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Economia

Mais pobres migraram para classe média com retomada de empregos, diz estudo

No ano passado, classe C viu renda crescer 7,7%, segundo estudo da consultoria Tendências.

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A crise e aumento do desemprego causados pela pandemia haviam impactado a renda e empurraram mais pessoas para as classes D e E em 2021. No entanto, segundo estudo da consultoria de dados econômicos Tendências, em 2022, famílias mais pobres migraram para a classe média com a recuperação econômica intensiva de mão de obra, com destaque para serviços às famílias e setor público – como educação e serviços administrativos.

No ano passado, a classe C viu sua massa de renda total crescer 7,7%, enquanto que para 2023 a projeção é de crescimento de 2,2%. Em números absolutos, a variação foi de R$ 81,3 bilhões no ano passado, e para este ano são esperados R$ 25,6 bilhões.

Diferentemente de 2021, esse crescimento da ocupação foi impulsionado pelo aumento do emprego formal. No entanto, o estudo conclui que, no longo prazo, a migração das famílias mais pobres para classe média deve ser lenta, acompanhando um fenômeno típico de países com alta desigualdade de renda.

Segundo projeta a consultoria, o maior entrave ao crescimento da renda dos estratos sociais mais pobres é a educação não revertida em produtividade. O entendimento do estudo é de que o ingresso no mercado de trabalho “é o principal meio de redução da pobreza, mas não é condição suficiente para superá-la”.

“O mercado de trabalho brasileiro é fortemente caracterizado por baixas remunerações, elevadas desigualdades entre grupos de população ocupada, altas taxas de informalidade e marcante heterogeneidade entre os setores produtivos”.

trecho de relatório da tendências consultoria

Segundo o estudo, nas economias em desenvolvimento, famílias pertencentes à classe média são aquelas anteriormente pobres e vulneráveis. “O seu retorno à condição de pobreza, portanto, é suscetível a eventualidades como doença, desemprego, aposentadoria de algum membro da família ou recessão da economia”, aponta levantamento.

Impactos da renda no Orçamento

Quando há queda ou aumento na renda dos mais pobres, o impacto negativo – ou positivo – no consumo acaba por ser direto, o que altera automaticamente a restrição orçamentária. “Por isso que o novo salário mínimo e a reformulação do Bolsa Família ampliou a massa de renda dos mais pobres em 2023″, diz o relatório.

Até por isso que, segundo o estudo, a noção de patrimônio para as classes menos favorecidas é relativamente abstrata. Isso porque o capital restringe-se a salários adiantados, carnê de poupança ou alguns bens duráveis – o que se diferente dos mais ricos – que mesmo com uma queda nos rendimentos, há disponibilidade de Orçamento para consumo em qualquer contexto.

Quem são as novas famílias da classe C

Analisando as famílias que migraram para a classe C, o que representa 30,3% dos domicílios no Brasil em 2023 e renda mensal domiciliar entre R$ 3,2 mil e R$ 7,6 mil, itens essenciais de consumo são os que mais pesam nas despesas totais (86,9%), sendo os gastos com habitação os de maior peso (32,5%), seguido por alimentação (17,1%), transporte (14,2%), assistência à saúde (6,5%), vestuário (4,1%), higiene (3,8%), educação (3,1%), entre outros

No entanto, o item habitação é a principal despesa de consumo entre todas as classes – de A a E.

Segundo projeção da Tendências, famílias de classe A vão representar até o final de 2023 apenas 2,9% da população brasileira, enquanto os mais pobres (classes D/E) continuarão a ser maioria: 52,5%. Estes últimos têm renda mensal domiciliar de até R$ 3,2 mil, enquanto os mais abastados têm renda superior a R$ 23,8 mil.

Veja abaixo a estratificação de domicílios em 2023:

ClassePercentual da populaçãoRenda mensal domiciliar
A2,9%< R$ 23,8 mil
B14,2%de R$ 7,6 mil a R$ 23,8 mil
C30,3%de R$ 3,2 mil a R$ 7,6 mil
D/E52,5%R$ 3,2 mil

Evolução das classes impacta categorias de consumo

Quanto menor a renda, maior parte dela é destinada a bens essenciais, segundo o estudo. As classes C, D e E comprometem 54,5% do orçamento com alimentação, enquanto a classe A, 16,5%.

No primeiro trimestre de 2023, as vendas de supermercados cresceram 2,6% na variação anual, mesmo crescimento do trimestre anterior. E a expectativa é de que no decorrer do ano, as vendas do segmento devem continuar a crescer, com a melhora da renda nas classes mais baixas, diante dos programas sociais e do reajuste real do salário-mínimo, além do arrefecimento da inflação sobre os preços de alimentação em domicílio.

Já analisando o consumo de móveis e eletrodomésticos, o crescimento foi de 2,3% no primeiro trimestre do ano, ante 0,8% no quarto trimestre de 2022. A classe C é a maior consumidora.

Ainda de acordo com o estudo, o que beneficiou o resultado foi o arrefecimento dos preços. Mas como em abril deste ano as vendas já mostraram redução de 0,5% na margem dessazonalizada, é aguardado que estas devam continuar menos dinâmicas até o final do ano, “levando em conta a desaceleração das vagas de trabalho e piora nas condições de crédito, condicionantes importantes ao consumo desse segmento”.

Sendo assim, é esperado que o consumo das famílias mais pobres deve ser limitado nos próximos anos em especial por pressões inflacionárias de itens essenciais.

“Nesse sentido, as vendas de bens duráveis e semiduráveis (mais dependentes de classes mais altas) devem apresentar melhor desempenho no médio prazo”, aponta trecho do levantamento.

O copo “meio cheio” para os menos abastados é a inclusão financeira que deve avançar e beneficiar o consumo, segundo a consultoria.

“Milhões de brasileiros desbancarizados poderão ampliar as opções de modalidade de compra, em linha com a maior inclusão bancária da população nos próximos anos, de acordo com inovações do sistema financeiro, como o PIX e open banking, além de maior competição bancária. Tal dinâmica diminui o risco de crédito com a inadimplência, melhora os juros aos tomadores e amplia a oferta de crédito”.

TRECHO DO ESTUDO DA TENDÊncias

Investimentos

Ainda de acordo com o estudo, os recursos em caderneta de poupança vêm diminuindo – seja pela maior rentabilidade em outros tipos de investimento, como devido à menor utilização pelas famílias de baixa renda que, durante a pandemia, recebiam o auxílio emergencial via caderneta. Ainda assim, são as famílias de renda mais alta que possuem maior margem no orçamento para fazer investimentos.

Ativos como Certificado de Depósito Bancário (CDB), Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio (LCI e LCA), ganharam relevância dada a taxa de juros (Selic) estar elevada, além do maior conhecimento das pessoas sobre investimentos.

A expectativa da consultoria é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) comece o ciclo de corte da Selic na próxima reunião de agosto, alcançando o patamar de 12,5% ao final de 2023 e 10,5% ao término de 2024. E a renda dos domicílios que dependem do retorno através de dividendos e rendimentos de investimentos distintos deve ser beneficiada.

71% da renda da classe A é proveniente de ganhos de capital, como rendimentos de aplicações financeiras e alugueis.

Já as classes B e C dependem basicamente da remuneração do trabalho, sendo o peso dos salários próximo a 90%, e as classes D e E da Previdência Social, representando 36,4% da origem da renda.

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