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Economia

Por que Caixa e Banco do Brasil deixaram a Febraban e qual a visão do mercado?

Bancos reclamam que a organização está se posicionando de forma política.

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caixa econômica federal
Brasília: Prédio da Caixa Econômica Federal. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

No fim de semana, repercutiu a notícia de que Banco do Brasil (BBAS3) e Caixa Econômica Federal resolveram deixar a Febraban (Federação Brasileira dos Bancos), entidade que representa os grandes bancos no Brasil. O ministro Paulo Guedes e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, já teriam sido avisados da intenção, segundo o “Estadão”.

O motivo da saída se deve a um manifesto que a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) deveria publicar na terça-feira (31), com um pedido de harmonia entre os três Poderes, da qual a Febraban é signatária. A entidade decidiu adiar a publicação após a polêmica.

Os dois bancos teriam comunicado a Febraban sobre sua saída no sábado (28).

Por que Caixa e BB pediram para sair da Febraban?

Segundo o “Estadão”, o entendimento dos bancos públicos, é que a instituição é privada e estaria se posicionando de forma política, o que ambos os bancos, controlados pelo governo, discordam.

Caixa e BB teriam encaminhado nota à Febraban, comunicando a saída da entidade caso o manifesto seja publicado. Segundo relatos, ambos se posicionaram contra a adesão à iniciativa, que foi votada na instituição e teve concordância da maioria.

O que diz o manifesto da Fiesp?

O manifesto não cita o presidente da República, Jair Bolsonaro, mas traz críticas implícitas à gestão de Paulo Guedes e foi encarado pelos bancos públicos como uma claro ataque à política econômica.

No governo, quem liderou o movimento de ruptura dos bancos públicos com a Febraban foi o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, que mantém grande proximidade com Bolsonaro.

Segundo o “Estadão”, a relação dos bancos públicos com os privados já estava ruim na Febraban, ao ponto de uma associação nacional dos bancos públicos estar sendo cogitada.

O manifesto da Fiesp, intitulado “A praça é dos três Poderes”, foi assinado por diversas entidades da sociedade civil. Juntas, destacam no documento, que veem com “grande preocupação” a “escalada de tensões e hostilidades entre as autoridades públicas”.

O que diz a Febraban?

Em comunicado à imprensa, a Febraban informou que o manifesto é fruto de elaboração conjunta de representantes de vários setores, inclusive o financeiro, ao longo da semana passada.

“Desde sua origem, a Febraban não participou da elaboração de texto que contivesse ataques ao governo ou oposição à atual política econômica. O conteúdo do manifesto pedia serenidade, harmonia e colaboração entre os Poderes da República e alertava para os efeitos do clima institucional nas expectativas dos agentes econômicos e no ritmo da atividade”, escreveu por nota.

Ainda no comunicado, a entidade disse que submeteu o texto a sua própria governança, que aprovou ter sua assinatura no material. “Nenhum outro texto foi proposto e a aprovação foi específica para o documento submetido pela Fiesp. Sua publicação não é decisão da federação dos bancos. A Febraban não comenta sobre posições atribuídas a seus associados”.

Por que autoridades serão ouvidas?

Paulo Guedes e os presidentes do BB e da Caixa serão convidados a comparecerem à Câmara. O presidente da Comissão afirma que, se o ministro da Economia faltar, ele será convocado. Desta forma, Guedes seria obrigado a ir à Câmara prestar os esclarecimentos. Pedro Guimarães e Fausto Ribeiro não podem ser convocados, apenas convidados.

Como o mercado vê o risco de interferência política nos bancos?

Em relatório nesta manhã, a Levante Investimentos publicou que, não obstante a falta de confirmação sobre possível desembarque dos bancos estatais da Febraban, os ruídos devem trazer consequências negativas para o setor bancário nesta segunda-feira (30).

“No diagnóstico do mercado, a ruptura entre a entidade e dois dos maiores agentes bancários poderia desestruturar a tradicional articulação do setor. Enquanto parte dos investidores entendem que o manifesto é, de fato, fator de pressão política, outros enxergam a saída do BB e da Caixa como fruto de ingerência e temem isolamento após a decisão”, avalia a casa de análise.

A Levante acrescentou que a Febraban geralmente adota postura discreta com relação às diferentes gestões do Executivo Federal, mas não evita posicionamentos quando entende que o setor está sendo prejudicado. “Neste caso, a assinatura demonstra que o custo de permanecer fora do manifesto foi entendido como maior pela entidade”, diz o relatório.

O banco Safra revisou sua recomendação para a ação do BB após o balanço do segundo trimestre e citou em seu relatório que “o ruído político é a maior fonte de volatilidade” para as ações do banco nos próximos meses. O Safra reduziu o preço-alvo de BBAS3 de R$ 50 para R$ 48,00, mas manteve a recomendação de compra.

Na manhã desta segunda-feira (30), as ações do Banco do Brasil (BBAS3) recuavam cerca de 0,40% no Ibovespa, cotadas ao redor de R$ 30.

*Com Estadão Conteúdo e agências

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