Após bater o maior preço em dois meses na noite de ontem, o bitcoin (BTC) conseguiu sustentar a alta no início desta quinta-feira (15), negociado acima dos US$ 96 mil. Parte desse humor vem do alívio na pressão vendedora.

Os ETFs (fundos negociados em bolsa) de bitcoin nos EUA, que registram fortes retiradas no começo deste ano, voltaram a atrair dinheiro: só nos três primeiros dias da semana, entraram US$ 1,7 bilhão nesses fundos. Isso mostra que os investidores institucionais, que costumam usar esses produtos para investir em cripto, estão animados de novo.

Outro catalisador é que os traders mais antigos estão realizando menos lucro. Dados da Glassnode, compartilhados pelo portal CoinDesk, mostram que os chamados long-term holders (carteiras que mantêm BTC há mais de cinco meses) estão vendendo em um ritmo bem mais lento do que no último rali.

Em 2025, quando o bitcoin era negociado acima da faixa de US$ 100 mil, esse grupo chegou a vender mais de 100 mil BTC por semana no mercado – o equivalente a US$ 9,6 bilhões nos preços atuais. Agora, esse volume caiu para cerca de 12,8 mil BTC por semana. Ou seja: há menos pressão de venda, o que ajuda a explicar a firmeza recente dos preços.

Por fim, o dado de inflação nos EUA, divulgado na terça-feira (13), continua reverberando no mercado e sustentando a aposta em cortes de juros pelo Fed – algo que costuma cair como uma luva para ativos de risco, como as criptomoedas.

“A cotação acima de US$ 95 mil confere um suporte técnico importante, e a expectativa de mais liquidez global decorrente de potenciais cortes de juros no futuro pode limitar quedas mais acentuadas, resultando em uma possível consolidação lateral antes de uma nova direção de mercado”, disse André Franco, CEO da Boost Research.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h30.

Bitcoin (BTC):  +1,75%, US$ 96.629,27

Ethereum (ETH): +1,70%, US$ 3.349,10

XRP (XRP): -0,31%, US$ 2,11

BNB (BNB): +0,71%, US$ 938,17

Solana (SOL): +0,44%, US$ 144,70

Outros destaques do mercado cripto

EUA adiam estrutura regulatória cripto. O mercado estava bem ansioso pela votação, hoje, de um projeto de lei nos Estados Unidos que cria as regras do jogo para o setor cripto. Mas o Senado adiou tudo depois de negociações intensas de última hora. Um detalhe importante: a exchange Coinbase retirou seu apoio ao texto, dizendo que a versão atual abre espaço para vigilância financeira excessiva e impõe restrições duras aos programas de rendimento de stablecoins.

US$ 6 tri podem sair dos bancos. Ainda no embalo dessa discussão sobre o projeto de lei e os rendimentos, o CEO do Bank of America, Brian Moynihan, jogou um número que fez Wall Street levantar a sobrancelha: até US$ 6 trilhões em depósitos poderiam migrar dos bancos americanos para stablecoins – algo entre 30% e 35% de todo o dinheiro hoje no sistema bancário comercial dos EUA. E não é só ele reclamando: ontem mesmo o JPMorgan também criticou as empresas de cripto.

Stablecoin brasileira cruza fronteiras. As stablecoins brasileiras – aquelas atreladas ao real – estão, aos poucos, ganhando o mundo. A BRL1, criada em 2024 por quatro empresas locais, foi listada nesta semana nas exchanges internacionais OKX e Kraken. Com a entrada nas corretoras gringas, a cripto passa a ser negociada contra outras moedas digitais, como o USDT – o que tende a aumentar (muito) a liquidez do token brazuca.

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