crescimento econômico per capita em mais de 0,5 pontos percentuais.

Embora a corrupção não possa ser medida com exatidão, o indicador de percepção de corrupção criado em 1995, pela Transparência Internacional, deixa claro a estreita relação entre níveis maiores de corrupção e menores níveis de desenvolvimento econômico.

Cerca de 6 bilhões de pessoas vivem em países com graves problemas de corrupção – para uma população mundial de 8 bilhões. Portanto, 75% da população mundial vive em países envolvidos esquemas corruptos, onde a apropriação grosseira de fundos ou recursos públicos impossibilita o desenvolvimento sustentado. 

Os custos anuais estimados da corrupção internacional chegam a US$ 3,6 trilhões, segundo relatório do índice. Considerado o crescimento econômico em 2021, caso todos os corruptores do mundo formassem um país, seriam o quinto (5°) maior PIB do Mundo, atrás apenas da China, EUA, Japão e Alemanha.

Como a história recente deixou claro, temos falhado ao não perceber que as crises, o baixo crescimento econômico e a desigualdade social se perpetuam mais pela falta de confiança, do que pelas circunstâncias. 

Claudia Kodja, mentora da Liga dos Empreendedores da FGV, membro da Copenhagen Institute for Futures Studies e gestora executiva da Kodja Escola de Negócios.

As informações desta coluna são de inteira responsabilidade do autor e não do InvestNews e das instituições com as quais ele possui ligação. 

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