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Guia Financeiro

Reserva de emergência: o que é, para que serve e como fazer

Se a partir de amanhã não houver mais renda, por quanto tempo você conseguiria manter seu padrão de vida?

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Imagine uma caixa d’água em sua casa ou prédio. Sua principal utilidade é fornecer água em situações inesperadas. Geralmente, o abastecimento de água vem da rua, serviço pelo qual o consumidor paga mensalmente, seja para tomar banho, lavar louça ou preparar os alimentos. Mas e se, em algum momento, essa entrega é interrompida?

É nessa hora que a reserva de água entra em jogo, permitindo que todas as necessidades do consumidor sejam satisfeitas. Quanto maior a reserva da caixa, mais tempo se garante a continuidade das atividades rotineiras.

Cintia Senna, mestre em educação financeira, cita este exemplo para fazer uma analogia sobre como funciona uma reserva financeira, conhecida também como reserva de emergência.

A função é semelhante: conseguir poupar dinheiro para blindar suas necessidades, sonhos, compromissos e dívidas quando o orçamento sofre alguma oscilação, a renda diminui ou até mesmo no desemprego ou frente a um imprevisto.

Cintia aponta que uma reserva de água é feita aos poucos. Da mesma forma, para construir uma reserva de emergência, é importante separar, de todo dinheiro que recebemos, uma pequena parte para garantir essa segurança no futuro.

Se você ainda não tem dinheiro guardado, faça a seguinte pergunta: se a partir de amanhã, você não recebesse mais seu ganho mensal (salário ou renda), por quanto tempo conseguiria manter seu padrão de vida?

Se a resposta for pouco tempo, veja o guia que elaboramos sobre como construir sua reserva de emergência:

O que é reserva de emergência?

Segundo Luciana Ikedo, assessora de investimentos e educadora financeira, a reserva de emergência representa o total das suas despesas mensais multiplicado por um número de meses, que geralmente pode ser entre 3 e 12 meses, a depender da estabilidade de sua renda.

Luciana exemplifica que quando falamos de um funcionário público, com risco muito menor de demissão, a reserva pode considerar 3 meses. Já na outra ponta, um trabalhador informal, que depende exclusivamente da sua força de trabalho, deve ter uma reserva de 12 meses.

Para a educadora financeira Cintia Senna, a expressão reserva de emergência deveria ser substituída por reserva estratégica, afinal, ninguém gosta de guardar dinheiro esperando uma situação grave ou momento crítico ocorrer.

“Quando eu coloco o nome de emergência ao dinheiro guardado, já estou estabelecendo uma finalidade, ou querendo que aquela situação aconteça”, defende. Segundo Cintia, pelo lado comportamental, é mais efetivo considerar que precisamos criar uma reserva estratégica, para blindar nossas necessidades e sonhos em tempos de oscilações no orçamento.

Para que serve a reserva de emergência?

Como o nome já indica, a reserva de emergência serve para aquele problema inesperado que ocorre a qualquer momento, por exemplo, numa tarde de terça-feira ensolarada, explica Luciana Ikedo. A emergência pode ser sua ou de algum familiar próximo que dependa financeiramente de você.

Ela cita como exemplos o vazamento no cano da pia da cozinha ou um pneu que estourou na estrada. Podem ser também situações mais complexas, como uma doença que exija a compra de vários medicamentos ou até mesmo o desemprego indesejado.

Já Cintia Senna aponta que a função principal da reserva de emergência é conseguir blindar o padrão de vida atual, com necessidades sonhos, contas a pagar, dívidas, mesmo em tempos em que a renda não seja a mesma, ou o orçamento oscile.

A reserva também serve para auxiliar frente a situações inesperadas, nas quais não conseguimos planejar ou fazer um orçamento.

Por que ter uma reserva financeira?

Para Luciana, ter uma reserva de emergência pode ajudar a combater um dos principais problemas das famílias brasileiras: o endividamento, que no mês de julho de 2021 alcançou a máxima histórica de 72,6%.

Quando alguém não possui uma reserva financeira e há momentos turbulentos, talvez seja preciso recorrer a recursos não muito recomendáveis, como pedir dinheiro emprestado a algum familiar, contratar um empréstimo pessoal com juros altíssimos ou até mesmo pagar a fatura mínima do cartão de crédito, exemplifica a assessora de investimentos.

Já Cintia destaca que quem tem uma reserva de emergência tem poder. Isso porque consegue buscar melhores condições, fazer melhores negociações, sem ficar vulnerável. “Quando uma pessoa não tem dinheiro guardado, fica sujeito a aceitar qualquer coisa, seja qualquer emprego, financiamento, a reserva é um dos instrumentos mais fortes da educação financeira”, afirma.

A educadora financeira destaca que, infelizmente ,ao longo das nossas vidas fomos ensinados a gastar nosso dinheiro de forma imediata, no entanto, é importante entender que a vida não é linear, há momentos de maiores ganhos, outros de menos renda ou até desemprego.

Ter uma reserva financeira permite enfrentar diversas situações de forma mais tranquila, sem precisar de rupturas no padrão de vida.

Qual o valor da reserva de emergência?

Segundo as especialistas consultadas, o valor da reserva de emergência vai depender da renda e despesas de cada pessoa ou família.

O ideal é pensar quanto precisamos para cobrir nossas necessidades principais no dia a dia, despesas que não podem ser interrompidas em uma situação de emergência. Por exemplo, gastos de aluguel, alimentação e contas básicas.

Para quem tem ganhos mensais fixos, é assalariado, a recomendação de Cintia é guardar entre 3 a 6 meses das despesas mensais. Segundo a educadora financeira, este é um período importante para se organizar e reestabelecer frente a uma situação inesperada, ganhando fôlego no orçamento.

Já para quem possui uma renda variável, que muda a cada mês, como um trabalhador informal, Luciana Ikedo considera ideal guardar 12 meses do custo das suas despesas.

Ela cita que pessoas com uma estabilidade maior, como um funcionário público, com baixo risco de demissão, pode considerar apenas 3 meses como reserva financeira.

Como calcular uma reserva de emergência?

O cálculo da reserva de emergência ocorre seguindo a lógica citada acima. Imagine despesas que não podem ser interrompidas e multiplique por 3, 6 ou 12 vezes, considerando se você é funcionário público, trabalhador CLT ou informal.

Exemplificando, suponhamos que o custo do padrão de vida seja de R$ 2 mil. Se ela teve uma estabilidade de renda, como um funcionário público, precisaria guardar apenas três vezes este ganho, ou seja, o valor da reserva seria de R$ 6 mil.

Já para um funcionário CLT, o ideal seria juntar até 6 meses da suas despesas, neste caso, a reserva de emergência seria equivalente a R$ 12 mil.

E se a pessoa não tiver uma renda fixa? Neste caso, precisará multiplicar o valor dessa despesa de R$ 2 mil por 12 vezes, totalizando uma reserva de R$ 24 mil.

Como fazer reserva de emergência?

A educadora financeira Cintia Senna explica que a construção de uma reserva de emergência não ocorre da noite para o dia. Para criar uma, precisamos pegar mensalmente uma parte do nosso ganho e separar qualquer valor para desenvolver essa reserva.

Ela aponta que o mais importante é começar a criar o hábito, e não necessariamente o valor do recurso, e também entender que “não precisamos gastar tudo o que ganhamos”.

Então suponhamos que uma pessoa precisa formar uma reserva de emergência de R$ 2 mil. No primeiro mês, ela pode separar R$ 10, R$ 20 do seu salário ou ganho recebido, no segundo mês pode aumentar esse aporte para R$ 50 ou R$ 100. E assim, quando menos esperar, terá desenvolvido uma estratégia até chegar a R$ 2 mil.

Lembrando que, numa emergência, é preciso substituir o recurso utilizado, até completar novamente nossa reserva financeira. Então suponhamos que você tenha conseguido finalizar sua reserva de R$ 2 mil, mas ocorreu um imprevisto e teve que gastar R$ 500. É fundamental repor esse valor, mesmo que aos poucos, para garantir a segurança financeira.

No lugar de pegar um empréstimo com juros elevados em algum banco, sua reserva de emergência é seu próprio financiamento.

Onde investir reserva de emergência?

Luciana Ikedo explica que a reserva de emergência precisa ser aplicada em ativos conservadores, de alta liquidez e baixa volatilidade. Por exemplo, o Tesouro Selic, CDBs com liquidez diária e fundos DI com taxa de administração zerada.

Contudo, Cintia Senna lembra que a finalidade da reserva de emergência é ter acesso imediato ao recurso, o que significa que se eu precisar desse dinheiro hoje, posso ter o recurso na mão. Desta forma, o principal objetivo de uma reserva não é o retorno financeiro.

Neste contexto, a educadora financeira cita que também é importante diversificar na reserva de emergência, aplicando em diversos ativos considerando a facilidade de resgate.

Então, imagine que você precise de dinheiro de forma imediata e não tem acesso ao celular nem a sua conta bancária ou da corretora. Cintia cita como exemplo o apagão no Amapá, quando as pessoas se viram forçadas a utilizar dinheiro físico, sem a possibilidade de acessar cartões ou bancos. Em um cenário tão radical como este, é importante ter alguma quantia em dinheiro físico, segundo Senna.

Além disso, embora perca para a inflação, uma segunda alternativa para ter uma parte da reserva é a poupança, segundo a educadora financeira. Isso porque a caderneta permite resgates também aos finais de semana, então nela deve ser colocada uma parte dos recursos para atender necessidades pelas quais não conseguiríamos esperar o resgate das outras aplicações.

Já no caso do Tesouro Selic ou CDB de liquidez diária, devem ser concentrados os maiores aportes da nossa reserva, contudo levando em conta que o resgate ocorre apenas de segunda à sexta e que no momento o resgate do Tesouro Direto demora 1 dia para ser creditado na nossa conta. A partir do dia 13 de setembro, este resgate deve ocorrer no mesmo dia.

Então, segundo Cintia, com essa diversificação de reserva a pessoa consegue se blindar para qualquer situação possível, seja no final de semana ou em dias úteis.

Melhores investimentos para reserva de emergência

Considerando a inflação projetada para 12 meses em agosto de 2021, de 4,47%, que pode reduzir o nosso poder de compra e a taxa de juros em 5,25%, Luciana Ikedo aponta que os melhores investimentos para a reserva são: Tesouro Selic, CDB com liquidez diária que entregue pelo menos 100% do CDI, e fundos DI sem taxa de administração.

 O Tesouro Selic, é um título pós fixado do Tesouro Direto, no qual o investidor empresta seu dinheiro para o governo em troca de juros. Este dinheiro será utilizado para financiar a dívida federal e é considerado o mais seguro do mercado.

No caso do Tesouro Selic, a remuneração acompanha a taxa básica de juros da economia, a Selic. Este é um título pós fixado. O investidor não sabe de antemão quanto o investimento vai render. Tudo dependerá da evolução da taxa de juros.

Já o CDB, Certificado de Depósito Bancário, é outra alternativa interessante para a reserva. Este ativo precisa render 100% do CDI e ter liquidez diária.

O CDB é um título de crédito bancário, na qual o investidor empresta seu dinheiro para o banco em troca de juros. Muito utilizado pelas instituições financeiras para captar recursos e atender às necessidades de empréstimo e financiamento de outros clientes.

Principais mitos sobre a reserva de emergência

Para Luciana Ikedo, o principal mito é que a reserva financeira não é um investimento, segundo a assessora mesmo com a liquidez diária é possível conseguir melhores rentabilidades do que a poupança para este parte tão importante do patrimônio pessoal.

Já o mito mais comum citado pelas especialistas é que as pessoas acreditam que precisam quitar integralmente suas dívidas para depois começar a formar uma reserva de emergência.

Segundo Luciana, as dívidas mais caras como cheque especial, parcelamento da fatura do cartão de crédito ou crédito pessoal precisam sim ser zeradas o mais breve possível. No entanto, dívidas de longo prazo com baixas taxas de juros podem ser mantidas em paralelo enquanto a reserva de emergência é construída.

A reserva também pode ser um instrumento muito poderoso para auxiliar a pessoa a guardar um recurso e zerar essas dívidas.

Cintia reforça que outro mito é que para uma reserva é preciso ter muito dinheiro guardado, o que não é verdade já que cada pessoa tem um padrão de vida e necessidades diferentes.

A educadora financeira também traz outra reflexão: o que seria de fato considerado uma emergência? Ela cita que muitas vezes as pessoas compram bens sem ter o planejamento financeiro para os gastos anuais destes, por exemplo um carro, para o qual seria necessário também um orçamento do pagamento anual do IPVA, custos em caso de manutenção, imprevistos, gasolina, entre outros.

“Se eu sei que terei um gasto do IPVA pelo menos uma vez no ano, não preciso sofrer de uma única vez, posso separar todo mês um recurso para essa finalidade”, exemplifica. Com isso, Cintia defende que é preciso separar as reais emergências do que seria falta de organização.

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