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Economia

‘Não pode quem recebe dividendo reclamar de pagar 20%’, diz Guedes

Ministro da economia comentou proposta da reforma tributária de alíquota de 20% para dividendo.

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por

Estadão Conteúdo
Paulo Guedes
Guedes prevê queda do dólar à frente. REUTERS/Adriano Machado/File Photo

O ministro da Economia, Paulo Guedes, enfatizou nesta quinta-feira (1º) que a reforma proposta pelo governo não traz aumento de impostos. “Quem não pagava impostos diretamente, ou seja, a classe mais alta que vive de dividendos, vai pagar agora. Aí vai dizer que já paga por meio da empresa. Não se preocupe, vamos reduzir a tributação da empresa. Não queremos que você pague através da empresa, mas, sim, pela pessoa física”, afirmou, em evento virtual organizado pelo empresário Abílio Diniz.

Ele voltou a defender a proposta apresentada pela equipe econômica na semana passada para tributar a distribuição do lucro e dividendos com uma alíquota de 20%. “Não estamos nem fazendo a tabela progressiva, é só 20%. Tem trabalhador que paga 27,5%. Então pelo amor de Deus, não pode quem recebe dividendo reclamar de pagar 20%”, reforçou.

Segundo o ministro, a média mundial de imposto sobre dividendos é 30%, enquanto o governo pretende cobrar 20%. “No mundo inteiro tem imposto sobre dividendos, ponto. Nenhum de nós vai passar fome ou passar dificuldades se pagar imposto sobre dividendos”, completou.

Pela proposta do governo, a alíquota do IRPJ cairia cinco pontos porcentuais de 25% para 20% em dois anos, metade em 2022 e 2023.

Mais uma vez, porém, Guedes disse que essa redução pode chegar a dez pontos porcentuais se o governo conseguir reduzir subsídios a grupos pequenos de empresas. Essa redução maior seria de 5 p.p. no primeiro ano e 5 p.p no seguinte. “Se mexermos em subsídios de três ou quatro empresas, não são nem setores, são empresas com lobby forte que foram desoneradas. O cara de repente tem um subsídio que chega a R$ 10 bilhões, R$ 12 bilhões”, repetiu.

Segundo o ministro, com a retirada de subsídios, as empresas poderiam pagar 24% (de IRPJ+CSLL) em vez de 35%. “Queremos que a perda financeira seja baixa dentro da empresa para ela investir. Já o que vier para o desfrute da pessoa mais rica, a alíquota será um pouco maior”, argumentou. “Eu ainda estou insatisfeito, tinha que ser o contrário, saiu da empresa 24% (em dividendos), e dentro da empresa 20%”, concluiu.

‘Um pouco mais de cidadania’

Guedes defendeu a proposta de reforma tributária do imposto de renda. “Eu falo com amigos do mercado financeiro e peço ajuda para tributar da forma certa. Ou vai ser cirurgia de córnea com picareta, vai arrancar o olho para tentar tirar um cisco”, afirmou. “Não vamos fazer nada precipitado, que mutile, que espante o brasileiro do Brasil”, completou.

Ao defender a tributação de dividendos em 20%, Guedes pediu que os grandes empresários tenham “um pouco mais de cidadania”. “Queremos que ele pague um impostinho mais razoável, em vez de ter engrenagens já preparadas para não pagar. Queríamos fazer um barulho inicial, e agora vamos calibrar junto com os tributaristas”, afirmou.

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