Com exceção de algumas altcoins de menor liquidez, a maioria das criptomoedas acompanhou o movimento do ativo digital líder. O ethereum (ETH), segundo maior criptoativo do mercado, avança cerca de 8,45%, enquanto a solana (SOL) registra alta próxima de 7%.
Ana de Mattos, analista técnica e trader parceira da Ripio, afirmou que o gráfico de quatro horas do bitcoin já indicava pela manhã uma forte entrada de volume financeiro.
“Este movimento sugere captura de liquidez em busca das próximas resistências dos US$ 72.500 e US$ 75.500”, disse a especialista. Em análise técnica, resistência é um nível de preço em que a alta costuma perder força, podendo abrir espaço para uma queda.
Caso o fluxo comprador não se sustente nessa região de preços, porém, o mercado pode voltar a testar suportes mais baixos, na faixa dos US$ 60.000 e US$ 53.000, segundo Ana. Suporte é o nível de preço em que ativo costuma parar de cair e pode voltar a subir.
A valorização do bitcoin – que vinha sendo pressionado nas últimas semanas e viu sua tese de ouro digital ser questionada – começou ainda na madrugada desta quarta. O movimento ocorreu após novos fluxos positivos para os ETFs (fundos negociados em bolsa) de bitcoin nos Estados Unidos, que registraram cerca de US$ 1,4 bilhão em entradas nos últimos cinco dias, segundo dados da plataforma SoSoValue.
Esses produtos são amplamente utilizados por investidores institucionais, o que indica que o apetite desse grupo por criptomoedas voltou a ganhar força.
“Apesar do sentimento fragilizado, a estabilidade do preço do bitcoin sugere que instituições podem estar acumulando de forma silenciosa durante períodos de medo impulsionado pelo varejo”, disse Guilherme Prado, country manager da Bitget.
A recuperação das criptos ocorre mesmo em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio. O Irã sinalizou que não pretende negociar com Estados Unidos e Israel após a morte do líder supremo Ali Khamenei e indicou que o conflito pode se prolongar.
A onça-troy do ouro também avança nesta quarta-feira e é negociada a US$ 5.124, com alta de quase 1%.
Ventos de Washington
Também há ventos favoráveis vindos de Washington. Em uma postagem na rede Truth Social, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou os bancos de tentar travar o avanço do Clarity Act, projeto que pretende estabelecer regras mais claras para o mercado de criptomoedas no país. O posicionamento foi interpretado por parte do mercado como um sinal de apoio ao setor.
O projeto enfrenta resistência do setor bancário porque pode permitir que stablecoins continuem oferecendo rendimento aos investidores – algo que, na visão dos bancos, poderia incentivar a saída de depósitos do sistema financeiro tradicional.
Apesar da recuperação de hoje, o cenário para o curto prazo ainda inspira cautela. Para André Franco, CEO da Boost Research, o ambiente global de risco segue pressionando o mercado.
Veja as cotações das principais criptomoedas às 14h20.
Bitcoin (BTC): +7,08%, US$ 73.020,01
Ethereum (ETH): +8,45%, US$ 2.139,10
XRP (XRP): +5,92%, US$ 1,44
BNB (BNB): +3,73%, US$ 656,90
Solana (SOL): +7,47%, US$ 91,66
Outros destaques do mercado cripto
Cripto invade São Paulo. Notícia para quem mora em São Paulo. Nos dias 18 e 19 de março, o World Trade Center São Paulo recebe o MERGE, um dos principais eventos de cripto da América Latina. A expectativa é reunir mais de 300 palestrantes e 40 expositores do Brasil e da região para discutir de tudo um pouco: mercado, tecnologia e, claro, regulação – assunto que ainda deixa muita gente com dúvida.
Grana nova no mundo cripto. As empresas brasileiras de cripto seguem atraindo investidores. A fintech Oxus Finance, que desenvolveu um agregador de stablecoins com inteligência artificial, levantou US$ 2,4 milhões em uma rodada que contou com investidores como Echo3 Participações e Underblock. A ideia é usar o dinheiro em uma solução que conecta criptomoedas ao sistema Swift, usado por bancos no mundo todo, para facilitar transferências internacionais.
Polymarket remove aposta sobre ataque nuclear. A plataforma de previsões Polymarket, que permite apostar em eventos futuros usando tokens, tirou do ar um mercado que perguntava se uma arma nuclear seria detonada ainda neste ano. A aposta, que já tinha movimentado mais de US$ 838 mil na plataforma, gerou forte reação nas redes sociais. Antes de ser removido, o próprio mercado indicava cerca de 22% de chance de uma detonação nuclear até o fim de 2026.
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