Bitcoin e outras criptomoedas voltaram a cair enquanto EUA, Israel e Irã trocavam novas ameaças e ataques.

A maior criptomoeda recuou até 3,3% no domingo (22), sendo negociada a cerca de US$ 68.150 — o menor nível desde o início de março. A queda foi ainda mais intensa entre outros tokens: o Ether perdeu quase 5% em determinado momento, chegando a US$ 2.050, e Solana, XRP e Cardano também registraram perdas expressivas.

O Bitcoin acumula queda de cerca de 20% desde que EUA e Israel iniciaram os ataques ao Irã no fim de fevereiro. O tombo escancarou os limites de um argumento recorrente no mundo cripto: o de que o Bitcoin funcionaria como um porto seguro em tempos de crise.

Mas outros fatores também pesam, segundo Peter Tchir, responsável pela estratégia macro da Academy Securities. O Bitcoin foi arrastado por uma onda de aversão ao risco que derrubou também ações e outros ativos. O encarecimento da energia, provocado pelo conflito, pode estar pressionando adicionalmente o setor — já que torna mais caro o processo de mineração.

“Boa parte dos ganhos recentes parecia apostar em novas leis favoráveis ao setor, algo que ficou mais difícil de acontecer — Washington está focada na guerra, e as novas regulações não têm gerado o entusiasmo de novos investidores que a comunidade cripto esperava”, disse Tchir no domingo. “O risco parece estar aumentando de novo.”

Durante o conflito, o mercado cripto — que opera 24 horas por dia, sete dias por semana — tem funcionado como uma janela antecipada do humor dos mercados tradicionais nos fins de semana.

Contratos futuros negociados na Hyperliquid, plataforma que se tornou uma das maiores para derivativos contínuos, mostravam por volta das 17h (horário de Brasília) de domingo contratos ligados ao petróleo subindo mais de 4%, a mais de US$ 99 o barril. Já os contratos atrelados ao Nasdaq 100 e ao S&P 500 recuavam mais de 1% cada.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que bombardearia as usinas de energia do Irã caso o país não reabrisse o Estreito de Ormuz — passagem estratégica para o comércio global de petróleo, efetivamente fechada há semanas. A ameaça impulsionou o preço do petróleo e de outras commodities. O Irã respondeu com suas próprias advertências, dizendo que atacaria bases americanas e israelenses no Oriente Médio se sua infraestrutura de energia fosse alvo. Enquanto isso, os ataques iranianos contra Israel se intensificaram.

A queda recente se soma a um ciclo de baixa que começou no início de outubro, quando o Bitcoin era negociado acima de US$ 120.000. A derrocada inicial foi suficiente para deteriorar o sentimento do mercado e impedir que qualquer tentativa de recuperação ganhasse força suficiente para tirar a moeda do buraco.