O presidente Donald Trump receberá o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva nesta quinta-feira (7), em meio a tensões relacionadas à guerra no Irã e seus impactos na economia global.

A visita de trabalho entre os dois líderes incluirá discussões sobre questões econômicas e de segurança de interesse comum, segundo um funcionário da Casa Branca.

Os dois já tiveram uma relação difícil no passado, com divergências sobre comércio, política externa e o destino do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro — aliado de Trump que foi condenado por planejar um golpe após perder a eleição de 2022 para Lula.

Trump impôs tarifas elevadas ao Brasil, além de sanções contra um ministro do Supremo Tribunal Federal, no ano passado, em uma tentativa frustrada de interromper o julgamento de Bolsonaro — medidas que acabaram impulsionando a popularidade de Lula no país.

Os líderes chegaram a uma trégua após um encontro improvisado na Assembleia Geral da ONU em setembro. Posteriormente, voltaram a se reunir na Malásia, e Trump suspendeu tarifas sobre diversas exportações brasileiras importantes.

O Brasil foi um dos principais beneficiados quando a Suprema Corte dos EUA derrubou, em fevereiro, a ampla política de tarifas globais por país implementada por Trump, com a taxa média de tarifas caindo significativamente, mesmo após a adoção de novas medidas substitutas.

O encontro ocorre em um momento crucial para Lula. O presidente brasileiro aparece empatado nas pesquisas com o senador Flávio Bolsonaro, filho mais velho de Jair Bolsonaro, antes da eleição de outubro, na qual pretende buscar um novo mandato. O aumento de popularidade obtido no confronto com Trump diminuiu nos últimos meses.

Crime organizado

O combate ao crime organizado deve estar na pauta, com o governo Lula buscando fortalecer a cooperação com os EUA no enfrentamento de grandes facções criminosas, segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, em entrevista de rádio.

Os países lançaram no mês passado uma iniciativa conjunta para combater o tráfico de drogas e armas, e o Brasil também tem buscado apoio dos EUA contra lavagem de dinheiro e outras práticas ilícitas, em um momento em que o crime representa um desafio político para Lula às vésperas da eleição.

O comércio segue como ponto de tensão, já que algumas tarifas específicas dos EUA continuam em vigor — incluindo sobre o aço — enquanto o governo Trump avalia novas medidas para reforçar sua política tarifária. O Brasil é um importante fornecedor de aço para os Estados Unidos.

Durigan afirmou que Lula pretende discutir o sistema de pagamentos Pix, o desmatamento e outros temas que fazem parte de uma investigação em andamento nos EUA sobre práticas comerciais brasileiras.

Os esforços de Washington para firmar uma parceria estratégica com o Brasil em minerais críticos também enfrentam obstáculos, já que o governo Lula ainda trabalha na elaboração de um plano nacional de mineração. O Brasil possui as maiores reservas de terras raras fora da China, além de depósitos relevantes de outros minerais essenciais para a tecnologia moderna.

O Irã também é um ponto de atrito entre os dois países. Lula criticou a guerra conduzida pelos EUA e por Israel contra o Irã. Como outras economias, o Brasil enfrenta dificuldades para lidar com os impactos do conflito, que tem afetado o fluxo de energia e gás pelo Estreito de Ormuz, elevando os preços globais.

Lula tem buscado conter o aumento dos custos de combustíveis, que pode pressionar a inflação e gerar insatisfação entre agricultores, consumidores e empresas às vésperas da eleição.