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Finanças

Ibovespa na semana: aéreas disparam e Cosan lidera perdas

Índice está perto de zerar as perdas do ano; investidor estrangeiro permanece em países emergentes com apetite de risco maior

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Katherine Rivas
bolsa

Um novo mês começou mas o Ibovespa não interrompeu sua tendência de alta. O índice da B3 teve a sua quinta semana consecutiva de ganhos e avançou 2,9%. Nesta sexta-feira (4), o Ibovespa fechou aos 113.750 pontos, com valorização de 1,30%.

Segundo Murilo Breder, analista da Easynvest, o clima de otimismo prevalece desde que o Ibovespa saiu dos 93 mil pontos com a expectativa dos investidores pelas vacinas. O anúncio da eficácia nos testes da Pfizer há 5 semanas deu origem a uma série de eventos positivos.

Ele destaca que o cenário político americano também ajudou, com uma eleição nos Estados Unidos menos dramática do que esperado e a transição para o governo Biden que finalmente aconteceu, após muita resistência de Donald Trump “As indicações de Biden tais como Janet Yellen, ex-presidente do Federal Reserve, para a secretária do Tesouro animaram os mercados”, afirma.

Segundo o analista, tudo indica que em 2021 os Estados Unidos serão mais alinhados com a globalização, estímulos fiscais e manutenção de juros baixos a curto prazo.

Ainda nesta semana, o Reino Unido aprovou o uso emergencial da vacina da Pfizer feita em parceria com a BioNtech, que deve começar de forma massiva na semana próxima. Embora, ainda estejam pendentes os desafios logísticos entre estes a armazenagem da vacina a 75 graus Celsius negativos.

Apesar do susto que a Pfizer deu ao anunciar que teria que cortar pela metade os suprimentos de vacinas neste ano, a Moderna conseguiu aliviar a tensão ao afirmar que espera disponibilizar 150 milhões de doses da sua vacina no primeiro trimestre de 2021.

No Brasil a manutenção do investidor estrangeiro, que entrou com força em novembro, graças ao maior apetite de risco também impulsiona o Ibovespa. Breder destaca também no cenário doméstico, o PIB do terceiro trimestre que veio abaixo do esperado, com crescimento de 7,7%. O analista afirma que após a retração de 9,7% da economia no segundo trimestre, o mercado esperava uma recuperação de 8,7%. “É aquela história do copo meio cheio, o PIB desapontou mas pelo menos a economia brasileira está se recuperando da pandemia”, diz.

Ele destaca que com um PIB maior no terceiro trimestre, provavelmente os ganhos no Ibovespa seriam maiores. No mês de dezembro, o índice acumula valorização de 4,38%, contudo a alta é ainda insuficiente para zerar as perdas do ano de 1,64%.

Maiores altas

Entre os destaques positivos da semana fica nítido o movimento de rotação dos setores. As companhias aéreas que foram as que mais sofreram durante a pandemia lideram os ganhos. Gol (GOLL4) é a maior alta, avançando 17.81%.

As aéreas se recuperam com a vacinação em massa cada vez mais próxima, é o caso do Reino Unido mas também dos Estados Unidos, que planejam distribuir 6,4 milhões de vacinas da Pfizer. Para obter essa aprovação o comitê da Food and Drug Administration (FDA) se reunirá no dia 10 de dezembro para decidir se libera ou não o uso emergencial da vacina. “Isso cria um movimento de euforia nos mercados e para completar a reviravolta das aéreas muitas corretoras e casas de análise começaram a recomendar os ativos o que gera uma bola de neve positiva para os papéis”, afirma Breder.

Ainda entre as maiores altas da semana, a Yduqs (YDUQ3) vive um panorama de recuperação semelhante, com ganhos de 14,59%. Segundo o analista, a companhia está retomando mais rápido do que a concorrente Cogna (COGN3) pelo perfil dos seus cursos, na maioria premium e focados no público de alta renda. “O curso de Medicina é menos susceptível as oscilações da economia garantindo a resiliência da empresa”, exemplifica. Já no caso da Cogna, a maioria dos cursos são voltados a um público de renda baixa ou média, que ainda sentem os impactos da crise no bolso.

Veja as cinco maiores altas da semana:

AçãoAlta
Gol (GOLL4)17.81%
Yduqs (YDUQ3)14.59%
CVC Brasil (CVCB3)14.43%
Azul (AZUL4)13.85%
Embraer (EMBR3)13.58%

Maiores quedas

A maior queda da semana foi da Cosan (CSAN3) que recuou 7.18%. A companhia desvalorizou quando a Petrobras comunicou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que a proposta da Compass Gás e Energia pela participação de 51% que a petrolífera detém na Gaspetro não foi aprovada.

O motivo é que a Compass, subsidiária da Cosan, não atendeu às exigências do Termo de Compromisso de Cessação (TCC) firmado entre a empresa e o Conselho Administrativo de Defesa da Concorrência (Cade) em 2019.

Recuaram também Weg (WEG3) e Totvs (TOTS3) acompanhando a rotação de setores. Ambas as companhias tiveram forte lucro nos últimos meses e agora estão ficando para atrás.

No caso da Weg, Breder aponta que o motivo é natural, por se tratar da maior alta do ano, a companhia valorizou 108,05% em 2020. Embora teve duas novidades positivas para a empresa nesta semana: a primeira foi a aquisição da fábrica de Transformadores e Serviços de Energia das Américas (TSEA), localizada em Betim (MG). E a segunda é que a Weg voltou a integrar o Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3 (ISE).

Já no caso da Totvs (TOTS3) que caiu 5,64%, Breder destaca que foi uma combinação de fatores, desde a perda da Linx na disputa com a Stone e a mudança de preferência dos investidores, que abandonam o setor de tecnologia durante a retomada.

Veja as cinco maiores quedas da semana:

AçãoQueda
COSAN (CSAN3)-7.18%
WEG (WEGE3)-6.75%
TOTVS (TOTS3)-5.64%
BRASKEM (BRKM5)-5.46%
Via Varejo (VVAR3)-5.30%

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