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Finanças

B3 lança seu primeiro índice com foco no pilar social

Índice chega ao mercado em janeiro, reunindo 30 empresas com as melhores práticas no trabalho.

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A B3 e a consultoria global Great Place to Work anunciaram nesta terça-feira (19) a criação de um novo índice focado nas empresas que possuem as melhores práticas do mercado de trabalho.

Este é o primeiro índice social da GPTW e o primeiro a focar neste pilar na família de oito índices ESG (ambiental, social e governança) na bolsa brasileira.

O índice será formado por cerca de 30 empresas de capital aberto. A carteira oficial será divulgada apenas em janeiro de 2022.

Com a novidade, a família de índices ESG da B3 passa a ter oito alinhados com as temáticas de governança, sustentabilidade e o pilar social.

Até o momento, existem índices representativos apenas para os pilares de sustentabilidade e governança.

Na temática sustentabilidade, por exemplo, a família ESG está composta por três índices: o ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial); o Índice S&P/B3 Brasil ESG e o ICO2 (Índice Carbono Eficiente), focado em mudanças do clima.

No pilar de governança corporativa é possível encontrar mais quatro índices, entre estes: o Índice de Ações com Governança Corporativa Diferenciada (IGC), que é o principal da categoria.

Além do Índice de Ações com Tag Along Diferenciado (ITAG); o Índice de Governança Corporativa Trade (IGCT) e o Índice de Governança Corporativa – Novo Mercado (IGC-NM).

Com o índice GPTW, o pilar social ganha seu primeiro expoente. A B3 deve lançar até 2024 um segundo índice nesta categoria, focado em Diversidade e Inclusão.

Segundo Luís Kondic, diretor executivo de Produtos Listados e Dados da B3, empresas que se preocupam com o bem-estar dos funcionários e priorizam o social nas suas organizações apresentam um desempenho melhor no longo prazo.

Durante coletiva, a B3 apresentou um cálculo retroativo do desempenho do índice GPTW, caso este existisse no passado. Considerando um período de 3 anos, o índice superou o retorno do Ibovespa.

No período de 6 meses, por exemplo, o índice GPTW teve um desempenho de 2,74%, enquanto o Ibovespa recuou 1,71%.

Já nos últimos 12 meses, o índice social apresentou alta de 19,49%, comparado com o Ibovespa que valorizou 16,17%.

O risco do índice GPTW também se mostrou inferior ao ser comparado com o Ibovespa em todos os períodos. Em 6 meses, o risco do índice social foi de 18,64%, enquanto o do Ibovespa representou 19,19%.

“O índice GPTW B3 conseguiu superar o Ibovespa em todos os períodos analisados, apresentando um retorno maior e um risco menor”, aponta o diretor executivo da B3.

Metodologia do índice

O Índice das melhores empresas para trabalhar segue na sua metodologia três critérios: liquidez, empresas certificadas pela GPTW e ponderação.

Empresas certificadas da GPTW

A Great Place to Work pesquisa anualmente um universo de empresas brasileiras para identificar as que reúnem boas práticas no ambiente de trabalho.

Segundo Ruy Shiozawa, CEO da GPTW Brasil, em 2021 cerca de 6 mil empresas se inscreveram no processo seletivo da consultoria. Destas, aproximadamente 4 mil empresas reuniam alguns critérios que lhes permitiu integrar o ranking da GPTW.

A partir deste universo, apenas 2 mil apresentaram os critérios mínimos para receber uma certificação da consultoria. Foram 2 mil empresas certificadas e 150 companhias premiadas por ter as melhores práticas do mercado de trabalho, considerando capital aberto, fechado e diversos portes e segmentos.

Ruy Shiozawa explica que no final apenas 50 eram de capital aberto e somente 33 elegíveis para integrar a primeira carteira do índice social da B3.

Para estar no universo das 2 mil empresas certificadas pela GPTW, os funcionários das companhias respondem a um questionário de forma confidencial e voluntária.

Este representa 67% da avaliação final da empresa. Nele, os colaboradores explicam se o ambiente de trabalho é de confiança, se acreditam nos líderes e se há respeito e imparcialidade nas relações de trabalho.

E o 33% restante corresponde a um conselho, criado pela GPTW, que tem a missão de avaliar as práticas das empresas em gestão de pessoas, sustentabilidade, diversidade, com o intuito de escolher companhias que sejam um verdadeiro benckmarch para o mercado.

Todas as respostas da pesquisa passam por um processo de auditoria para identificar que as informações são verídicas e confiáveis. O ranking é renovado anualmente, mas pode ocorrer a remoção de empresas infratoras a qualquer momento.

Critério de Liquidez

Do universo de 2 mil empresas certificadas pela GPTW, serão escolhidas para integrar o índice apenas aquelas que apresentem os seguintes critérios de liquidez da B3:

  • Ser companhias de capital aberto, com as suas ações negociadas na bolsa brasileira.
  • Ter suas ações negociadas em 95% dos pregões nos últimos 12 meses.
  • Estar entre os 99% do Índice de Negociabilidade (IN) da bolsa.
  • Não ser consideradas penny stock (com ações negociadas por menos de R$ 1).

Critério de ponderação

Depois de cumprir com os critérios de liquidez e de certificação pela GPTW, as companhias escolhidas para integrar o índice recebem pesos diferentes.

A metodologia estabelece que empresas membros da lista das 150 empresas premiadas pela GPTW, com as melhores práticas do mercado de trabalho, têm seu peso dobrado no índice.

Segundo Luís Kondic, da B3, considerando as 33 companhias que devem integrar a primeira carteira em janeiro de 2022, 11 serão do universo das 150 melhores empresas para trabalhar. E 22, empresas certificadas pela GPTW.

A carteira terá vigência anual, mas será rebalanceada quadrimestralmente, em janeiro, maio e setembro.

Transparência

Segundo Ruy Shiozawa, para garantir a veracidade das respostas dos funcionários em relação as boas práticas das empresas, a GPTW conta com diversos mecanismos de auditoria.

Um deles é um canal de denúncia que fica a disposição dos funcionários durante todo o ano. Para se comunicar com a GPTW as denúncias são anônimas e feitas diretamente pelos colaboradores, sem intermediários.

“Já tivemos casos de companhias que ligam comentando que o chefe colocou todo mundo em uma sala e pediu para responder positivamente a pesquisa”, exemplifica Shiozawa. Por meio deste canal, a GPTW apura eventuais práticas de greenwashing.

Ele reforça que a consultoria conta com outros mecanismos digitais que confirmam a veracidade e consistência dos dados recebidos nas respostas do questionário.

Além disso, Shiozawa aponta que a GPTW conta com um banco de dados de 120 mil práticas para avaliar as respostas dos colaboradores. “Reforçamos a seriedade e atenção com que olhamos estas práticas. Todo ano a GPTW desclassifica empresas que fogem da regra”, defende ele.

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