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Balanços do 3º trimestre: mercado espera números fortes de bancos e petroleiras

Já empresas de varejo e construção devem trazer resultados mais fracos, segundo especialistas; veja mais setores.

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Balanços do 3º trimestre (foto:Pixabay)
Balanços do 3º trimestre (foto:Pixabay)

A temporada de balanços do 3º trimestre começa nesta semana, com números que devem mostrar não apenas quais empresas estão se recuperando melhor da crise iniciada pela pandemia, mas também como as companhias estão enfrentando o novo cenário de inflação subindo cada vez mais e juros sendo elevados.

É o que comentam especialistas ouvidos pelo InvestNews, apontando por que determinados setores devem apresentar desempenhos melhores. A expectativa é de que a alta do petróleo traga resultados positivos das empresas ligadas ao setor, por exemplo, enquanto os bancos devem se beneficiar de uma taxa Selic mais alta. Por outro lado, a inflação e o aumento dos juros devem impactar negativamente os números de companhias ligadas ao consumo, como o varejo. 

Além do cenário macroeconômico, outro ponto de atenção que o mercado deve ter sobre os balanços do 3º trimestre é a base de comparação. “A maioria das empresas enfrentará uma base de comparação difícil no terceiro trimestre, com crescimento forte na temporada anterior por conta da abertura econômica”, afirma João Beck, economista e sócio da BRA. 

Eduardo Cavalheiro, gestor da Rio Verde Investimentos, afirma que, “de um modo geral, colocando todo mundo no mesmo balaio, os resultados devem ser bons no terceiro trimestre. As empresas fizeram ajustes durante o período mais intenso da pandemia e chegaram a uma condição melhor de controle de custos e despesas”.

Porém, Carvalheiro ressalva que “tem 4 coisas que começam a afetar as empresas no terceiro trimestre de formas diferentes, dependendo do setor”: pressão de custos, juros mais altos, crescimento menor da economia e ruptura na cadeia de suprimentos

Veja abaixo o que os especialistas esperam de alguns setores nos balanços do 3º trimestre:

Expectativas positivas

Petróleo

O aumento do preço do petróleo tem sido apontado com um dos “vilões” da inflação nos últimos meses, mas para o resultado das empresas do setor o impacto deve ser positivo.

“A alta do petróleo também impactou positivamente empresas como Petrobras (PETR4 e PETR3) e outras empresas privadas do mesmo setor”, comenta Beck. 

Bancos

Se pelo lado das empresas do varejo o aumento da taxa Selic é uma desvantagem, para os bancos pode ter ajudado a gerar bons resultados. “A alta forte de juros deve dar destaque positivo a bancos e seguradoras, que já vêm mostrando recuperação desde a temporada anterior”, aponta Beck.

Mineradoras e siderúrgicas

Beck aponta que, “mesmo com a queda recente do minério de ferro por conta dos eventos adversos vindo da China, o preço permaneceu alto ao longo do trimestre e deve refletir positivamente balanço de mineradoras e siderúrgicas”.

A Vale (VALE3) divulgou uma prévia de seus resultados na terça-feira (19), com vendas de minério de ferro que somaram 67,8 milhões de toneladas entre julho e setembro, alta de 3,2% ante o terceiro trimestre de 2020 e avanço de 0,9% na comparação com o segundo trimestre.

Logística

CCR

Carvalheiro aponta que, apesar do aumento do preço dos combustíveis, “no terceiro trimestre as empresas de logística operaram praticamente a plena carga”. 

“Empresas de portos, rodovias, que sofreram com a economia mais fechada, agora no terceiro trimestre operaram a plena carga. As prévias inclusive mostraram tráfego subindo até em relação a 2019”, analisa.

Expectativas negativas

Varejo

Os balanços devem mostrar os efeitos de um trimestre com menos dinheiro no bolso do consumidor. “Apesar de a economia ter aberto e os consumidores terem voltado a comprar em lojas físicas, o juro alto e a inflação estão corroendo o poder de compra da população. Tem ainda o aumento do custo dos produtos a serem vendidos, que pressiona um pouco a margem”, comenta Carvalheiro. 

Beck afirma que o impacto negativo deve ser mais visível para “as empresas segmentadas nas classes mais baixas e no e-commerce, em que devemos ver desaceleração de crescimento devido à forte base de comparação contra 2020”.

Construção

Vista de prédio em construção no Rio de Janeiro. 27/11/2020. REUTERS/Pilar Olivares

As prévias divulgadas nos últimos dias pelas empresas do setor decepcionaram o mercado, e Carvalheiro acredita que o balanço também deverá trazer números fracos. Diante de um crédito mais caro, inflação e desemprego elevados, a incerteza é sobre a demanda por imóveis. “As prévias de construção já mostram vendas mais desaquecidas”, aponta. 

Beck comenta que o setor de construção “seguirá na mesma linha do varejo”. “O que víamos até agora era um descasamento entre cenário macro já ruim e os resultados fortes dessas companhias, que devem começar a sentir um choque de realidade.”

Locação de automóveis

Carvalheiro aponta que empresas como Localiza (RENT3), Unidas (LCAM3) e Movida (MOVI3) se encontram em um cenário bastante desafiador, e isso possivelmente será traduzido nos números que os balanços devem trazer.

“Sobre a ruptura da cadeia de suprimentos, tem segmentos que estão penalizados por causa disso, como a locação de automóveis. Está tendo menos carro porque está tendo menor produção”, diz ele. 

O mercado automotivo no mundo todo enfrenta dificuldades para fabricar novos carros. A falta de semicondutores para atender à demanda da indústria, que tenta se reajustar após a pandemia, ainda não foi solucionada. Esses itens são responsáveis pela produção de chips para produtos como celulares, computadores e carros. A situação levou, inclusive, a uma elevação do preço dos carros

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Este conteúdo é de cunho jornalístico e informativo e não deve ser considerado como oferta, recomendação ou orientação de compra ou venda de ativos.

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