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Finanças

Ibovespa fecha estável aos 102 mil pontos; dólar recua mais de 3% na semana

No mês de julho, a bolsa de valores acumula ganhos de 7,71%

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InvestNews
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Apesar de um cenário conturbado com a tensão entre EUA e China, o Ibovespa, principal índice da B3, fechou nesta sexta-feira (24) estável aos 102.381 pontos e teve leve variação de 0,09%. Após três semanas de ganhos consecutivos o índice brasileiro cedeu apenas 0,49% no acumulado semanal e continua no maior patamar deste o mês de março quando chegou aos 104 mil pontos.

Faltando apenas uma semana para concluir o mês de julho, o Ibovespa avança 7,71%, um pouco abaixo dos desempenhos de junho e maio (8,76% e 8,57%, respectivamente). No ano, cede 11,47%.

Ainda nesta sexta-feira, mesmo com o clima de cautela entre EUA-China com o governo chinês determinando também o fechamento de um consulado americano no país retaliando o rival, o Ibovespa teve melhor desempenho que os índices americanos, superando até mesmo o termômetro da renda variável, o S&P 500 que recuou 0,62%. Os índices Nasdaq e Dow Jones caíram 0,94% e 0,68%, respectivamente.

Segundo Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset a briga entre China e EUA é geopolítica, contudo ele avalia que a atitude de Trump é incorreta na comunicação ao gerar ruídos na política que podem até atrapalhar sua reeleição.

No cenário interno, avançam os debates sobre a reforma tributária. A proposta do ministro Paulo Guedes já foi encaminhada ao Congresso e apesar de conturbada deve dar abertura ao diálogo entre Executivo e Legislativo. O próprio presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia afirmou que o assunto deve ser votado em agosto.

Enquanto a bolsa de valores permanece estável, o dólar caiu 3,26% na semana em meio a forte volatilidade. Nesta sexta-feira, o dólar comercial fechou em queda de 0,123% aos R$5,207. Na máxima do dia, a moeda americana chegou a R$ 5,245.

O enfraquecimento do dólar no mercado internacional tem sido puxado principalmente pelo fortalecimento do euro. Indicadores da atividade na Europa estão vindo melhores que o esperado, como hoje os da indústria e serviços, enquanto nos EUA os números têm vindo mistos, além dos casos de coronavírus não pararem de crescer.

Destaques da Bolsa

O destaque positivo do dia foi do IRB Brasil (IRBR3) que fechou em alta de 6,24%. A companhia conseguiu reverter a decisão judicial que bloqueava R$ 1 bilhão, na 2ª Vara de Conflitos de Arbitragem do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Ainda entre as maiores altas subiram a Gerdau (GGBR4) e a Suzano (SUZB3) que avançaram 4,58% e 3,83%, respectivamente.

A maior queda do dia foi da Cogna (COGN3) que recuou 5,37%. A companhia também teve o pior desempenho da semana caindo 10,91%, apesar do IPO da sua subsidiária Vasta ter sido lançado oficialmente nos EUA com expectativa de movimentar até US$ 373,8 milhões.

Recuaram também Localiza (RENT3) e Tim (TIMP3) com baixa de 2,57% e 2,44%, respectivamente.

No radar do investidor também estava a Eneva (ENEV3) que fechou em queda de 1,84%. A companhia fez uma proposta para incorporar a AES Tietê (TIET11) por R$7,5 bilhões, para isso precisaria da ajuda do BNDESPar.

Contudo, tudo indica que a tentativa vai dar errado e o BNDES pode rejeitar a proposta. Os papéis da AES Tietê também recuaram 9,12%.

Bolsas americanas

As bolsas de Nova York fecharam o pregão desta sexta-feira, 24, em baixa e registraram perdas na semana, em meio à incerteza sobre a recuperação econômica dos Estados Unidos, ao aumento na tensão entre Washington e Pequim e a uma pressão sobre ações do setor de tecnologia.

O Dow Jones recuou 0,68%, a 26.469,89 pontos, o S&P 500 cedeu 0,62%, a 3.215,63 pontos, e o Nasdaq caiu 0,94%, a 10.363,18 pontos. Na comparação semanal, os índices acionários registraram quedas de 0,76%, 0,28% e 1,33%, respectivamente.

“A cautela está no ar”, afirmaram analistas da corretora americana LPL Financial, ao comentarem a decisão da China de fechar o consulado dos EUA na cidade de Chengdu. A retaliação vem após o governo americano ordenar o encerramento das atividades diplomáticas no consulado chinês em Houston, no Texas.

A tensão entre os dois países vem crescendo nos últimos meses, e ontem o presidente americano, Donald Trump, minimizou a importância do acordo comercial assinado no dia 15 de janeiro. O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, por sua vez, criticou o líder da China, Xi Jinping, e disse que ele acredita em uma “ideologia totalitária falida”.

No S&P 500, o subíndice de tecnologia liderou as perdas (-1,19%), com ações do setor pressionadas. Os papéis da Intel, cujo guidance para o terceiro trimestre não agradou ao mercado, caíram 16,24%. Apple recuou 0,25%, Facebook cedeu 0,81%, mas Amazon conseguiu subir 0,75%. Hoje, a Câmara dos Representantes anunciou que adiará uma audiência que seria realizada na segunda-feira, 27, sobre uma investigação antitrute contra as gigantes tecnológicas.

Entre outras empresas que divulgaram balanço, Verizon subiu 1,79% e American Express caiu 1,39%. A Boeing, que adiará a produção de todas as aeronaves 777X, segundo a Reuters, cedeu 1,52%.

“É difícil para nós prever um rali significativo das ações antes do final de semana, dado o aumento do risco principal associado à pandemia e à progressão em direção a outro pacote de estímulo fiscal”, escreveu no começo do pregão o analista Ian Lyngen, do BMO Capital Markets, em referência a outras fatores que impediram avanços nas bolsas de Nova York nesta semana.

Divulgado hoje, o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) composto dos EUA subiu de 47,9 em junho para 50,0 em julho, mas ficou abaixo da expectativa do mercado. As vendas de moradias novas, porém, subiram 13,8% em junho, na comparação com maio.

Para o economista-chefe do MUFG Union Bank, Chris Hupkey, o dado de moradias foi positivo, mas o impulso não deve durar. “A economia sofre um impacto com a segunda onda da pandemia de coronavírus nos Estados do sul e do oeste e os gastos com estímulos fiscais de Washington parecem menos prováveis no momento”, afirma.

As autoridades americanas negociam um novo pacote fiscal, mas há divergências e a apresentação do projeto foi adiada para a semana que vem. Enquanto isso, os EUA atingiram hoje a marca de 4 milhões de infectados pela covid-19.

Juros Futuros

Os juros futuros terminaram em queda nesta sexta-feira diante do IPCA-15 de julho abaixo do piso das estimativas. O índice teve impacto em vários vértices, com destaque para os do miolo que foram os que mais caíram, enquanto o vencimento para janeiro de 2021 foi para baixo dos 2% pela primeira vez. Houve ainda efeito importante no quadro das expectativas para a Selic no Copom de agosto. As apostas de corte de 0,25 ponto porcentual, ontem levemente minoritárias (45% de probabilidade), hoje saltaram para 70% na precificação dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI). Embora não seja consenso, alguns players afirmam que declarações do diretor de Política Monetária do Banco Central, Bruno Serra, em evento, contribuíram para essa mudança no cenário e para o alívio nas taxas.

Serra ressaltou a importância de se entender tamanho do hiato do produto para as próximas decisões sobre a Selic e que a discrepância entre a recuperação dos diversos setores da economia será importante para a projeção da inflação no horizonte para 2021. “Não estamos muito preocupados com inflação para 3 a 6 meses”, afirmou.

As taxas até os vértices intermediários renovaram mínimas históricas, amparadas em forte volume de contratos. A do de DI para janeiro de 2021, que melhor capta as apostas para a política monetária nas reuniões do Copom em 2020, fechou a 1,950%, de 2,029% ontem no ajuste. A do DI para janeiro de 2022 também renovou piso histórico, a 2,82%, de 2,972% ontem no ajuste. O DI para janeiro de 2023 encerrou com taxa na mínima histórica de 3,85%, de 4,073% ontem no ajuste. Nos longos, a do DI para janeiro de 2027 caiu de 6,433% para 6,33%.

*Com Estadão Conteúdo

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