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Finanças

Tudo sobre o HASH11, primeiro ETF de criptomoedas que estreia na B3

Com R$ 615,2 milhões levantados em reservas, investimento chega ao mercado como o 5º maior ETF da bolsa brasileira na renda variável.

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por

Katherine Rivas

Comprovando o interesse crescente dos brasileiros pelo mercado de criptoativos, estreia nesta segunda-feira (26) na B3 o primeiro ETF de criptomoedas do Brasil, o Hashdex Nasdaq Crypto Index Fundo de Índice. Ele será negociado na bolsa brasileira com o ticker HASH11.

ETFs são fundos de índices que replicam o desempenho de um determinado índice do mercado, composto por ums “cesta” de ativos.

Embora seja um “recém-nascido”, o ETF da Hashdex já é o quinto maior da bolsa brasileira, ficando apenas atrás de conhecidos índices da renda variável como o BOVA11 (que acompanha o Ibovespa), o SMAL11 (que replica o índice Small Cap), o IVVB11 (que segue o S&P 500) e o XINA11.

Na semana passada, o HASH11 levantou R$ 615,2 milhões na sua oferta primária, após 28.358 pedidos de reserva do ETF antes da negociação na bolsa, segundo comunicou a gestora Hashdex.

Foram 12.305.014 cotas emitidas. O valor de cada cota foi de R$ 47,02, além da taxa de ingresso de R$ 2,98 por cota, totalizando R$ 50.

Para Ricardo Vasconcellos, chefe de mercado de capitais da Easynvest, a principal conquista do ETF da Hashdex é a democratização dos criptoativos, permitindo que o investidor de varejo possa, com R$ 50, ter acesso às criptomoedas sem burocracia. “Os R$ 615 milhões captados são prova desta demanda”, afirma.

Segundo Vasconcellos, este é apenas o primeiro degrau para uma chuva de ETFs que devem chegar ao mercado brasileiro nas próximas semanas, replicando ativos como bitcoin e tecnologia.

O que é o Nasdaq Crypto Index (NCI)

Assim como outros ETFs, fundos negociados em bolsa que acompanham índices, o HASH11 vai replicar o Nasdaq Crypto Index (NCI), desenvolvido pela Nasdaq e a própria gestora Hashdex, com o intuito de refletir globalmente o movimento do mercado de criptoativos.

O Nasdaq Crypto Index está conformado por uma cesta de 6 ativos, que seguem critérios rigorosos de elegibilidade. A composição do índice será recalculada trimestralmente. Até o momento, os criptoativos que integram o NCI são:

  • Bitcoin (80,37%)
  • Ethereum (16,35%)
  • Litecoin (1,19%)
  • Chainlink (0,94%)
  • Bitcoin Cash (0,64%)
  • Stellar Lumens (0,50%)

Segundo Renan Frias, especialista em criptomoedas da Top Gain, a composição do Nasdaq Crypto Index é vantajosa por ter uma forte exposição ao bitcoin (80,37%), que ainda apresenta uma tendência de valorização, além de ethereum e chainlink, criptoativos que ele enxerga com forte potencial de crescimento.

Frias acrescenta que a presença de bitcoin cash e litecoin é descartável. “Eu não teria esses ativos na carteira porque acho que são moedas antigas, que não cresceram tanto quanto outras moedas do mercado”, explica.

Na opinião de Frias, diminuir a exposição em bitcoin e elevar a de ethereum seria ideal no ETF, aumentando também a participação de outras moedas que considera promissoras como chainlink e stellar lumens.

Segundo André Franco, analista de criptomoedas da Empiricus, esta seria uma das desvantagens de investir em criptomoedas apenas pelo ETF da HASH11, porque muitos ativos considerados fora do radar do mercado, mas com possibilidade de ganho maior, devem ser desconsiderados pelo Nasdaq Crypto Index, devido à estratégia que privilegia a escolha de criptoativos mais consolidados.

Franco, por exemplo, não recomenda comprar litecoin para os clientes, por considerar ser uma imitação do bitcoin e um projeto que não teve atualização nos últimos 2 anos. “O desenvolvedor vendeu os ativos e nunca mais recomprou e permanece largado”, aponta.

Ele também cita o bitcoin cash como um criptoativos que falharam na missão de ser um meio de pagamento mais rápido. E o stellar lumens como uma derivação do ripple e um ativo hiperconcentrado que não apresenta um uso muito claro.

Para o analista, a presença destes três ativos no índice não se justificam. Contudo, como o bitcoin e ethereum concentram cerca de 97% do índice, ele acredita que a composição não deve prejudicar o investidor. Além de se tratar de um índice dinâmico que a cada três meses altera o percentual dos seus ativos.

Como funciona o HASH11?

O ETF HASH11 será negociado na bolsa de valores brasileira replicando a rentabilidade do Nasdaq Crypto Index (NCI). O investidor pode ter acesso a uma cota a partir de R$ 50, valor que pode mudar com as variações de mercado.

Bruno Scotton, assessor de investimentos e sócio na Ikedo Investimentos, explica que embora seja muito difícil um ETF seguir à risca o retorno do índice, a rentabilidade entregue é sempre muito próxima.

Para ele, a principal vantagem deste ETF será a oportunidade do investidor aplicar em criptomoedas com maior facilidade, por meio da sua própria corretora e em um mercado com forte liquidez como é a bolsa de valores.

Scotton afirma que outra vantagem dos ETFs se comparados a fundos de investimento é a gestão passiva, com taxas de administração menores cobradas pela gestora.

No ETF da Hashdex, a taxa de administração é de 0,3% ao ano. E a taxa total consolidada do fundo é de 1,3% ao ano. Já a tributação será de 15% sobre o ganho de capital na alienação.

“O HASH11 será o pontapé inicial para que o investidor novato possa entrar no universo das criptomoedas e, quem sabe, no futuro migrar para uma carteira própria de criptoativos”, afirma Frias da Top Gain.

Vantagens de investir no HASH11

Entre as principais vantagens de investir no ETF da Hashdex, o assessor da Ikedo Investimentos destaca:

  • Simplicidade: é possível comprar o ETF na bolsa, por meio da sua corretora, diferentemente de investir direto em criptomoedas, em que é preciso abrir uma wallet (carteira digital), em uma exchange (corretora de criptoativos).
  • Regulação da CVM: ao ser gerido por uma gestora, o HASH11 tem supervisão da CVM e Anbima, além de estar sujeito a auditoria pela KPMG. Já o mercado de criptomoedas não é regulado e há risco de pirâmides e fraudes.
  • Tributação: declarar criptomoedas é sempre um assunto complexo, enquanto a declaração de um ETF é mais simples.
  • Liquidez: por ser negociado na bolsa, o ETF de criptomoedas terá uma liquidez maior, facilitando a compra e venda das cotas.
  • Diversificação de carteira: por ser um ativo correlacionado, que tem um efeito contrário à bolsa, juros, dólar, o investimento em um ETF de criptomoedas ajuda a diversificar a carteira do investidor.

Ainda entre as vantagens, Franco, da Empiricus, cita a questão da segurança. Muitas vezes o investidor pode esquecer ou perder sua chave ou pendrive, e perder todo o dinheiro acumulado em criptoativos ou estar exposto a ataques de hackers, na carteira digital.

Já no ETF, todos os ativos são armazenados por custodiantes institucionais, e contam com práticas de segurança para evitar a perda destas chaves.

Pontos de atenção

Apesar de ser um ETF que replica um índice, os especialistas alertam que isso não é sinônimo de estabilidade, principalmente por se tratar de criptomoedas que são ativos de forte volatilidade.

“Criptomoedas geralmente podem subir ou cair 15% a 20% no dia, pode significar muita volatilidade e risco para o investidor que não está acostumado”, adverte Scotton. Para quem pretende dar os primeiros passos no mundo cripto pelo ETF, ele aconselha não alocar mais de 5% da carteira.

Para Renan Frias da Top Gain, a desvantagem em se expor a criptomoedas apenas pelo ETF HASH11 é a rentabilidade menor no longo prazo. “Se algum dos criptoativos valorizar muito, você consegue dobrar seu patrimônio. No ETF, ficará exposto a menos riscos, mas com uma rentabilidade baixa”, defende.

Segundo Frias, o HASH11 é uma ótima alternativa para iniciantes no universo das criptomoedas, mas não necessariamente é interessante para quem já opera no mercado.

Ele também cita a forte exposição ao bitcoin, que tem 80,37% do índice, e recentemente sofreu desvalorização por eventos como a notícia de que Joe Biden, quer aumentar os impostos sobre ganhos de capital para limitar os investimentos em ativos digitais. Com isso, o bitcoin caiu abaixo de US$ 50 mil.

Nesta semana, outra notícia sobre uma explosão de uma mina carvão na China, que prejudicou uma mineradora, fez o preço da moeda despencar. “O que ocorre é que o ETF replica este índice e o investidor também sentirá estes prejuízos”, afirma Frias. Para ele, a exposição a este ETF deve ser entre 5% e 10% do capital.

Por se tratar de criptoativos, que podem dar saltos exorbitantes, Franco, da Empiricus, aconselha aos investidores que não se empolguem com ganhos atípicos, como saltos de 200% ou 300% do ETF, ou perdas expressivas. “É importante entender que é uma classe de ativos diferente”, destaca.

Ele afirma que a valorização dos criptoativos ocorre em um horizonte de longo prazo, então o ideal é se posicionar no ETF entre 3 a 5 anos para ver o negócio maturar. Franco aconselha uma alocação de no máximo 5% da carteira.

“É importante rebalancear. Se o ETF saltou 100%, precisa realizar o lucro para manter na posição estável, se o ETF caiu é hora de comprar mais cotas”, explica. Para o analista, a lógica é comprar quando cai e vender quando sobe muito.

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