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Economia

Campos Neto: ‘É importante que venha melhora na arrecadação’

Presidente do Banco Central fez declaração durante debate sobre reformas em evento no Guarujá (SP) em semana marcada pela aprovação do arcabouço fiscal.

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Em uma semana marcada pela aprovação do arcabouço fiscal no Congresso Nacional, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou neste sábado (26) que é importante que o Brasil tenha melhora na arrecadação.

Durante participação no painel As oportunidades do Brasil na 2ª edição do Fórum Esfera, realizada no Guarujá (SP), o presidente da autoridade monetária disse que conforme as medidas arrecadatórias se concretizam, fazem com que o movimento de juros seja mais eficiente.

Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, em Brasília, Brasil 15/02/2023 REUTERS/Adriano Machado

“Não olhamos medidas específicas e entendemos que é importante que venha melhora na arrecadação. A arrecadação corrente está frustrando um pouco, é importante medidas sustentáveis, que a gente consiga perpetuar sua cobrança com eficiência”, afirmou  Campos Neto.

No último dia 22, a Câmara aprovou o novo arcabouço fiscal, conjunto de regras que substituirá o teto de gastos no controle das contas públicas. O parecer do relator com a inclusão de emendas do Senado recebeu 379 votos favoráveis e 64 contrários. A proposta vai para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Política fiscal

O presidente do Banco Central destacou ainda durante o evento que a autoridade monetária não faz política fiscal, mas que ela é importante, pois, com o tripé macroeconômico, é necessário que tudo esteja andando junto.

“A inflação futura não está na meta, ao mesmo tempo olhamos o que o mercado espera. É importante entender que, se tem uma convergência no fiscal, tem convergência no monetário e, muito provavelmente, vai conseguir cair juros de forma consistente e ele vai ficar mais baixo por mais tempo”.

ROBERTO CAMPOS NETO, PRESIDENTE DO BC.

O presidente do Banco  Central reconheceu “o esforço  enorme que o governo tem feito” para fazer a ancoragem fiscal, mas pontuou que o fiscal não depende só do governo, mas, também, de medidas como do Congresso e do  Judiciário.

“O governo mostrou que está na direção de tentar melhorar o fiscal. O crescimento de gastos por lei é relativamente alto. E aí tem que cortar o resto. O arcabouço é   bem-vindo, trouxe melhora em termos de expectativas”, disse Campos Neto.

Corte da Selic

Na decisão de agosto, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduziu a taxa Selic em 0,50 ponto percentual, levando a taxa básica de juros ao patamar de 13,25% ao ano. Foi o primeiro corte desde julho de 2020.

Campos Neto disse que o objetivo do Banco Central é fazer o “pouso suave” no combate à inflação, com menor custo possível para a sociedade.

“Quero trazer inflação para baixo com a menor queda possível do PIB, com o menor desemprego e com o mínimo de ruptura no canal de crédito possível”, disse.

De olho no fiscal dos Estados Unidos

Campos Neto avaliou durante o evento que, apesar de não estar muito evidenciado, os Estados Unidos estão passando pelo que não passa há muito tempo: as pessoas estão questionando o fiscal.

“Com isso, a curva longa de juros sobe um pouco, estamos olhando esse movimento da curva, está associado a um pouco ao fiscal”, alertou Campos Neto.

O presidente do Banco Central disse ainda que é preciso pensar que os Estados Unidos tenham uma desaceleração econômica grande por causa dos gastos, além da política monetária que leva tempo para impactar a economia. 

O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, decidiu em sua última reunião, em julho, elevar a sua taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 5,25% a 5,5%, nível mais alto desde a crise financeira e recessão de 2007 a 2009. O aumento foi o 11º das 12 últimas reuniões.

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