O bitcoin (BTC) foi uma das classes de investimentos mais rentáveis de 2024, com alta superior a 100%. O fim daquele ano foi de festa para todo lado: matérias nos cadernos de economia, rankings com o BTC brilhando na liderança e previsões otimistas para 2025. Corta para a atualidade – e o cenário mudou bastante.

A criptomoeda fechou 2025 com queda de cerca de 6% em dólar, frustrando expectativas otimistas super otimistas – alguns chegaram a falar que o bitcoin poderia chegar a US$ 1 milhão no ano passado, bem distante dos US$ 89,39 mil desta sexta-feira (2). Foi o pior desempenho anual desde 2022, ano em que a cripto desabou em meio à queda da FTX, a exchange fraudulenta criada por Sam Bankman-Fried.

Em reais, a dor foi maior. O bitcoin caiu 18,88%, escorregando de R$ 594 mil para R$ 482 mil. O motivo vai além do preço da cripto: como o BTC é precificado em dólar, a queda de cerca de 11% da moeda brasileira frente ao dólar pesou – e muito – no resultado final.

“A desvalorização do dólar em 2025 foi particularmente expressiva. Trata-se da maior queda anual da moeda norte-americana desde 2016, quando o dólar Ptax recuou 16,54”, disse Einar Rivero, CEO da Elos Ayta.

No comparativo, o BTC também perdeu para outras classes de investimento. Ficou atrás do S&P 500, do ouro, do Ibovespa e até da poupança, taxada como o patinho feio do mercado.

Por que o bitcoin caiu em 2025?

O ano foi de extremos. Rolou bastante coisa positiva, sim: os Estados Unidos avançaram em regulações mais amigáveis ao setor, os juros na maior economia do mundo caíram 0,75 ponto percentual – o que costuma favorecer ativos de risco – e o bitcoin renovou sua máxima histórica, mostrando que ainda tem fôlego.

Mas o lado negativo falou alto. Houve perdas de bilhões em valor de mercado, além de desconfiança em relação a empresas que tomaram dívida para montar posições em bitcoin em caixa, levantando debates sobre uma possível bolha nas tesourarias cripto. A Tether, emissora da USDT, maior stablecoin do mundo, também voltou aos holofotes, com questionamentos sobre seu lastro.

Outro fator que pesou foram as saídas dos ETFs de bitcoin nos Estados Unidos – queridinhos dos investidores institucionais e um termômetro importante do mercado -, especialmente em momentos de maior aversão a risco.

O que esperar para 2026?

Apesar do desempenho fraco, a expectativa geral segue positiva. Para muitos analistas, o bitcoin passa por uma transição importante, ficando mais institucionalizado e cada vez mais conectado ao mercado financeiro tradicional.

Recentemente, o Itaú sugeriu uma exposição de 1% a 3% do portfólio em cripto, como forma de diversificação, sempre respeitando o perfil do investidor. Já a Mynt destacou, em relatório recente, que o BTC segue como a principal reserva de valor do mercado cripto, com oferta limitada e regras de emissão previsíveis.

“Em um mundo em que a oferta monetária e o endividamento de governos cresceram de forma acelerada na última década, cada vez mais investidores enxergam o BTC como uma proteção de longo prazo”, falou.

Entre os possíveis gatilhos para 2026 estão decisões mais claras de alocação em bitcoin por governos, fundos soberanos e empresas. A expectativa de cortes de juros nos Estados Unidos também pode ajudar. A Fitch projeta três cortes de juros de 25 pb pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) em 2026

“Se o cenário for de juros em queda gradual e ausência de grandes choques geopolíticos, o bitcoin tende a ser tratado como ativo de diversificação e proteção”, disse André Sprone, LATAM MEXC growth strategy lead.

Riscos no radar

Como sempre, vale o alerta. O bitcoin segue altamente volátil – em muitos momentos, se comportando como uma ação de tecnologia. O ativo sobe e desce conforme o humor do cenário macroeconômico. Mudanças regulatórias, ataques cibernéticos a players do setor e movimentos políticos e econômicos seguem no radar de quem investe em cripto.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 10h.

Bitcoin (BTC):  +1,79%, US$ 89.397,88

Ethereum (ETH): +2,39%, US$ 3.050,12

XRP (XRP): +2,45%, US$ 1,89

BNB (BNB): +1,54%, US$ 869,85

Solana (SOL): +2,71%, US$ 128,28

Outros destaques do mercado cripto

PF reforça monitoramento de transações cripto. A Polícia Federal deu mais um passo para se atualizar no universo cripto e fechou um contrato de R$ 1,7 milhão para usar softwares capazes de rastrear e analisar transações com criptomoedas, reforçando o uso de tecnologia baseada em blockchain nas investigações. A ideia é ampliar o apoio a apurações de crimes financeiros, como fraudes digitais e lavagem de dinheiro, num momento em que o uso de criptoativos cresce no país.

Receita libera caminho para regularizar cripto. No final do ano passado, o governo federal abriu uma janela para quem deixou de declarar criptomoedas nos últimos anos colocar tudo em dia. O passo a passo já foi divulgado. Em resumo, é preciso apresentar a Declaração de Opção pelo Regime Especial de Regularização Patrimonial (Derp) no sistema e-CAC da Receita Federal até o dia 19 de fevereiro de 2026. Vale dar uma olhada na instrução normativa com todas as regras.

Volume nas exchanges esfria. O movimento nas grandes corretoras de cripto deu uma boa esfriada em dezembro. O volume negociado à vista nas exchanges centralizadas caiu para US$ 1,13 trilhão, o menor nível em 15 meses, com queda forte em relação a outubro e novembro. A combinação de fim de ano, baixa volatilidade e falta de catalisadores deixou o mercado mais quieto, com investidores reduzindo a exposição nas plataformas tradicionais. A Binance seguiu líder absoluta, mas nem ela escapou do clima de ressaca.

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