O bitcoin (BTC) voltou a sentir a pressão do cenário global. Depois de ensaiar uma recuperação no fim da semana passada e voltar a ultrapassar os US$ 80 mil, a maior criptomoeda do mercado perdeu força novamente.

Desde a segunda-feira (18), o ativo é negociado na faixa dos US$ 76 mil, acumulando queda de 4,65% nos últimos sete dias. As altcoins operam mistas.

O pano de fundo continua sendo a tensão geopolítica. Apesar de os Estados Unidos terem indicado uma pausa em um possível ataque contra o Irã, os dois países seguem em impasse sobre o conflito no Oriente Médio.

Com essa indicação de pausa do lado americano, o petróleo passou a recuar nesta terça-feira, enquanto os treasuries – títulos do Tesouro dos Estados Unidos – voltaram a subir, atraindo investidores para ativos considerados mais seguros. Esse movimento costuma pressionar o mercado cripto.

Para André Franco, CEO da Boost Research, a queda do petróleo e o recuo dos yields (rendimentos dos treasuries) aliviam parte da pressão macroeconômica sobre ativos de risco, o que pode dar algum suporte ao bitcoin no curtíssimo prazo, especialmente após a recente queda para a região dos US$ 76 mil.

Ainda assim, o especialista avalia que o movimento parece mais um alívio pontual do que uma reversão consistente. “O petróleo continua em nível elevado, o dólar segue sustentado por demanda defensiva e o mercado permanece dependente de avanços concretos nas negociações entre EUA e Irã”, diz.

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O peso dos ETFs

Além das incertezas geopolíticas, os ETFs americanos de bitcoin também passaram a registrar forte saída de capital.

Na segunda-feira (18), os fundos tiveram retiradas líquidas de US$ 648,6 milhões – o maior fluxo negativo desde 29 de janeiro, segundo dados da plataforma SoSoValue.

“As saídas de capital dos ETFs de bitcoin refletem uma aversão institucional ao risco no curto prazo, impulsionada pela realização de lucros e pela incerteza macroeconômica”, afirmou Dominick John, analista da Zeus Research, ao portal The Block.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h.

Bitcoin (BTC):  -0,10%, US$ 76.867,78

Ethereum (ETH): -0,05%, US$ 2.117,09

BNB (BNB): +0,20%, US$ 638,29

XRP (XRP): -0,38%, US$ 1,37

Solana (SOL): +0,43%, US$ 84,54

Outros destaques do mercado cripto

Cripto aparece muito — mas engaja pouco. Tem um cenário curioso no mundo dos FInfluencers – aqueles influenciadores do mercado financeiro. As criptos já são o segundo tipo de ativo mais citado por eles, atrás apenas das ações. Mas tem um detalhe: em engajamento, elas aparecem só na 10ª posição. Segundo um estudo da Anbima, isso acontece porque o interesse do público não está exatamente no ativo isolado, mas na forma como ele é contextualizado.

Blockchain e as ONGs. Olha que legal essa iniciativa. A Avenia, emissora da stablecoin de real BRLA, fechou parceria com a Impacto, empresa que conecta doações corporativas a ONGs. A ideia é permitir que as doações sejam feitas via stablecoin, com rastreamento completo da movimentação do dinheiro – da transferência até o recebimento final via Pix. E viva a blockchain.

Wall Street quer tokenizar as ações. A tokenização de ações pode ganhar força nos Estados Unidos. A CVM dos EUA (SEC, na sigla em inglês) avalia criar uma estrutura regulatória mais flexível para permitir a negociação de versões tokenizadas de ativos negociados em bolsa. O movimento acontece enquanto gigantes como Nasdaq, NYSE e DTCC aceleram projetos ligados a blockchain e ativos digitais.