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Motoristas de apps se opõem à fusão entre Localiza e Unidas

O temor é de que a fusão aumente o preço da locação para os motoristas, encarecendo o valor da corrida para os usuários.

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por

Estadão Conteúdo
REUTERS/Yuriko Nakao

Uma das fusões mais importantes em análise pelas autoridades concorrenciais neste ano, a união das locadoras de veículos Localiza (RENT3) e Unidas (LCAM3) ganhou, além da oposição dos competidores, novos antagonistas: motoristas de aplicativos.

Representantes de condutores de serviços como Uber e 99 estão preocupados com o impacto para a categoria. De acordo com a Associação dos Motoristas de Aplicativos de São Paulo (Amasp), 25% dos motoristas dirigem carros alugados no Estado. O temor é de que a fusão diminua a concorrência e aumente o preço da locação para os motoristas, reduzindo a oferta de transporte ou encarecendo o valor da corrida para os usuários.

“Já vimos uma disparada nos preços dos carros alugados desde que a fusão foi anunciada. Com a falta de concorrência no mercado, eles colocam o valor que eles querem”, afirma o presidente da Amasp, Eduardo Lima de Souza.

Fundada por Salim Mattar, ex-secretário de Desestatizações do Ministério da Economia, a Localiza anunciou a fusão com a Unidas em setembro do ano passado, o que criaria uma empresa com valor de mercado consolidado de R$ 48 bilhões. O negócio, porém, só pode ser concretizado após a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), onde está sob análise.

O vereador de São Paulo Marlon Luz, conhecido como “Marlon do Uber” – que foi motorista de aplicativo e se elegeu como representante da categoria -, diz que, desde novembro, houve aumento de 15% a 20% no preço do aluguel de carros.

Segundo Marlon, quanto menos concorrência tiver, mais alto vai ficar o preço. “A tendência com essa fusão é que esses motoristas que alugam carro desistam. Vão sair do negócio e, aí, terão menos carros de aplicativo servindo os passageiros, maior demora e preços das passagens aumentando”, afirmou o vereador.

Questionamentos

No processo no Cade, a locadora de veículos Movida, que tem 15% de participação de mercado, e empresas menores, como Ouro Verde Locação e Porto Seguro Carro Fácil, manifestaram-se contra a fusão. A Movida e a Ouro Verde questionam o market share (participação de mercado) informado pela Localiza ao notificar o negócio ao conselho, que seria, somado ao da Unidas, de 40% da frota nacional de carros para aluguel.

“Em apresentações anteriores feitas a investidores, a Localiza falava que tinha mais de 50% e, a Unidas, mais de 17%. Juntas, as duas empresas têm quase 70% do mercado”, afirma o consultor Juan Ferrés, contratado pela Movida para apresentar um parecer ao Cade em que analisa a operação.

A reportagem procurou a Localiza e a Unidas e questionou as empresas sobre as preocupações dos motoristas de aplicativo e os argumentos apresentados pela Movida. A Localiza respondeu que a companhia, “seguindo suas reconhecidas práticas de governança corporativa e transparência”, apresentou ao Cade informações sobre o negócio e estudos sobre a dinâmica do setor.

“Eventuais esclarecimentos sobre a operação estão sendo discutidos com a autarquia”, completou. A Unidas disse que prefere não se manifestar sobre o tema neste momento.

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