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Finanças

‘Efeito manada’ ampliou queda de FIIs por reforma tributária, diz especialista

Mas Rodrigo Franchini comenta que a reação do mercado é natural diante de uma notícia que pode deixar FIIs menos atrativos.

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Rodrigo Franchini, sócio da Monte Bravo Investimentos
Rodrigo Franchini, sócio da Monte Bravo Investimentos (Foto: Divulgação)

O segmento de fundos imobiliários (FIIs) foi um dos mais afetados pelos temores de investidores em relação à reforma tributária apresentada pelo governo, já que a proposta passa a tributar rendimentos dessa classe de investimentos que, hoje, são isentos. Apesar de ser uma notícia considerada negativa para o mercado, Rodrigo Franchini, sócio da Monte Bravo Investimentos, aponta que um possível “efeito de manada” pode ajudar a intensificar as perdas neste momento de reação. 

No dia em que a reforma tributária foi apresentada pelo governo, na sexta-feira (25), o mercado reagiu com alta de 0,7% do dólar e queda de 1,74% do Ibovespa, principal indicador da bolsa de valores. Mas a queda do Ifix, (Índice de Fundos de Investimentos Imobiliários), que reúne os FIIs mais negociados da B3, foi maior, de 2,02%. No pregão seguinte, na segunda-feira (28), o dólar terminou o dia em queda e o Ibovespa, em leve alta, mas o Ifix seguiu no vermelho, caindo mais 0,7%.

Pela regra atual, os rendimentos distribuídos a pessoa física nos fundos imobiliários negociados na bolsa são isentos de imposto. Além disso, a tributação dos demais cotistas é de 20% na distribuição de rendimentos, na amortização e na alienação de cotas. Caso a reforma seja aprovada como está, a isenção deixa de existir a partir de 2022. Já a tributação dos demais cotistas de 20% cai para 15%.

Franchini aponta que a reação do mercado é natural diante de uma “notícia negativa”, já que os FIIs podem ficar menos atrativos. “O mercado entendeu que vai ter um fato gerador de imposto sobre um ativo que não tinha”, resume. No entanto, ele acrescenta que, “quando você tem muita pessoa física operando no mercado, o que acontece? Você tem o ‘efeito manada‘”. 

Veja abaixo os comentários de Franchini sobre o tema nesta entrevista ao InvestNews.

IN$ – A reação do mercado financeiro foi negativa logo após a divulgação da reforma tributária. Mas, enquanto o Ibovespa voltou ao campo positivo no início da semana, o Ifix seguiu em queda. O que explica essa continuidade? 

Franchini: Quando a gente olha a tendência de mercado, ela é, obviamente, de ligar o sinal de alerta. Até porque você tem uma tributação em cima de um dividendo de uma classe, prioritariamente focada em dividendo. Quando a gente olha ações, por exemplo, tem o foco no ganho de capital, no uspside da ação, não vai ficar focado só no dividendo. Quando você olha fundo imobiliário, é diferente. Você olha primeiro no dividendo que esse fundo vai te atrair, esse dividendo vai ser inclusive um fator gerador de demanda pelo ativo, e isso vai fazer com que a cota suba. Então, quando você solta no mercado esse texto legislativo informando que, inclusive, vai ser tributado qualquer dividendo dentro dos fundos imobiliários independentemente de valor mínimo… Poderia ser, por exemplo, como numa analogia feita ao cenário acionário, em que na ação você tem a isenção de R$ 20 mil nas operações no mês. Nem isso foi feito dentro do mercado imobiliário. Ou seja, você vai ter um FII que vai ser tributado cheio. 

IN$ – Quais características do mercado de FIIs ajudam a explicar essa reação?

Franchini: É óbvio que o mercado de FII no Brasil é muito mais focado em pessoa física. E, na hora que você solta uma notícia dessa, gera instabilidade, incerteza. Dito e feito. É o que estamos vendo agora. Então, tem uma sequência de problemas, porque há um fato gerador com uma notícia negativa. E quando tem muita pessoa física operando no mercado, o que acontece? Tem efeitos manada. Você se ancora por uma tendência e fica naquela ancoragem. E aí, naturalmente, vai gerar preços em queda de maneira vertiginosa. 

IN$ – A reforma tributária é ruim para os investimentos?

Franchini: A reforma em si tende a ser, no longo prazo, de fato um ajuste de várias tributações no Brasil que estavam fora de um padrão racional. Concordo com isso. Mas o fato é que, da maneira como ela foi apresentada, existe um temor de que pode gerar uma tributação nos FIIs, em algumas operações de ações em que não existia tributação, ou uma tributação acima, por exemplo. Então, tem que esclarecer bem esses pontos. O problema que você tem dentro do governo hoje é a comunicação. Você tem que preparar o mercado para soltar uma notícia dessa. Veio para o mercado sem preparação nenhuma, aberto e direto, obviamente o mercado interpreta da maneira que ele acha melhor. Então não dá para dizer que o mercado não gostou. O mercado, em boa parte, não entendeu. 

IN$ – Os FIIs ficam menos atrativos se a reforma tributária passar?

Franchini: O mercado entendeu que vai ter um fato gerador de imposto sobre um ativo que não tinha, e isso vai gerar uma falta de atratividade nesse ativo, que antes era muito bem visto e agora perde boa parte da atratividade pela tributação. E agora, como é que fica a remuneração dessa classe? Vai continuar com essa atratividade ou não? Esse é o grande ponto. E aí, naturalmente, você vai ter efeito de venda. Não tem como fugir disso. 

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Este conteúdo é de cunho jornalístico e informativo e não deve ser considerado como oferta, recomendação ou orientação de compra ou venda de ativos.

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