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Finanças

Por que o mercado não se animou com o lucro da Raízen?

Ação da empresa encerrou o pregão da terça-feira (15) estável, negociada a R$ 6,42.

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Raízen

Fundada a partir de uma joint venture (associação de duas empresas) entre Shell e Cosan, a Raízen (RAIZ4), empresa que produz etanol, açúcar, combustíveis e bioenergia, divulgou na noite de segunda-feira (14) os resultados referentes ao terceiro trimestre da Safra 2021/2022, encerrada em 31 de dezembro do ano passado. No entanto, o mercado não se animou com o resultado.

A companhia reportou lucro líquido de R$ 1,42 bilhão, montante 248% maior ante o mesmo intervalo do ano passado. A receita operacional líquida atingiu R$ 55,389 bilhões no período, alta de 49,6% em comparação ao mesmo período de 2020.

Porém, o que chamou mais atenção do mercado foi o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado, que alcançou um recorde de R$ 3,360 bilhões, crescimento de 5,6%.

O montante superou em 9% o estimado pelo Bank of America (BofA), em 11% as previsões do Credit Suisse e em 12% o calculado pelo BTG Pactual. Entretanto, as ações da companhia, que passaram boa parte do dia em queda, encerraram o pregão no zero a zero, negociadas a R$ 6,42. Mas o que não empolgou o mercado?

Fatores de maior impacto

Embora a queda de 37,1% do Ebitda da divisão de açúcar tenha sido um destaque negativo apontado por analistas em relatórios, o indicador não foi o fator de maior impacto.

“O petróleo, que é uma variável super importante para o preço do etanol (produzido pela empresa), acabou caindo em virtude da diminuição das tensões entre Ucrânia e Russia, o que refletiu na performance da Raízen no pregão”, avaliou Rodrigo Crespi, analista da Guide Investimentos. Isso porque um conflito poderia impactar no fornecimento das commodities pelos países e elevar os preços.

Na mesma linha, Felipe Vella, analista de renda variável da Ativa Investimentos, reiterou que a própria empresa afirmou esperar uma correção nos preços do etanol que estão em patamares elevados ainda por conta do câmbio e do petróleo.

“Com o arrefecimento dos conflitos entre Rússia e Ucrânia e o dólar em queda (a moeda terminou a terça-feira com a menor cotação em cinco meses), a gente pode ter o preço do etanol no curto e médio prazo caindo, e isso poderia ter algum impacto na receita da empresa”, explicou.

Confira abaixo os pontos mencionados pelas principais casas de investimentos que fazem a cobertura da Raízen:

Credit Suisse

Em relatório, os analistas Regis Cardoso e Marcelo Gumiero destacaram como positiva a margem Ebitda do segmento de serviços e marketing (área de distribuição de combustível) da Raízen no Brasil que somou R$ 153 por metro cúbico no terceiro trimestre, o que superou a quantia de R$ 127 por metro cúbico aguardada pelo Credit.

“Em nossa visão, as fortes margens são explicadas, em parte, por ganhos não recorrentes de estoque e pela dinâmica de oferta favorável impulsionada por preços convergindo para a paridade de importação, enquanto o principal fornecedor (Petrobras) ainda estava mais barato durante o trimestre”, explicaram.

O Ebitda de renováveis ​​de R$ 1,4 bilhão (41% acima das previsões do Credit) também surpreendeu positivamente os analistas, impulsionado principalmente por preços realizados acima do esperado e ganhos com a estratégia de comercialização. Por outro lado, o Ebitda da divisão de açúcar de R$ 700 milhões (queda de 37% no comparativo anual) ficou 19% abaixo das previsões do banco de investimento, devido ao volume vendido abaixo do esperado no trimestre.

Sobre o guidance (projeção) apontado pela Raízen para o ano de 2022, a faixa esperada para o Ebitda consolidado da empresa aumentou para um intervalo entre R$ 10,4 bilhões e R$ 11,2 bilhões, ante projeção anterior entre R$ 10 bilhões e R$ 11 bilhões. Para a área de renováveis, o intervalo ficou entre R$ 4,7 bilhões e R$ 5 bilhões (de R$ 4,1 bilhões e R$ 4,4 bilhões anteriormente), “uma vez que as margens de comercialização e produtos próprios devem se beneficiar do movimento dos preços do etanol e energia”, afirmou a equipe do Credit.

Por outro lado, ao reiterar que a faixa do Ebitda da divisão de açúcar, reduzida para um intervalo entre R$ 1,9 bilhões e R$ 2,1 bilhões (contra uma previsão anterior que ia de R$ 2,4 bilhões e R$ 2,6 bilhões), os analistas afirmaram que a expectativa de recuo se deve as “menores expectativas de volumes, uma vez que parte das vendas de açúcar pode ser postergada para o próxima safra, e margens menores devido à inflação de custos e maiores preços do Consecana (Conselho dos Produtores de Cana de Açúcar, Açúcar e Etanol do Estado de São Paulo)”.

Já em marketing & serviços a expectativa aumentou para um intervalo entre R$ 3,8 bilhões e R$ 4,1 bilhões (contra estimativa entre R$ 3,5 bilhões e R$ 4 bilhões) “impulsionado por ganhos com a estratégia de fornecimento no Brasil, aumento do volume de vendas, início da consolidação dos resultados da operação no Paraguai e ganhos de eficiência nas operações”;

Regis Cardoso e Marcelo Gumiero também calcularam que o novo guidance apontado pela Raízen implica em um intervalo entre R$ 1,5 bilhão e R$ 2,3 bilhões de Ebitda para o próximo trimestre da companhia, o que significa uma queda sequencial de 57% e 33% (antes os números reportados na segunda-feira), considerando o limite inferior e superior, respectivamente. “A queda mais substancial ocorre no segmento de açúcar, com Ebitda entre R$ 110 milhões e R$ 310 milhões (em comparação aos R$ 727 milhões do terceiro trimestre encerrado em dezembro de 2021)”.

BTG Pactual

Thiago Duarte, Pedro Soares e Henrique Brustolin, analistas do BTG Pactual, pontuaram que a companhia reportou resultados ajustados de alta qualidade, que foram impulsionados, principalmente, por números mais fortes no segmento de açúcar diante de preços mais altos, embora os resultados em renováveis ​​e combustíveis também tenham ficado acima das expectativas.

Sobre o guidance, a casa afirmou que os investidores darão as “boas-vindas”ao segmento mais forte de renováveis ​​e combustíveis.

Os analistas do BTG também destacaram a atualização do guidance elevando o Ebitda consolidado para um ponto médio de R$ 10,8 bilhões. “A principal revisão positiva foi em renováveis, com um aumento de 14%, com Ebitda médio esperado de R$ 4,85 bilhões, agora apenas 4% abaixo da nossa estimativa”, afirmou a equipe ao reiterar que também houve uma revisão negativa e inesperada de 20% na faixa intermediária Ebitda do segmento de Açúcar, agora em R$ 2 bilhões, 21% abaixo do projetado pela casa.

BofA

Ao mencionar o guidance da Raízen, que revisou para cima as previsões para o ano fiscal de 2022 com uma faixa de Ebitda consolidado entre R$ 10,4 bilhões e R$ 11,2 bilhões, o Bank of America (BofA) disse estimar um Ebitda de R$ 11 bilhões para o período.

Os analistas da casa também mencionaram o Ebitda de açúcar e renováveis, que totalizou R$ 2,15 bilhões, 10% acima das previsões.

“Apesar das condições adversas da safra nesta temporada, a Raizen vem apresentando resultados consistentes de suas iniciativas. A produtividade da cana de açúcar mais jovem está acima da média do setor e foi resiliente durante a safra; enquanto os preços médios realizados foram bastante sólidos, dada a sólida estratégia comercial”, explicaram os analistas ao lembrarem que os preços realizados do etanol foram de R$ 4,2 por litro, alta de 66,5% no comparativo anual, enquanto os preços de mercado ficaram em R$ 3,8.

Os resultados de marketing e serviços também foram considerados como “sólidos” pelo BofA. A companhia registrou Ebitda de R$ 1,24 bilhão na divisão, 11% acima das previsões do banco de investimento, número impulsionado por margens recordes no Brasil. O Ebitda por metro cubido foi recorde de R$ 153, contra a previsão de R$ 127 do BofA.

Isabella Simonato e Guiherme Palhares, analistas da casa, esclareceram ainda que a Raízen se beneficiou de maiores preços de combustíveis e ganhos de estoque, mas também de mudanças contínuas na dinâmica de oferta de combustíveis no Brasil, com grandes players se beneficiando de uma melhor logística e escala de importação.

“Esperamos que isso continue no futuro, o que pode resultar em margens estruturalmente mais altas”, escreveram a dupla.

Além disso, para a equipe de analistas, o momento positivo para os preços de açúcar e etanol deve continuar, sustentado pelo petróleo; e mudanças estruturais no setor de distribuição de combustíveis no Brasil devem beneficiar a empresa, potencializada por sua posição de liderança. “Por fim, acreditamos que os projetos de E2G (etanol de segunda geração) e biogás não estão refletidos no preço das ações, que acreditamos ter um valor patrimonial de R$ 3 por papel”.

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